**EDERALDO GENTIL (com Batatinha, Nelson Rufino, Riachão e Edil Pacheco) – No final dos anos 1990, nos meses de setembro, durante a Jornada de Cinema da Bahia — organizada pelo saudoso Guido Araújo — íamos sempre ao Restaurante do Moreira, no Largo Dois de Julho, em Salvador. Sempre em grupo liderado por Rudhá de Andrade. O filho de Oswald não trocava os frutos-do-mar (e a caipirinha de caju) do modesto Moreira por nenhum restaurante soteropolitano, por mais estrelado que fosse. Na parede do apertado espaço físico que servia a mais deliciosa das comidas baianas, havia uma foto maravilhosa, protagonizada por cinco ases da música irradiada pela Bahia: Batatinha e os outros quatro haviam sido captados, naquela imagem, no dia em que gravaram, juntos, um comercial. Alguém, decerto o fotógrafo (ou quem sabe Edil Pacheco) doou ótima cópia (emoldurada e envidraçada) do retrato do quinteto ao Moreira. Louca para ter uma reprodução daquela foto, implorei ao dono do restaurante (na verdade, dois irmãos) que me permitisse desmontar o quadro para fazer um xerox-laser daquela imagem. “Isso não vai dar certo”, argumentou o Moreira mais velho. “Vão quebrar o vidro e escangalhar a moldura”. Deu tudo certo. Fiz o xerox-laser, com qualidade aceitável, e sempre que posso relembro essa imagem. E, em especial, EDERALDO GENTIL (1947-2012), autor do belíssimo e misterioso samba O OURO E A MADEIRA. Sonho há anos com um filme que conte a história dos personagens dessa foto, com espaço nobre para EDERALDO, que teve carreira luminosa, mas breve. Quando os Originais do Samba, grupo de Mussum, gravaram “O Ouro e a Madeira”, a música estourou nas paradas de sucesso. Mas álcool e outros aditivos abreviaram a carreira do compositor e cantor baiano, que enfrentou, inclusive, problemas mentais. Morreu, no ostracismo, em Pau Miúdo, em sua Salvador natal. Além dos compactos e elepês (???) gravados nos tempos de sucesso, Ederaldo ganhou um belo disco póstumo. Mas seu OURO E A MADEIRA não ganhou verbete nos livros-dicionário de canções do Zuza & Severiano, nem registro no filme que Susanna Lira dedicou a Mussum… Se Caetano, Bethânia, Gil ou Gal gravasse(m) o maior sucesso de Ederaldo, com certeza, ele seria lembrado. Não???