****NO CineTVT: DO CASO ALFA AO “SANTO E JESUS: METALÚRGICOS ” + LIVRO DE ADAUTO NOVAES + POLÊMICO LIVRO DE PAULO ARANTES + TVT (BOM PARA TODOS) + CEM MENINOS ESPERANDO UM TREM (CineOP) + SANTOS FILM FESTIVAL (2 x TENDLER)

. O CINEMA E A LUTA DOS TRABALHADORES – Nesse sábado, 26 de junho, o CineTV mostra, na TV dos Trabalhadores, um dos últimos (o nono) programas de mostra composta de 12 títulos. A maior parte deles ligada ao Ciclo Metalúrgico, do ABC Paulista e de São Paulo, Osasco e Guarulhos. O filme dessa semana é “Santo e Jesus: Metalúrgicos”, de Cláudio Kahns e Antônio Paulo Ferraz.

Cláudio Kahns é reconhecido produtor paulistano, foi um dos fundadores da Tatu Filmes (“Marvada Carne”, entre muitos outros títulos) e diretor de documentário como “Eu Eu Eu” (sobre José Lewgoy) e “Mamonas Assassinas”. Antônio Paulo Ferraz é irmão do saudoso ator Buza Ferraz e de Hélio Paulo Ferraz, um dos produtores de “Jango” (entre outros filmes). Ver abaixo texto de Cláudio Kahns sobre a parceria com Antônio Ferraz em “Santo e Jessus: Matelúrgicos”. (…) ****Faltam três filmes para encerrar o ci clo: “Trabalhadores, Presente!”, de João Batista de Andrade, “O Homem Que Virou Suco”, também de Batista, e “Peões”, de Eduardo Coutinho. Este filme, realizado no começo dos anos 2000, entra na Mostra como fecho de ouro e por sugestão de Ismail Xavier. Afinal – entende o professor da USP — em “Peões”, Coutinho dialoga com trabalhadores metalúrgicos, já distantes da labuta diária nas fábricas. Eles relembram a trejetória de um deles, Luiz Inácio Lula da Silva, que depois de dirigir o Sindicato da categoria, no ABC, foi eleito presidente da República. As sessões acontecem na noite de sábado, 21h00. Alguns dos filmes estão disponibilizados no YouTube da TVT. Um deles, o inédito “Esquerda em Transe”, de Renato Tapajós, foi visto por mais de 23 mil pessoas, em dez dias. Já “Braços Cruzados, Máquinas Paradas”, de Roberto Gervitz e Sérgio Toledo Segall, foi visto em dois dias por mais de 3 mil espectadores do YouTube. “Santo e Jesus: Metalúrgicos” será disponibilizado por duas semanas no mesmo YouTube da TV dos Trabalhadores.

Santo e Jesus
POR CLAUDIO KAHNS

Conheci Antonio Paulo quando trabalhei com Silvio Tendler, na produção do filme “Os anos JK”, em que ele também esteve envolvido.
Um dia Antônio me ligou pra contar de um crime ocorrido na Metalúrgica Alfa, no bairro do Brás, em São Paulo. Nelson de Jesus, um operário, tinha sido assassinado por um advogado, sócio da empresa onde ele trabalhava. Perguntou se eu teria interesse em filmar a fábrica e seu entorno relacionado ao crime, com um olhar antropológico. Na hora topei!
Alguns dias depois, fui com Antonio Paulo e Adrian Cooper até lá e começamos a filmar várias locações em volta da fábrica, até termos autorização para filmar no seu interior. Paralelamente, fomos filmando as condições de trabalho, meio medievais, que observamos na fábrica, a região periférica onde Nelson de Jesus morava, seus colegas, as circunstâncias do assassinato, a relação dele com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, as negociações com os sindicatos patronais.
Acompanhamos as discussões entre os metalúrgicos sobre “comissões de fábricas” e as greves que estavam se iniciando, em plena ditadura militar, anteriormente às organizadas por Lula em São Bernardo. Este trabalho mostrava um retrato vivo sobre o mundo do trabalho naquele momento de 1978, numa fábrica do Brás.
Algum tempo depois, entrevistamos o dono da fábrica e o advogado que matou Nelson. E, neste processo de aproximação com os metalúrgicos, encontramos Santo Dias. Logo percebemos que era um sujeito muito articulado, com uma visão política abrangente sobre o que ocorria na fábrica e no sindicato, pois ele fazia parte da oposição à diretoria pelega do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Propusemos ao Santo que ele fosse o narrador do filme, pois queríamos uma voz que representasse os trabalhadores. Filmamos sua entrevista no bairro do e Socorro, perto de Santo Amaro, SP, onde ele morava e atuava.
Mas pouco depois ocorreu um surpreendente imprevisto: escutei por acaso no rádio que um operário tinha sido assassinado durante a greve dos metalúrgicos de SP, em 1979. Fui correndo filmar o local onde seu corpo estava sendo velado, na Igreja da Consolação, e fiquei absolutamente chocado ao ver que o operário assassinado era Santo Dias!
A partir daí mudamos completamente a estrutura do filme e o título original, “O Caso Alfa”, passou a ser “Santo e Jesus, Metalúrgicos”! ******(Cláudio Kahns, 23 de junho de 2020)

