VISCONTI EM SESSÃO MEMORÁVEL (LUDWIG NO CINESESC) + MARIA SCHELL + GRANDES SESSÕES DE CINEMA

+ UMA (OUTRA) NOITE
(SUBLIME) VISCONTIANA

+ MARIA SCHELL EM SÃO PAULO??

***Como vou ver quatro filmes a partir das 13h00, escrevo
estes flashes na correria. Portanto, mal copidescados.
O CineSesc viveu ontem uma noite sublime. Sala cheia para asssitir à
cópia integral (e perfeita) de “Ludwig” (1972). No final, depois das 23h00 (sessão começou às 19h00), aplausos durante os créditos e todos os espectadores emocionadíssimos com tanta beleza da cópia (em 70 milímetros????, pois a tela do cinema estava integralmente tomada!!). Vi, na platéia, os Mamberti (Sérgio e Duda), que estão acompanhado tudo (Duda está dividido entre os filmes e o Festival de Teatro, correndo de uma atividade para outra), Inácio Araújo, Mário Sérgio Conti, Malu Ferreira e Luiz Gonzaga (ambos ex-Cinemateca Brasileira), a atriz Tuna Dwek, Marly Farkas, os jornalistas Paulo Santos Lima, Neusa Barbosa, Luiz Vita, Orlando Margarido, Álvaro Machado, entre outros, e muitosss cinéfilos (ver fotos no “face” ou no Blog Almanakito). Todos espantados com o desempenho de Helmut Berger, que interpreta Ludwig dos 19 aos
40 anos, com Trevor Howard, que faz o compositor Richard Wagner (importantíssimo na história), com Silvana Mangano e, principalmente, com Romy Schneider (1938-1982). A atriz austríaco-francesa interpreta, mais uma vez, Sissi (Elizabeth), a imperatriz da Áustria, prima de Ludwig e amor platônico deste rei (homoafetivo) da Baviera. Nos filmes de “princesa” que ela interpretou ainda adolescente, a víamos como personagem de conto de fada. Neste, de Visconti, a vemos como uma soberana já não tão jovem, que espera que Ludwig despose a prima Sophie, irmã dela, a rainha. Romy Schneider segue (no filme viscontiano) linda como uma deusa e enche a tela em sua significativa atuação. Mas o filme é de Helmut Berger, em desempenho avassalador. E Visconti, um mestre, talvez o maior do “filme histórico”. Ao final da sessão, comentei com amigos: “se ele tivesse feito só dois filmes, “O Leopardo” e “Ludwig”, já merecia lugar entre os gênios do cinema”. E eles complementaram: “mas fez também Rocco, Morte em Veneza, Senso, Noites Brancas…”. A cópia exibida pelo CineSesc pertence à Cineteca de Roma e tem o italiano como idioma (desde Mussolini, a Itália, por lei, assiste a filmes dublados: …….
e quem dubla Ludwig-Helmut Berger é… Giancarlo Giannini!!!!). Não vimos, portanto, a versão em internacional em inglês (criminosamente cortada pelos distribuidores/2h40 mais ou menos). Mas, em ambos os casos, não se ouve o alemão dos germânicos que protagonizam o filme. A Trilogia Alemã de Visconti (Os Deuses Malditos, Morte em Veneza e Ludwig) foi feita com elenco internacional e em inglês.
(***) O catálogo da Retrospectiva Visconti, do CineSesc, está lindo e traz dezenas de cartazes italianos e internacionais do filme do mestre (gênio) peninsular. (***) E prá não dizer que não falei de meu tema-obsessão, Maupassant (Bola de Sebo): um lembrete: o episódio de Visconti em Boccacio 70 baseia-se em “Au Bord du Lit”, conto de… Guy de
Maupassant.

***MARIA SCHELL NO BRASIL:
No dia em que assistimos ao filme “Noites Brancas”, protagonizado pelo peninsular Marcello Mastroianni e pela austríaca Maria Schell
(1926-2005), Sérgio Mamberti contou a Zanin que a estrela (de “Gervaise”, “Napoleão”, o do Guitry, “Os Irmãos Karamazov”, “Une Vie”, do Astruc, by Maupassant, “A Árvores dos Enforcados”, “Cimarrón”, etc) viera ao Brasil e até visitara a Vera Cruz. Não tivemos tempo de saber quando se deu esta viagem e em que circunstâncias. Mas, quem sabe, ela tenha se dado em 1954, durante o I Festival Internacional de Cinema do Brasil (IV Centenário de São Paulo). Em um dos artigos do volume 1 do livro “Paulo Emílio Salles Gomes — Críticas no Suplemento Literário” (Paz e Terra/Embrafilme, 1981) – intitulado “O Cinema na Bienal” (08-06-1957), o professor da USP relembra as mostras “Images du Cinèma Allemand” e “Germany Then and Now” (complementada com homanagem a Eric von Stroheim). (Vou procurar a lista dos convidados, que foi enorme, e conferir se Maria Schell está entre eles).
***Meu encantamento com
a sessão de “Ludwig”
assemelhou-se a outros, que
nunca esqueci e relembro (aqui):

… “Napoleão”, de Gance, com tela tripla em bleu-blanc-rouge e acompanhamento ao vivo da Sinfônica de Cuba, regida por Carmine Coppola, pai do cineasta. No Teatro Karl Marx, pra 4.500 pessoas (Fest Havana)
*** “FitzCarraldo”, de Werner Herzog, no Teatro Amazonas, em Manaus, com Claudia Cardinale na platéia e atravessando o tapete até chegar à tela. Ou seja, entrando no teatro que a recebera, durante as filmagens.
*** “O Martírio de Joana D’Arc”, de Dreyer, dentro da sólida Catedral de Havana, com padres e bispos na platéia. E centenas de convidados do Festival cubano. Promoção do ICAIC & Fipresci.
*** “O Mágico e o Delegado”, de Fernando Coni Campos, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, no mesmo (e velho) cinema que servira de locação ao filme. Personagens (muitos deles com papéis pequenos ou figuração) urravam de alegria e prazer ao se ver na tela e no cinema-cenário.
*** A Hora e Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos, no Teatro Nacional, em Brasília, na presença de Leonardo Vilar (o Matraga) e Geraldo Vandré, o autor da trilha sonora. Durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. *** No mesmo Festival, no ano o Centenário do Cinema (1995), a exibição de “Viagem à Lua”, de Méliès, imantou a plateia com tamanha emoção, que os aplausos chegaram ao delírio.
*** “Fausto”, de Murnau, na Sala São Paulo, durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. (Com acompanhamento
sinfônico, não foi???)
*** “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, no Festival de Gramado de 1989. Ninguém sabia nada do filme. Todos o assistiram como a uma missa (leiga). No final da sessão, quase dez minutos de aplausos, de pé. (Depois lembro outras sessões memoráveis)…