“REVELANDO OS BRASIS”: BEATRIZ LINDBERG FALA DO PROJETO E DOS DIRETORES DE “GILDA BRASILEIRO”

“GILDA BRASILEIRO,
CONTRA O ESQUECIMENTO”

FILME REPRESENTA O BRASIL NO FESTIVAL
PAN-AFRICANO DE LOS ANGELES/EUA,
que começa nesta quinta-feira, dia 7 de fevereiro.

Neste festival haverá sessão especial de “Besouro”, ficção sobre o capoeirista baiano, premiado no PAN AFRICANO, anos atrás. Como o diretor João Daniel Tikhomirof não estava presente ao festival (2009 ou 2010), ele irá, agora, acompanhar a re-exibição do filme. Comenta-se que integrantes da equipe de “Pantera Negra”, que concorre ao Oscar de melhor filme, teriam assistido ao longa brasileiro no referido festival.

*****REVELANDO OS BRASIS
está na origem de “Gilda Brasileiro, Contra o Esquecimento”
Longa documental de Roberto Manhães Reis & Viola Scheuerer
Matéria sobre este filme na Revita de Cinema/Uol

*Perguntei a Beatriz Lindberg,
coordenadora do projeto
REVELANDO AO BRASIS:

. Em que edição está o “Revelando os Brasis”, quantos filmes já foram feitos?
. Há, na história do projeto, casos semelhantes a este de GILDA BRASILEIRO, em que
um curta do “Revelando os Brasis” ganhou desdobramentos ou repercussão singular?

Eis o depoimento dela:
“Roberto Manhães Reis e Viola Scheurerer são um casal amigo de longa data. Eles sempre gostaram do Revelando os Brasis e apresentaram a proposta de realizar um filme sobre o projeto, registrando os processos desde a seleção das histórias ao lançamento e distribuição dos curtas. Ao participarem das oficinas preparatórias, selecionaram dois casos para acompanhamento. Um deles foi a Gilda Brasileiro, com o curta “Rota Dória”. Sua impressionante história acabou deslocando a proposta original para a ideia mais robusta de mergulhar na vida-pesquisa da personagem.
Roberto é paulistano e mora em Berlim desde adolescente. Estudou na Universidade de Cinema em Potsdam-Babelsberg, em Berlim. Viola é suíça, estudou antropologia, história e letras na universidade de Basel, na Suíça. Seu foco sempre foi a antropologia visual. Eles moram em Berlim. As imagens de making of foram filmadas durante a realização do “Rota Doria”, no período do Revelando os Brasis.

Finalizamos em outubro de 2018 a sexta edição do projeto. São 195 curtas realizados por moradores dos quase 4 mil municípios com até 20 mil habitantes.
Os desdobramentos do Revelando os Brasis vão em muitas direções: participantes que entraram para o mercado audiovisual. São alguns exemplos o André da Costa Pinto, de Barra de São Miguel/Paraíba (“Encomenda do Bicho Medonho”), a Ana Johann, de Cruz Machado/Paraná (“De Tempos em Tempos”), o Eduardo Morotó, de Frei Miguelinho, Pernambuco (“Agreste Adentro”), o Arthur Leite, de Quixeré/Ceará (“Mato Alto – Pedra por Pedra”). Todos seguiram estudando cinema, têm seus projetos próprios nas áreas de formação, produção e circulam bastante por festivais e mostras de cinema com seus curtas e longas, muitos deles premiados.

Há também diversos casos de filmes impulsionaram transformações nas cidades. Citando alguns: “Brilhantino”, de Ériton Berçaco, Muqui/ES. Seu Brilhantino era o velho do saco para as crianças de Muqui. O filme revelou um ermitão divertido, autêntico, de alma larga e muito amor pela vida. Transformou-se em uma atração da cidade (faleceu no último sábado).
“Ibiri: Tua Boca Fala por Nós”, de Nilma Accioli, de Iguaba Grande/RJ, resultou na posse definitiva da terra (por usucapião) de onde 6 irmãs, entre 75 e 85 anos, seriam expulsas por posseiros, num longo processo de intimidação e violência.
“Pescador de Memórias”, de Eliabe Crispin, de Icapuí/CE. Neste caso, o pescador arqueólogo, morador da praia da Ponta Grossa, conseguiu da prefeitura a construção de um museu para reunir as mais de 4.500 peças recolhidas nas dunas, ao longo de trinta anos.
“Dom de Deus”, de Regina Pegoraro, de Rio Azul/PR. O filme foi importante para o tombamento de uma igreja linda na área rural, inteiramente adornada durante dois anos por um morador local, e que estava prestes a ser demolida.
Há muitos outros casos de transformações de pessoas, lugares e conquistas relevantes. Se quiser mais informações, fotos ou dados novos, é só nos contatar. O projeto está bem documentado e terei o maior prazer em te enviar.

Beijão! Bia