PIXINGUINHA, UM HOMEM CARINHOSO NA ABERTURA DO Festival DE Cinema Brasileiro em Paris – Um bilhete emocionado de Sylvie Pierre, para o Almanakito

PARIS — Oi, Rô,
Prometi te contar alguma coisa do 24esimo Festival de cinema brasileiro em Paris.
Um primeiro e-mail se perdeu por sem-jeitice minha, proverbial, com os processos de e-comunicacao.
Então: estreia do Festival, dia 29 de marco de 22. Foi um sucesso total. Sala de 400 pessoas, o Arlequin, bela sala no bairro de Montparnasse, seja tradicionalmente o coração artista de Paris. Cheíssima para ocasião.
O filme da Denise Saraceni (filha do Sergio e nova sobrinha afetiva minha pelo link dela com irmão querido Paulo Cezar…grande Paulo Cezar, e lamentando que o magnifico Natal da Portela seja tao pouco lisonjeado como merece), “Pixinguinha, um homem carinhoso”, comoveu evidentamente o publico.
Minha percepção , de sensibilidade, confesso, mais brasilofila que gringa, entrou neste filme com coração a mil. Ate saí da sala em prantos.
Mas para falar mais serio, o que eu achei admirável neste filme é mesmo que vai muito alem de biopic de artista, que também é.
Vai entao verdadeiramente ao principio da aquariana intimidade da musica popular brasileira, a chamada MPB, que ainda nos chamamos, de Bossa Nova na Europa, seja caretice de intelectuais da cultura que geralmente funcionam com o modismo das “bossas”, e vao de entusiasmo tal para tal outro, esquecendo os processos genéticos (genética é vida, sexo e ventro, influencias identificadas sao apenas academia) que vao ligando na cultura o tudo da inspiracao, inventando passacao viva de artistas profundos através do tempo e ate no espaco, quando tem, para circulacao mundial das obras.
O “Pixinguina” vai nessa direcao. Filme totalmente musical. E sintese de grande musica. Vai do Pixinguinho negro (sem esquecer o requinte espontaneo do Ernesto Nazareth) para Banda de Ipanema ate o Caetano e alem. Ate hoje para comover musicalmente ainda.
Filme de autor? Nao sei e nao interessa. Filme de teimosia produtora. Esforco de mil para produzir. Belissimo trabalho de atores (Seu Jorge imenso, confesso que a gringa foi o descobrindo), de todos e todas (esplendida Beti).
Sutileza maravilhosa da diretora Saraceni que aqui passa com brio da televisao para o cinema. Densidade sensual do ar circulando entre os corpos nas sequencias de musica, dança, e ate assalto de rua se transformando em alegre complicidade birriteira entre assaltado e assaltando.
Minha menção toda especial para coordenacao produtiva do Carlos Moletta que jà quando ajudava e sustentava a producao dos filmes do David Neves sabia que a alma do autor precisava sobretudo era dos membros do equipe e das energias de chafariz que podia jorrar no cinema, luz del fuego, quando se juntavam para atravessar a pedra dos contratempos. Carlos Moletta que no caso assumiu formidavel e teimosa efficia para curatela musical deste filme entre arquivo de gravacoes originais e novos arranjos de mais de 40 musicas compondo a trilha sonora.
Em fim, homenagem muito especial seja rendida à Katia Adler que abria, assumindo a organizacao como sempre, com este belo filme, o 24ème Festival de cinema em Paris, isso quase sem recursos hoje em dia. Ajuda , ainda, por modesta mas bendita grana da Prefeitura de Paris, da Embaixada do Brasil em Paris, alguns amigos mineiros, e sobretudo uma turma genial de apaixonados “benevoles’, bela boa vontade.
Voilà. E nao vamos esquecer agora o que tem de comum entre as bandeiras brasileiras e Ukrainianas: a alma resistente, que nao è pequena como dizia o Pessoa, e o verde/amarelo.
Carinhosamente sim
para que ainda acredita que vale ainda uma grande amizade entre a France e o Brasil.
Alias ano 22 marca aniversario do successo em Paris dos “Batutas”, grupo de musicos bem modernos, belo so ao redor do Pixinguinha . Que veio sacudir no Charleston e no samba os coitados de Franceses cansados da guerra. A mundial…a primeira!
Outra vez temos que convocar com ternura as forças mundiais dos carinhosos.

**********Sylvie Pierre Ulmann, na foto com Rosemberg Cariry, no CineCeará 2017 ou 2018

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