****FEST BRASILIA 2016 – ANO 49 — O cineasta Eryk Rocha e o produtor Diogo Dahl (na foto baixo) debateram, na manhã desta quarta-feira, 21 de setembro, o longa-metragem CINEMA NOVO, convidado da noite inaugural do festival brasiliense, junto com o curta IMPROVÁVEL ENCONTRO, de Lauro Escorel. Durante três horas, a equipe de CINEMA NOVO relembrou nove anos de trabalho em torno do filme. Tudo começou quando Eryk iniciou o registro, com apoio do Canal Brasil, de depoimentos de vinte cineastas cinemanovistas, pois temia que partissem (caso de Paulo Cezar Saraceni). Com este material e mais 130 filmes (ficções brasileiras como Vidas Secas, Deus e o Diabo, Os Fuzis, A Falecida, O Padre e a Moça, A Grande Cidade, Porto das Caixas, Opinião Pública somadas a documentários brasileiros e internacionais) ele somaram 500 horas de material. Coube ao montador Renato Vallone e a Eryk sintetizar tamanha riqueza de imagens e depoimentos em ensaio poético de 90 minutos. O resultado, o longa documental CINEMA NOVO, conquistou o Prêmio Olho de Ouro no Festival de Cannes, e chegará ao publico dia 3 de novembro. O filme revela imagens pouco conhecidas ou mesmo desconhecidas. Do curta “Cinema Novo”, de Joaquim Pedro de Andrade, aos CARNETS BRÉSILIENS, de Pierre Kast, passando por série sobre o Cinema Novo, dirigida pelo alemão Peter Schumann (Canal ZDF), e desaguando em registro, feito em 1966, durante o Festival Internacional do Rio, no qual o crítico francês Louis Marcorelles apresenta realizadores cinemanovistas e convidados internacionais, como Edgard Morin e Jean Rouch. Eryk & Diogo brincaram: “foi necessário trazer europeus ao Brasil, para que se fizesse registro no qual estão, além dos cinemanovistas, incluindo Eduardo Coutinho, Geraldo Sarno, o paulistano Walter Hugo Khouri”. E a única cineasta mulher, presente no grande grupo masculino mobilizado pelo documentário: a venezuela Margot Benacerraf, autora de “Araya (1959)”. Ao longo do debate, os temas mais recorrentes foram a presença de Walter Hugo Khouri (além de aparecer em imagens documentais, há em CINEMA NOVO, fragmento de seu filme “Corpo Ardente”) e de Luiz Sérgio Person (presente com imagens de São Paulo S.A.). Eryk Rocha lembrou que seu filme não é um documentário didático “sobre” o Cinema Novo, mas um ensaio poético-sensorial , uma reflexão sobre o tempo presente. Por isto, não se preocupou em reavivar brigas passadas, nem fomentar dissensões. Quis, isto sim, realizar um filme “inclusivo”, que somasse poderosas imagens, fragmentadas sim, mas capazes de criar novos sentidos. A parte mais substantiva do filme soma as mais potentes imagens do movimento (o Cinema Novo) indo de Aruanda e Arraial do Cabo, até Terra em Transe, e chegando a filmes como Macunaíma (um filme pós-AI-5) e, até, Eles Não usam Black Tie, produção do começo dos anos 1980. Além do longa documental Eryk & Diogo Dahl prepararam série para o Canal Brasil, que registará, com mais vagar, a saga cinemanovista em seis capítulos de 30 minutos cada: “A Aventura da Criação”. Dos diretores que deram depoimento ao filme e seguem na ativa, só Ruy Guerra viu CINEMA NOVO. E gostou. Ele, que teve brigas com muitos dos cinemanovistas, incluindo Glauber, gostou do ritmo do filme e da “intimidade épica” que o estrutura. Luiz Carlos Barreto, Carlos Diegues, Arnaldo Jabor, Zelito Viana e outros nomes fundamentais na trajetória do Cinema Novo verão o filme no Festival do Rio. CINEMA NOVO só foi possível, já que não ganhou nenhum edital nacional, estadual ou municipal, porque conseguiu somar o trabalho e a invenção de dois frutos do movimento: Eryk é filho de Glauber Rocha (com a cineasta colombiano-brasileira Paula Gaitán) e Diogo Dahl, de Nelson Pereira dos Santos com a atriz e cineasta Ana Maria Magalhães, e foi criado por Gustavo Dahl. Seus pais ajudaram a abrir arquivos (incluindo os do francês INA — Instituto Nacional da Imagem) e a mobilizar parentes e herdeiros, como Paloma Rocha, Maria Hirszman, Alice Andrade, que são produtoras associadas.

Enviado do Ipad de Rosário

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