*FERNANDO
MEIRELLES NO RODA VIVA (TV CULTURA):
Assisti, com interesse, ao Roda Viva com Fernando Meirelles, na última segunda-feira (o próximo será com Drauzio Varella). É óbvio que, tendo escrito o depoimento dele (Meirelles) para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial (“Biografia Prematura”) e acompanhando a carreira (deste paulistano formado em Arquitetura pela USP) desde que ele estreou com seus primeiros curtas (começo dos anos 1990), ia me interessar pelo programa. E havia Zanin, meu companheiro de vida e profissão, na bancada. ***Mesmo assim, gostei de reencontrar o programa, ao qual não assistia há anosss. Me contaram que por lá passou Daniela Lima (que pensei que fosse a grande repórter da Piauí e, depois editora da Época, mas creio que me equivoquei), que fez um ótimo trabalho…. No comando da Roda que rodou com Meirelles no meio estava Vera Magalhães, colunista
do Estadão e, creio 34a. apresentadora do tradicional programa da emissora paulista. Notei que a parte técnica evoluiu muito, houve bons enquadramentos, com Vera de costas e a bancada no plano geral, por exemplo. A luz, na minha opinião, tinha que ser DOURADA, pois a TV digital embranquece as pessoas de forma terrível (e só havia brancos no programa): o entrevistado, os entrevistadores, o desenhista (Paulo Caruso), etc. Já fui assídua espectadora da TV Cultura quando me mudei para SP, em 1995, e meus filhos eram pequenos. Assistíamos, quando eles vinham passar férias comigo (sempre moraram em Brasília), ao Castelo Ra-tim-Bum, ao Bambalalão, etc. E assisti a dezenas de “Roda Viva”. Até participei de três deles, um em 1993 ou 94, com Nelson Pereira dos Santos. E dois, depois (com o lusitano Manoel de Oliveira e com o mexicano Paul Leduc). A emissora, no momento em que os ânimos começaram a se exaltar (até chegar à tragédia que estamos vivendo), passou a ser, digamos, ignorada por muitos no segmento que costumo frequentar. “Poleiro de tucano” tornou-se expressão corrente neste (meu) meio. Deixei de ver a emissora (ela, a Globo, etc, etc — quase não vejo mais TV) nos dois últimos anos, porque os noticiários tornaram-se terríveis, tóxicos. O atual presidente e seus ministros fazem mal à saúde mental de qualquer pessoa que lutou (e luta) pelos direitos humanos, pela justiça social, pela fraternidade… Daí que acompanhar o Roda Viva foi reencontrar o que a TV Cultura tem de melhor: sua programação cultural.**** Faço um parêntese: dia destes, Marcelo Rubens Paiva atuava como moderador de um debate entre Petra Costa e Luiz Felipe Alencastro, no Baixo Augusta. Ele se dirigiu ao público e avisou: “por favor, façam perguntas com um PONTO DE INTERROGAÇÃO NO FINAL. Se quiserem fazer pequenas palestras, usem suas (próprias) redes sociais. Aqui, façam PERGUNTAS sintéticas… (depois, o tempo esquentou e ele foi duro, em excesso, com alguém da plateia, mas aí é outra história)…. Pois bem, no Roda Viva com Meirelles houve perguntas enormes, que pareciam brigar com o PONTO DE INTERROGAÇÃO. Mas no geral, valeu a pena. Zanin me perguntou, brincando, que nota eu daria para o programa como um todo (ele diz que tenho alma de ombudsman). Dei sete. *** E, para finalizar, vejam, se ainda não viram, o programa televisivo do The Hollywood Reporter, em que Meirelles esteve entre os entrevistados, ao lado de Martin Scorsese, Greta Gerwig, Todd Philips e outros realizadores que tiveram seus filmes em ótimas posições nas listas de finalistas ao Globo de Ouro… Fernando Meirelles viveu, em 2019, um ano de ouro. Reencontrou o sucesso com “Dois Papas” (e foi um dos personagens de documentário de Carlos Náder sobre a ópera “Pescadores de Pérolas”, que ele dirigiu em Belém do Pará. Ou Manaus? Me perdi!!!)…. Ele só vira algo igual em 2002, ano do estouro com “Cidade de Deus”. E desta vez, sem ser acusado de praticar a “cosmética da fome” (em contraste com a Estética da Fome glauberiana). Seus papas tornaram-se sinômino de diálogo e tolerância em tempos de ódio…