*O SILÊNCIO EM TORNO DO LIVRO EDITADO POR ADAUTO NOVAES

Tempos curiosos os que estamos vivendo. O debate intelectual reduziu-se de forma preocupante, pelo menos na imprensa. Lembro-me que, a cada novo lançamento de livros resultantes de seminários organizados por Adauto Novaes, os jornais dedicavam grandes matéria e significativas resenhas sobre cada publicação. O livro deste ano – “Mutações” (Sesc Editora) – parece estar passando em brancas nuvens. Em parte, creio, deve ser por causa de sua editora, ligada ao Sesc. A hegemonia de publicações das ótimas Companhia das Letras e Todavia em nossos jornais, em especial na Folha de S. Paulo, é explícita. O mais grave, para mim, é o pouco espaço dado a temas realmente relevantes….. ‘Games’, séries de TV, moda, culinária e (at é) cuidados do lar, que já eram superdimensionados nos últimos anos, com a pandemia ganharam destaque ainda maior.

* DESCONSTRUÇÃO X “FORMADORES”

O que mais me espanta – mesmo – é o pouco interesse por questão que atravessa o novo livro de Paulo Arantes – “Formação e Desconstrução: Uma Visita ao Museu da Ideologia Francesa” (Duas Cidades/Editora 34). Depois de assistir a quase uma dezena de “lives” que ele, com imensa simpatia e prazer de dialogar com alunos e quem mais queira entrevistá-lo (incluindo movimentos organizados da periferia paulistana) vem jogando nitroglicerina na fogueira.

Arantes, filósofo e professor da USP, de 78 anos, tem defendido com veemência a corrente de estudos literários que vem de Antonio Candido e que ramificou em Roberto Scwarz, Walnice Nogueira Galvão, Davi Arrigucci e nele próprio. E que – no campo do cinema – teve em Paulo Emilio Salles Gomes a fonte. E em Jean-Claude Bernardet (sempre um discípulo rebelde), e Ismail Xavier, nomes de sua linha de frente.

O autor de “Formação e Desconstrução: Uma Visita ao Museu da Ideologia Francesa” dedica seu livro a estudo demolidor do Desconstrutivismo francês (“adotado pela universidades norte-americanas”) e, também, dos caminhos tomados pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, sempre muito críticos à escola embasada na ideia de “Formação” (de Candido, autor do seminal “Formação da Literatura Brasileira”)…. Ainda não li uma resenha que fosse do livro de Arantes.

. CEM CRIANÇAS ESPERANDO UM TREM, de Ignácio Aguero (Chile, 1988 ) – Uma pequena joia entre os 118 filmes programados pela CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.

*** XVI CINEOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. De 23 a 28 de junho, on-line, com acesso gratuito. Com exibição de 118 filmes de longa, média e curta-metragem, “lives” musicais e “lives” reflexivas, oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Programação completa no site http://www.cineop.com.br

. EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA VIRTUAL “Meu Cartão Postal de Ouro Preto” – Esta mostra traz para o ambiente on-line as belezas da cidade barroca mineira ao reunir fotos que traduzem os olhares de seus habitantes sobre aspectos culturais, sociais, patrimoniais e arquitetônicos. O público poderá ver as imagens em galeria digital no site oficial do festival: www.cineop.com.br

***NA REVISTA DE CINEMA:

. “Noites de Alface”, filme de Zeca Ferreira. Com Marieta Severo e Everaldo Pontes.

. Santos Film Festival apresenta, em mostras com mais de 80 filmes, dois longas de Silvio Tendler + filme sobre BADEN POWELL e outro sobre Luiz Inácio Lula da Silva

. Mostra de Cinema de Ouro Preto homenageia o ator Chico Diaz.

*** BOM PARA TODOS (NA TVT):

Nessa sexta-feira, a partir das 15h00, no programa “Bom Para Todos”, Talita Galli conversa com Luiz Zanin Oricchio sobre estreias nos cinemas e no streaming.