JAY LEYDA (foto 4, na seguinte, 5, Michael Curtiz), diretor de “MISSÃO MOSCOU” + NÚMERO DE VISUALIZAÇÕES DE FILMES EM FESTIVAIS

* JAY “KINO” LEYDA E
“MISSÃO MOSCOU”
(MICHAEL CURTIZ, 1943)

+ NÚMERO DE VISUALIZAÇÕES
DE FILMES EM FESTIVAIS

+ CINE AFRICA
(CINEMA EM CASA SESC)

+ HOJE, FEST ARUANDA PROMOVE
“LIVE” (17h00) SOBRE SUA EDIÇÃO DE NÚMERO 15

+ SEGUE O IN-EDIT BRASIL
(com 4 filmes baianos na competição
oficial, de apenas seis títulos –
4 (Bahia) X 2 (resto do Brasil)

+ ANTONIO
FAGUNDES (HOJE,
NO INSTAGRAN)

+ “YOU TUBBERS”, DE SANDRA
WERNECK E BEBETO ABRANCHES
(NESSA SEXTA, NO CURTA!)

+ MISSÃO MOSCOU, DE
MICHAEL CURTIS (1943):
com consultoria de Jay Leyda
Tenho acompanhado, na Netflix, três séries documentais sobre a Segunda Guerra Mundial (tema que é paixão de Zanin e tornou-se minha, em especial por causa da “Batalha de Stalingrado” e do “Cerco de Leningrado”). Ante-ontem, por acaso, assisti a um filme húngaro (na mesma Netflix) — nada a ver diretamente com o tema da Segunda Guerra Mundial — chamado “Filmando Casablanca”. No original “Curtiz”. O título brasileiro é enganador. O que o filme faz mesmo é acompanhar a vida do judeu húngaro Mihaly Kertesz, que ao migrar para o EUA, transformou-se em Michael Curtiz (1988-1962). Acompanhá-lo no momento em que filmava “Casablanca”. O foco recai sobre seus “modos autoritários” de direção, seus “erros” na pronúncia da língua inglesa (que causavam muitos problemas em seus sets), seu priapismo, suas relações familiares complicadíssimas (em especial com a filha). Prolífico (mais de 100 filmes o tiveram como diretor, desde o final da fase muda, na Hungria, passando por alguns países da Europa Ocidental, e desaguando nos EUA), ele era um workaholic alucinado, daqueles — diz o filme “Curtiz” — que dormiam no estúdio para não perder tempo deslocando-se para casa. Também pudera, chegava a dirigir três longas por ano. No “Tullard”, descobri que ele fizera um filme chamado “Missão Moscou”, no qual “apareciam Stalin, Churchill e Roosevelt”. Ontem assisti a esse filme e fique espantada. Se a URSS tivesse encomendado a um de seus cineastas um filme que mostrasse seus progressos materiais e artísticos com tanta simpatia e eficiência — creio — não teria obtido resultado tão positivo. “Missão Moscou” mostra, ao longo de 124 minutos, o progresso da URSS aliada (ou seja, o país aliado da Inglaterra e EUA, três principais protagonistas da guerra que derrotou o eixo Alemanha-Japão-Itália). E o faz pelo olhar do empresário (que Roosevelt transformou em embaixador dos EUA na URSS) Joseph Edward Davies (interpretado por Walter Huston, pai de John). Ele serviu aos EUA, no país dos sovietes, de 1936 a 1938. Seus diários do período foram transformados no livro “Missão Moscou”, publicado em 1941. Foi esse livro a base do roteiro do filme de Michael Curtiz, produzido pela Warner. No prólogo, o próprio embaixador apresenta o filme. E agradece aos Irmãos Warner por transformá-lo em um longa-metragem. E o longa foi feito no calor da hora (1942/43). E lançado em plena Guerra. A URSS do período filmado (1936-38) é vista como um país que cresce, que constroi fábricas e represas, que abre espaço para as mulheres nas mais diversas funções (de condutora de locomotiva a paraquedista) e que produz artefatos industriais e bélicos que podem ser transferidos, em situações de guerra, para outras regiões do território (os Urais, por exemplo). O embaixador repete a todo instante que é a favor do “Capitalismo e do individualismo”, ou seja, anti-socialista e coletivista. Mas derrama charme em reuniões de trabalho, visita a usinas, represas e hospitais, festas maravilhosas e visitas à família de uma bela paraquedista. Sempre acompanhado da linda esposa e da filha idem. Até Madame Molotov é vista como uma simpática russa que cuida de uma perfumaria, pois “a beleza das mulheres é importante”. O progresso soviético é mostrado com vastíssimo material documental, que deve ter sido filmado por gente do naipe de Roman Karmen e centenas de cinegrafistas que sempre registraram a vida do país dos sovietes. JAY LEYDA, o estadunidense que foi discípulo de Eisenstein e viveu na URSS de 1934 a 1937 (autor do livro “Kino – História do Filme Russo e Soviético”, 1960), foi consultor do filme (no começo dos anos 1940). Os trotskistas vão detestar uma das sequências mais complicadas de “Missão Moscou”. Pelo ponto de vista do Embaixador Davies, os “expurgos de Moscou” são mostrados como julgamento de sabotadores que vinham destruindo fábricas soviéticas. O julgamento de tais “sabotadores, dirigidos de longe, por Trotski”, são feitos em público, com dezenas de embaixadores estrangeiros na plateia do tribunal (incluindo Joseph Edward Davies, mais diplomatas alemães, japoneses, etc). Se há um povo mostrado com “sutil” desconfiança (sorrateiro, insinuante), no filme de Curtiz, esse é o japonês. Os chineses, que sofriam guerra de invasão de território comandada pelo Japão, são vistos em hospitais soviéticos, que os recebem como vítimas do invasor. Vi que há, na internet, farto material (até dissertação de mestrado, de autoria brasileira) sobre “Missão Moscou”. E que o filme de Curtiz, finda a Guerra, caiu nas garras do Comitê comandado pelo Senador McCarthy. Quero ler o livro do Embaixador Davies e saber se Jay Leyda escreveu algo sobre esse trabalho curtiziano (talvez não tenha escrito, pois integrou a equipe como consultor, não é?!). Mas deixo aqui uma observação sobre a maestria do cineasta húngaro-estadunidense: no começo do filme, quando Roosevelt convoca o rico empresário Davies para servir aos EUA na URSS e este diz “mas eu não sou diplomata”, o que vemos? O ator Walter Huston em primeiro plano e Roosevelt de costas. No campo de visão de “Davies”, há uma grande foto do presidente dos EUA, colocada em sua mesa de trabalho. Como representar um presidente ultra-conhecido com um sósia? Para evitar tal risco (de cair no ridículo), Curtiz buscou uma excelente solução cinematográfica (a da foto). Já Stálin ganha um sósia meia-bomba. Um filme que serve como rico material de análise. Como uma aliança político-bélica pode facilitar a construção de uma imagem positiva do país que foi (e ainda é) o maior rival dos EUA (hoje, a China começa a ocupar esse lugar)…

