FRODON & ROMA: UM CAVALO DE TROIA??? + OS DEZ MAIS DA CAHIERS + PAULO FREIRE NO ARQUIVO N +

+ “ROMA”, UM “CAVALO DE TROIA” NA CIDADELA DO CIRCUITO EXIBIDOR????

Por Maria do Rosário Caetano

Luiz Zanin chamou minha atenção: O grande crítico francês Jean-Michel Frodon definiu “Roma”, o filme mais comentado – e premiado – da temporada como um “cavalo de Troia” que chega para desestruturar de vez o circuito de salas de exibição de cinema, tal qual o conhecemos há mais de um século.

O cavalo de Troia, sabemos todos, foi um presente dos gregos para seus oponentes (os troianos).

Troia, cujas ruínas encontram-se em solo turco, pensava ter vencido a guerra e recebeu o “presente de grego” (real ou invenção lendária?) como símbolo de seu triunfo. Só que no interior do imenso cavalo de madeira estavam soldados da Grécia, que dominaram os sentinelas, estratégia que permitiu a entrada do exército inimigo na cidade fortificada. E os gregos triunfaram.

O que é “Roma” para o circuito exibidor? Um belo (e polêmico) filme recusado em Cannes, cidadela francesa fortificada contra a invasão do streaming, mas aceito em Veneza, de onde saiu consagrado com o Leão de Ouro. O prêmio máximo do Festival italiano. Dali em diante o filme de Alfonso Cuarón só vem acumulando reconhecimentos internacionais. Além de fortuna crítica invejável, o filme ganhou dois prêmios de primeira linha no Globo de Ouro: melhor diretor e melhor filme estrangeiro. Poderia ter ganho o troféu de melhor filme, se as regras da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood aceitassem/permitissem produção falada em outro idioma que não o inglês (“Roma” é falado em espanhol, com alguns diálogos em mizteca).

Na disputa que se seguiu ao Globo de Ouro – o Critics Choice Awards – a vitória de “Roma” e de Cuarón foram avassaladoras. Quatro troféus e todos de peso: melhor filme, melhor diretor, melhor fotografia (do próprio Cuarón) e melhor filme estrangeiro. Nenhum título vem causando sensação similar à do filme mexicano. Incluindo, claro, os outros nove que formam (com “Roma”) a lista do PGA (Sindicato dos Produtores) de prováveis indicados (dia 22 próximo) ao Oscar de melhor filme – “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee, “A Favorita”, de Yorgos Lanthimos, “Vice”, de Adam McKay, “Green Book, o Guia”, de Peter Farelly, “Um Lugar Silencioso”, de John Krasinski,“Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer, “Nasce uma Estrela”, de Bradley Cooper, e “Podres de Ricos”, de John M. Chu.

Há quem veja entraves para “Roma” na disputa ao Oscar principal, por tratar-se de um filme do streaming, leia-se Netflix. Portanto, um filme da nova tecnologia que chega para confinar o circuito exibidor em dimensões bem mais modestas. Esta é uma verdade parcial. “Roma” é uma produção da Participant Media, em parceria com a Esperanto Filmoj (esta, do próprio Cuarón), com distribuição planetária da Netflix.

E o que é Participant Media? Uma das mais influentes produtoras norte-americanas, pelo menos junto ao Oscar. Criada há pouco mais de dez anos (em 2004, por Jeffrey Skoll) para produzir filmes que “somem entretenimento e estimulem a mudança social”, ela tem história de seguidos triunfos nas noites do Oscar. A soma dos prêmios ganhos por filmes como “Spotligth”, de Tom McCarthy, “Lincoln” e “The Post”, ambos de Spielberg, não são nada desprezíveis. E os filmes da cartela desta produtora fazem também sucesso comercial. Basta lembrar “Extraordinário”, sobre uma criança que tinha uma deformação no rosto (coberta por capacete de astronauta) e Júlia Robert como mãe. Este filme vendeu, só no Brasil, mais de 5 milhões de ingressos.

Dito isto, volta-se à poderosa definição de Frodón: “Roma” é um cavalo de troia… Um filme que vem impressionando espectadores exigentes, incluindo cineastas. Sobre ele, comentou (no Almanakito) Fernando “Cidade de Deus” Meirelles:

Roma é uma declaração de amor não só a duas mulheres (Cleo e Sofia), mas às mulheres em geral. O cara revolucionou o som usando a mixagem do sistema Atmos como nunca antes. A mise en scene é impressionante, a elegância como ele resolve cada cena… Acho que este é o melhor filme que vi em décadas”.

Será que “Roma” é mesmo o cavalo de Troia que os gregos (as empresas de streaming) introduziram na cidade fortificada (o circuito exibidor)? Esta resposta nos chegará em breve. Tudo indica que além de grande crítico, Jean Michel Frodon é um bom profeta.

+ “PAULO FREIRE”, no ARQUIVO N, HOJE, NA MADRUGADA GLOBONEWS, Meia-noite e meia. Não percam. E aproveitem para ler “Comunicação e Cultura: As Ideias de Paulo Freire”, de Venício Artur de Lima, sociólogo e professor da UnB. As ideias do pedagogo da libertação vistas (por Venício) nos campos da comunicação e da cultura.

. FILMES RUSSO (LETO)

LETO (Verão – Rússia, 2018) – Dia destes, conversando com Jean-Thomas Bernardiní no belo hall da Reserva Cultural (com cheiro de café e croissant) ele falava da dificuldade de viver só da exibição de filmes de empenho artístico e cultural. E dava um exemplo: na França, o russo “Leto” (Verão) causou furor. