FEST BRASILIA 2019 (ANO 52) — O TRAIDOR…

FEST BRASILIA 2019 (ANO 52) — Durante a projeção de O TRAIDOR, novo filme de Marco Bellocchio, co-produção italo-brasileira (com apoio de França e Alemanha) surgiu brincadeira que foi parar no debate do filme, convidado da noite inaugural do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: BUSKETA É O CARALHO, MEU NOME É BUSCETTA.
Na narrativa, um brasileiro chama Buscetta de BUSKETA. O siciliano corrige: É BUSCETTA (com eufonia similar, claro, ao nome do órgão sexual feminino). A TV e rádio brasileiros criaram o registro BUSKETA, nos anos 1970 (e depois na década de 80), períodos em que o mafioso palermitano viveu no Brasil (no filme, no Rio de Janeiro, na vida real, em São Paulo, Florianópolis e em uma fazenda em MG).
Parecia constrangedor para locutores e repórteres de rádios e TVs pronunciar nome que soasse tão familiar (e incômodo) aos ouvidos brasileiros. O cineasta André Ristum, que atuou como produtor-delgado de O TRAIDOR, contou a Bellocchio o imbroglio linguístico relativo ao sobrenome de Tomasso. O diretor custou entender. Quando entendeu, sorriu e avisou que tal informação seria incorporada à narrativa. E foi. Agora, para divulgar o filme, sugeriu-se aos produtores brasileiros a criação de meme no qual o próprio Tomasso Buscetta, interpretado pelo ator Pierfranco Favino, diga — à moda de Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora), em “Cidade de Deus”: “Busketa é o caralho, meu nome é Busceta”.
A equipe brasileira do filme divertiu-se com a sugestão e vai pensar no assunto. De certo, ficou registrado: eles farão duas micro-modificações na cópia que chegará ao circuito comercial brasileiro. Primeiro ralentarão o tempo de exibição de cartela informativa que abre o filme (ela está muito acelerada, dificultando a leitura), e legendarão as falas, em português, de Pierfrancesco Favino, pois elas não foram entendidas pelo público lusofalante.
O lançamento de O TRAIDOR, que tem no elenco, além de Maria Fernanda Cândido, os brasileiros Jonas Bloch, Luciano Quirino e Rainer Cadete, está agendado para março (ou abril) de 2020. Distribuição da Pandora/Tucuman. Antes disto, o filme, que fez 900 mil espectadores na Itália (maior bilheteria da carreira de Bellocchio), está concorrendo ao Prêmio Europeu de Cinema, e faz campanha por vaga no Globo de Ouro e Oscar.
Depois de Cannes, onde disputou a Palma de Ouro, “O Traidor” recebeu ótimas críticas na Europa e foi vendido para mais de 100 países. O fato de figurar entre os seis finalistas ao “oscar” europeu mostra o impacto do filme. Ela vai disputar a láurea da Academia Europeia de Cinema com o espanhol “Dor Glória”, de Pedro Almodóvar, com “J’Accuse”, do franco-polonês Roman Polanski, com o alemão “System Crasher”, de Nora Fingscheiddt, o inglês “A Favorita”, de Yorgos Lanthimos, e o francês “Les Miserables”, de Ladj Ly.