***DATAS DE FESTIVAIS
on-line, mistos ou presenciais:

CINE AFRICA…………………..a partir de hoje
IN-EDIT…………………………….até 20 de set.
GRAMADO………………………18 a 26 de setembro
ÉTVerdade………………………..24/set a 4 de out.
FAM………………………………….24 setembro a 30????
SANTOS…………………………….29 de set a 6 out.????
CineBH……………………………….29 set a 4 out
OLHAR DE CINEMA…………7 a 14 de outubro
MOSTRA SP……………………….21 a 31 de outubro
FEST BRASILIA………………….Novembro????
MOSTRA GOSTOSO………….Novembro????
FEST VITORIA………………….24 a 29 de novembro
FEST DO RIO……………………03 a 12 de dezembro
CINECEARÁ…………………….5 a 11 de dezembro
ARUANDA………………………10 a 17 de dezembro

+ MOSTRA CINE AFRICA
começa nessa quinta-feira
(Cinema em Casa do Sesc)

http://revistadecinema.com.br/2020/09/cinema-da-africa-enriquece-a-programacao-on-line-do-cinesesc/

*NÚMERO DE VISUALIZAÇÕES

DE FILMES EM FESTIVAIS:

Cine África, que começa hoje e prossegue por mais onze quintas-feiras, no Cinema em Casa do Sesc, terá número de visualizações livre. Ou seja, não há imposição de limites de acessos. O Sesc age assim com todos os filmes que disponibiliza em seu projeto de exibição virtual de produções das mais diversas geografias (já soma mais de 500 mil acessos). Os outros festivais — como é de todos sabido — seguem padrão internacional e impõem limites.

****Em coletiva de imprensa sobre a formatação on-line do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários (de 24 de setembro a 4 de outubro), ocorrida na manhã de quarta-feira, 9 de setembro, Amir Labaki explicou que “o padrão internacional prevê média de mil a 1.500 acessos virtuais” para filmes selecionados. Será, portanto, assim, que os interessados de todo o território brasileiro poderão assistir aos documentários do festival paulistano: mil acessos para produções estrangeiras e 1.500 para brasileiras.

***Renata Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (de 21 a 31 de outubro), conseguiu ampliar o alcance dos filmes, tanto brasileiros, quanto estrangeiros. Ela contou ao Boletim Filme B, que os produtores queriam limitar o acesso a 1.300 espectadores. Depois de muita negociação, a margem foi ampliada (2 mil acessos).

A mostra Cine África será, pois, favorecida, já que sua direção conseguiu negociar caso a caso. (…)

***GRAMADO e CINECEARÁ, que trabalharão com o Canal Brasil Play, não estabelecem limites. Poderão assistir aos filmes das competições todos os assinantes do canal exibidor.

***CPC-UMES Filmes:
ELES LUTARAM PELA
PÁTRIA CHEGANDO EM DVD!

. Em setembro, mais um lançamento
além do Blu-Ray Guerra e Paz. Será o filme
ELES LUTARAM PELA PÁTRIA,
também do diretor Serguei Bondarchuk,
cujo centenário se completa em 25/09.
Esse lançaremos em DVD.
Baseado em romance do Nobel
de Literatura Mikhail Sholokhov e
selecionado para a disputada da Palma de Ouro no Festival de Cannes,
o longa reconstitui os três dias de retirada de um regimento
do Exército Vermelho em direção à Stalingrado, em julho de 1942,
sob a ótica de três soldados de origens diferentes: um

engenheiro agrônomo, um mecânico e um mineiro.