“DEU PRÁ TI ANOS 70” É UM DOS FILMES ANALISADOS NO LIVRO “50 OLHARES DA CRITICA SOBRE O CINEMA GAÚCHO

“DEU PRA TI ANOS 70”, UM DOS 50 FILMES ANALISADOS EM LIVRO DA CRITICA GAÚCHA, FEZ TANTO SUCESSO QUE QUASE DESAPARECEU

Primeiro longa riograndense realizado em Super-8, por Giba & Nadotti, tornou-se um cult do CineGautchê

50 Olhares da Crítica Sobre o Cinema Gaúcho” será lançado pela ACCIRS, nesse domingo, em Porto Alegre, no Parque Farroupilha.

Maria do Rosário Caetano

Em 1981, Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti venceram a mostra em Super-8 do Festival de Cinema de Gramado, que esse ano realiza sua edição de número 50 (de 12 a 20 de agosto). E o fizeram com “Deu Prá Ti Anos 70”, o primeiro longa-metragem na bitola que então era uma febre entre os jovens. Afinal, de baixíssimo custo, permitia aventuras impossíveis no 35 milímetros. Mas havia, em contrapartida, uma desvantagem: o Super- 8 não tinha negativo, o que não lhe garantia a durabilidade da película (em 16 ou 35 milímetros).
Giba Assis Brasil relembra as características do suporte, em desuso (ou pouco uso) desde a democratização do digital : “Sim, Super-8 não tem negativo, então normalmente não se fazem cópias: o filme (reversível) que sai da câmara é o mesmo que, depois de revelado e montado, será projetado”.
Daí que “a única matriz super-8 do ‘Deu Prá Ti Anos 70’ de que dispúnhamos foi projetada publicamente 155 vezes (para 24.268 pessoas), o que deixou marcas, arranhões e desbotou bastante as cores originais – além de que alguns fotogramas se perderam definitivamente. Por isso que, desde 1988, nós decidimos não projetar mais a matriz”.
O cineasta, roteirista e montador de tantos filmes da Casa de Cinema de Porto Alegre (incluindo “Ilha das Flores” e vários longas-metragens de Jorge Furtado) lembra que “dispomos, também, de uma cópia em super-8 de ‘Deu Prá Ti” , feita pela Embrafilme em 1981, na gestão de Celso Amorim”. Porém, “a cópia ficou muito escura e com o som ruim”. Por isso “nunca foi exibida em público”.
Giba Assis Brasil prossegue: “a versão digital que temos foi telecinada em 2000, por iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre (na época em que a Coordenadora de Cinema e Vídeo era a Bia Barcellos), e o som foi remasterizado em Final Cut Pro (também em 2000) a partir das fitas cassete nas quais foram gravados os diálogos originais”.
Seria possível restaurar o filme, hoje, com suas cores originais?
Giba responde: “Sim. Hoje existe equipamento para fazer telecinagem com qualidade bem melhor do que a de 22 anos atrás (mas eu não tenho esse equipamento, e não sei se alguém tem no Brasil). Possivelmente uma nova telecinagem das duas versões em super-8 (a matriz e a cópia), uma posterior seleção dos melhores trechos de cada uma, um trabalho digital minucioso de correção de cor e uma nova remasterização do som daria um resultado bem melhor do que o que temos agora. Mas o problema todo é que esse processo seria muito caro, e absolutamente sem qualquer possibilidade de retorno. Nós não podemos comercializar o filme de nenhuma forma, por causa dos direitos das músicas”.
Não haveria retorno comercial, mas haveria retorno cultural. Afinal, o público desfrutaria de cópia próxima da original que encantou Gramado e milhares de cinéfilos que o viram na década de 1980. Por causa da trilha sonora, da qual os realizadores não dispõem do direito de uso, o filme não pôde ser integrado à plataforma Sulflix, a “Netflix do Rio Grande do Sul”.
Outro item que ajudou a fazer de “Deu Prá Ti Anos 70” um “Cultchê” (expressão cunhada por Carlos Redel) foi seu belíssimo cartaz.
Giba Assis Brasil conta que ele foi criado por Luiz Ferré, ex-diretor do Grupo Cem Modos, depois do “TV Colosso”. Desde 2016, ele é diretor contratado da Bossa Nova Filmes, de São Paulo.
A foto (um par de tênis velhos, muito gastos) é de autoria de Roberto Silva, que hoje vive em João Pessoa (e que era também o proprietário dos calçados).
Os fotolitos foram doados pelo irmão do Roberto, Sérgio Osvaldo Silva, que na época tinha uma gráfica, e que hoje vive em Glorinha (a 50 km de Porto Alegre), onde já foi até Secretário Municipal de Cultura, num governo do PDT.
* “50 Olhares da Crítica Sobre o Cinema Gaúcho” – Livro editado pela ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul) e parceiros será lançado, nesse domingo, dia 20 de março, em Porto Alegre, 11 da manhã, no Parque Farroupilha. Organizadores: Fatimarlei Lunardelli, Ivonete Pinto, Monica Kanitz, Daniel Feix e Rafael Valles. Preço: R$50,00. Mais informações sobre o lançamento e como adquirir o livro pelo endereço: http://www.accirs.com.br