******ADEUS OTELO SARAIVA (1936-2021),
um dos artífices da Revolução dos Cravos. ***Conto, aqui, de forma resumida, uma história que tem a ver com CHICO BUARQUE E OTELO SARAIVA. Em 1988, fui ao Porto, grande cidade portuguesa, cobrir o FITEI (Festival Internacional de Teatro Ibérico). Como faço em todas as cidades que visito comprei todos os jornais existentes. Próximo ao hotel onde estávamos hospedados, havia uma sala com representação do PCP (o partidão lusitano) e uma banquinha com livros e períodicos. Tudo legalizado. Comprei o jornal do PCP. A manchete dizia (reproduzo de memória): CHICO BUARQUE faz show (concerto) no Coliseu do Porto e pretende visitar OTELO SARAIVA na prisão”. O estrategista da Revolução dos Cravos estava detido num quartel militar. Chico Buarque chegou ao Porto e, antes de lotar o Coliseu, deu entrevista coletiva à imprensa, numa aprazível e pequena cidade não muito distante dali. Havia jornalistas portugueses, galegos e eu, única brasileira. As perguntas se referiam ao repertório e até — insistia o repórter galego — a problemas de som no carioca Canecão, onde o cantor-compositor se apresentara. Quando chegou a minha vez, coloquei a política em pauta. Perguntei se CHICO BUARQUE pretendia, mesmo, visitar OTELO SARAIVA na prisão. Ele disse que sim e falou sobre o (encarcerado) líder da Revolução dos Cravos. Qual não foi minha surpresa (e alegria) no dia seguinte, ao ver a manchete do Jornal do Porto (creio que, junto com o Diário de Notícias, de Lisboa, os dois mais importantes jornais do país, no final do século XX) formatada com minha pergunta. Fui ao show — pela minha memória o Teatro Coliseu tinha uns 3 mil lugares, mas posso estar enganada — e CHOREI ao ouvir cada música. Primeiro porque Chico Buarque é um dos esteios da minha memória afetivo-musical, segundo porque a gente fica muito sentimental quando está fora do país natal. E o Brasil, depois de longa ditadura, preparava sua nova Constituição, tarefa de deputados eleitos para tal fim. Escrevi uma capa no Correio Braziliense, veículo no qual trabalhava, sobre aquele show tão especial do criador de TANTO MAR (a nos separar…)

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