ESCOLA BASE – UM REPÓRTER ENFRENTA O PASSADO – Documentário relembra, na GloboPlay, uma das maiores aberrações jornalístico-criminais da história recente brasileira. Muito parecida com a Java-Jato…

*******ESCOLA BASE – UM REPÓRTER ENFRENTA O PASSADO – Finalmente, enquanto todos festejavam o Natal, assisti ao longa documental (106 minutos), de Caio Cavechini e Eliane Scardovelli, sobre a ESCOLA BASE. Luiz Zanin, meu companheiro de profissão e conjugal, costuma dizer que gosto de apenas três assuntos: “imprensa (meu ofício), cinema e política”.
Gosto de muitos outros, mas claro que a MIDIA (vocábulo mais abrangente) está no centro das minhas atenções e preocupações. Desde que soube do documentário sobre a ESCOLA BASE, meu interesse foi total e absoluto. Como pensei que era uma série, esperei a maratona de festivais e viagens de cada ano terminar para assisti-la. Resolvi começar ontem, em plena noite de Natal. Como era um filme, assisti-o, óbvio, por inteiro. Como todos sabem, esta é uma das páginas mais VERGONHOSAS de nossa história jornalístico-criminal. A LAVA JATO e seu juiz-vingador-justiceiro (que investigava nos moldes do delegadozinho do caso da ESCOLA BASE) usaram métodos idênticos e contaram com a total conivência da grande imprensa, do Judiciário, etc. O filme tem no repórter policial da Rede Globo, Valmir Salaro, seu protagonista. Foi ele quem fez a primeira (e escandalosa, pois de um lado só) matéria sobre um SUPOSTO abuso sexual na escolinha infantil, pré-escolar, da Aclimação paulistana, em março de 1994.
Folha de S. Paulo, Notícias Populares, Veja, Estadão, TVs (Hebe Camargo), etc, etc, entraram de cabeça na destruição da vida dos quatro proprietários da BASE. Um massacre de reputação pavoroso, que o filme retrata muito bem.
Um jornal, o Diário Popular (depois Diário de São Paulo), foi o único a ver que as acusações não tinham sustentação em PROVAS. Eram frágeis demais. Deixou o caso de lado, mesmo sendo um veículo que tinha na cobertura de crimes e no futebol suas forças de resistência. Li bela matéria na imprensa com o sensato e VERDADEIRO jornalista. Outro que NÃO entrou na HISTERIA jornalística foi o repórter Florestan Fernandes, da TV Cultura!!!!
Uma manchete do vespertino (do Grupo Folha) Notícias Populares (não muito distante das revistas e dos jornalões “SÉRIOS”) mostra a que ponto chegou o imbróglio jornalístico-criminal: “Kombi era motel da escolinha do sexo”.
A história derivou para componentes ALUCINANTES. Os jornais falavam em “droga, tortura, estupro”!!!! Haveria de tudo na modesta escolinha da Aclimação.
Outra manchete: “Multidão depreda escola da orgia”. Três dos 4 proprietários foram indenizados quando outro delegado (não o aparício e desqualificado tecnicamente Edelson Lemos) provou que eram 100% inocentes. Tudo começaria com os delírios de uma mãe (Lúcia), que convenceu outra mãe, Cléa, de que a Escolinha BASE era um antro de abuso sexual. O delegado, louco para aparecer e fazer carreira, entrou de cabeça na trama.
O JORNALISMO DECLARATÓRIO nadou de braçada e insuflou a multidão de JUSTICEIROS. Com a vida destruída, os 4 proprietários foram pesos, viram a escola e suas residências destruídas ou saqueadas. Paula, com duas filhas pequenas, viu seu casamento destruído. O ex-marido, o motorista da KOMBI citada pelo Notícias Populares foi se esconder em outra cidade.
Resultado: Paula Millin não teve como entrar com processo judicial. Não tinha advogado. Dos 4 é a única que não recebeu reparação financeira!!! Outra aberracão!!
Por fim, nestes apontamentos, um registro: o delegado Edelson Lemos, as duas mães (Lúcia e Cléa) e a PERITA da Polícia, autora do laudo confirmador do “abuso sexual” no menino de 4 anos (filho de Lúcia) se NEGARAM a falar com os diretores do documentário ESCOLA BASE – UM REPÓRTER ENFRENTA O PASSADO.
As duas mães, localizadas, mentiram (por fone ou interfone) que havia engano, “não eram as pessoas procuradas pela equipe”. DELEGADO E PERITA se negaram a dar qualquer declaração (que punição tiveram por seus erros???).
Valmir Salaro pelo menos mostra seu arrependimento e se penitencia (em público) pelos graves erros técnicos de suas reportagens na TV Globo.
Ricardo, filho do casal Cida e Shimada, já falecidos, escreveu livro sobre o assunto ESCOLA BASE. Há outros. E, felizmente, parece que escolas de jornalismo têm motivado seus alunos a estudarem a aberração jornalístico-jurídica produzida por esse caso. Que o façam com seu similar, a Lava-Jato, de memória tão recente.