ÓPERA ABERTA”, DOCUMENTÁRIO DE
CARLOS NADER SOBRE A ÓPERA “OS PESCADORES DE PÉROLA”, DISPUTA HOJE O EMMY INTERNACIONAL

Maria do Rosário Caetano

“Ópera Aberta – Os Pescadores de Pérola”, longa documental dirigido por Carlos Nader, o único cineasta brasileiro a conquistar três prêmios de melhor filme no Festival É Tudo Verdade, disputa, hoje, 25 de novembro, nos EUA, o Emmy internacional.
Para conquistar o Emmy, espécie de “Oscar da TV”, na categoria “melhor programa de arte”, Nader terá que derrotar “Michel Legrand, Sans Demi Mesure”, da França, sobre o grande compositor (autor de trilhas sonoras de dezenas de filmes, entre eles “Os Guarda-Chuvas do Amor”), “John and Yoko”, do Reino Unido, sobre o beatle John Lennon e sua mulher, a artista plástica Yoko Ono, e “Dance or Die”, dos Países Baixos. O representante brasileiro é uma produção da HBO e O2 Filmes.
O nono documentário de Nader tem como ponto de partida a montagem da ópera “Os Pescadores de Pérola”, de Bizet, realizada em Belém do Pará, por Fernando Meirelles, o diretor de “Cidade de Deus” e “Dois Papas”.
Dois anos atrás, Meirelles aceitou um desafio: dirigir, no Teatro da Paz, na capital paraense, montagem operística, gênero que nunca visitara e que desconhecia. O desafio falou mais alto e ele dedicou seis meses de trabalho a “Os Pescadores de Pérola”, criação menos conhecida do francês que imortalizou a cigana “Carmem”, a partir de romance de Prosper Merimée.
O processo de criação da mais nova montagem brasileira de “Os Pescadores de Pérola” foi registrado em suporte digital por equipe paraense. Cada ensaio, fosse dos cantores líricos ou coreógrafos, cada detalhe do cenário ou da iluminação, tudo, enfim. Nader conta que chegou para filmar a ópera pronta.
Quando a HBO e O2 resolveram produzir um documentário sobre “Os Pecadores de Pérola”, o cineasta concebeu seu projeto estético. Iniciou a condensação das imagens da ópera de Bizet e — o que dá originalidade ao documentário — empreendeu intrigante (e estimulante) diálogo com “Iracema, Uma Transa Amazônica”, filme de Jorge Bodanzky e Orlando Senna (1975).
E por que, ao longo dos 114 minutos de seu documentário, Nader recorre ao filme “Iracema”? Porque Fernando Meirelles, que se preparara para ser arquiteto, abandonou a profissão (formou-se na FAU-USP), depois de assistir ao longa de Bodanzky & Senna. Ficou tão fascinado pelo poderoso diálogo entre a ficção e o documentário, protagonizado por Edna de Cássia, a Iracema, e Paulo Cezar Pereio, o caminhoneiro Tião Brasil Grande, que resolveu largar tudo e dedicar-se ao audiovisual.
Nader explica seu processo de trabalho: “utilizei trechos das filmagens da equipe do Teatro da Paz, que fez importante trabalho, mas em registro televisivo, para reproduzir a encenação de Fernando Meirelles, seguindo o libreto de maneira condensada, ao mesmo tempo em que nos debruçávamos também sobre o libreto da vida. E o fizemos em várias instâncias”. Destas somas resultou “um filme complexo, com quase duas horas de duração, feito de cenas que vão desde o making of até as imagens míticas do ‘Iracema‘”. O que pode ser visto no Canal Max (ou na HBO Go) é “um ensaio sobre a ópera ‘Os Pescadores de Pérola’ e suas muitas circunstâncias”.
Embora a O2 seja produtora de “Ópera Aberta”, em parceria com a HBO, o filme nada tem de chapa branca. Meirelles é o principal entrevistado, mas muitas vozes se somam ao longo desta narrativa que vai nos envolvendo aos poucos. Até nós cativar por inteiro.
Ouvimos desde um dos principais solistas, incomodado por reviravolta no processo de criação do espetáculo, até crítica de jornalista especializado, que questiona o “milionário convite” ao badalado diretor de “Cidade de Deus”. O cineasta garante que recebeu menos de R$30mil por seis meses de trabalho. E faz as contas, garantindo que teve pagamento mensal, descontados os impostos, de menos de R$3 mil por mês.
Além de “Ópera Aberta – Os Pecadores de Pérola”, o Brasil disputa o Emy Internacional, em sua edição de número 47, em mais oito categorias: Marjorie Estiano, como melhor atriz de série, por “Sob Pressão”(Conspiração Filmes), “Especial Porta dos Fundos”, como melhor comédia, “A Primeira Pedra”, documentário social de grande impacto, dirigido por Vladimir Seixas (Canal Futura em parceria com a produtora Couro de Rato), “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, escrito por Ricardo Linhares para a TV Globo (melhor telefilme ou minissérie), “Contra Todos”, de Breno Silveira, como melhor série dramática (Conspiração), “Magnífica 70″, direção de Cláudio Torres, melhor programa de horário nobre falado em língua não-inglesa (HBO e Conspiração) e “Hack the City”, melhor minissérie