CineCeará homenageia Ednardo por sua contribuição ao audiovisual brasileiro. O autor de trilhas sonoras e diretor de “CAUIM” foi saudado por texto de Rosemberg Cariry

Ednardo, cantor, compositor, autor de trilhas sonoras, ator bissexto e diretor do filme “Cauim” recebeu, na noite de encerramento da trigésima-segunda edição do CineCeará, o Troféu Eusélio Oliveira por sua contribuição com o audiovisual brasileiro.
O prêmio foi entregue no palco do Cine Teatro São Luiz, na Praça do Ferreira, no centro de Fortaleza, por seu parceiro Rodger de Rogério, um dos integrantes do coletivo musical Pessoal do Ceará, formado por Belchior, Fausto Nilo, Augusto Pontes, Petrúcio Maia, Manassés, Fagner, entre muitos outros.
Ednardo, autor de sucessos como “Pavão Mysteriozo”, tema da novela “Saramandaia” (TV Globo, 1976), “Enquanto Engomo a Calça” e “Artigo 26”, foi saudado pelo cineasta e conterrâneo Rosemberg Cariry, diretor de “Corisco e Dadá”.
Eis o sintético e potente texto de um cearense dedicado ao outro, na íntegra:

“Ednardo perfaz 50 anos de atividade artística. Está firme e forte, criativo e brilhante, após enfrentar intempéries e sobreviver à Covid-19. Uma jangada firme, que teima em flutuar sobre o andar do tempo e do mar revolto de um país em crise.
A notícia de tão rica efeméride nos alegra e ao Ceará inteiro, pois afinal se trata de um dos seus mais ilustres compositores, que se destaca por sua criatividade e amor à terra, “sem ser bairrista e com lúcida emoção”, como tão bem revela a socióloga Mary Pimentel, no livro Terral dos Sonhos.
Vale dizer que Ednardo é, para nós, o que Caetano é para a Bahia – um manifesto de puro afeto e iniciação nos mistérios, belezas e tristezas de suas respectivas culturas.
A nossa geração aprendeu a admirar Ednardo, ouvindo emocionada a sua música: lírica e leve, por vezes crítica e ácida, mas portadora da crônica de uma época, traduzida em utopias e paixões. Com ele, sabemos das ironias do Artigo 26, aprendemos a ver o “farol velho e o novo”, como os olhos do mar, viajamos em pavões misteriosos, nos maracatus encantados de falsos negrumes, somos emigrantes (bois mandingueiros) em carrocerias de caminhões, gritamos liberdade com Bárbara de Alencar e lutamos contra o autoritarismo, entoando canções que se tornaram verdadeiros hinos.
A sua obra revela um intenso processo criativo do compositor, associado ao talento de seus parceiros: Brandão, Petrúcio Maia, Fausto Nilo, Belchior, Augusto Pontes, Fagner, Rodger de Rogério e tantos outros.
Há na música do Ednardo uma renda delicada, um lirismo herdado de além-mar, um rumor de cantigas indígenas, uma dolência afro-brasileira, uma conexão ousada com as contraculturas dos anos 1960-70, que resulta em uma obratoda marcada por grande originalidade e beleza; sem esquecer o seu senso de coletividade, ao agrupar pessoas em torno de ideias generosas.
A Massafeira Livre foi a expressão de um desses momentos marcantes para a cultura e a música cearense, dando voz a dezenas de artistas, de todos os gêneros e de diferentes gerações.
Por tudo isso, Ednardo merece medalhas e homenagens, afetos e aplausos. Nada mais justo do que essa homenagem do Cine Ceará ao compositor, cantor, ator e autor de muitas trilhas para cinema e novelas. Ave Ednardo!

***Ver entrevista de EDNARDO
na Revista de CINEMA, na internet:
http://www.revistadecinema.com.br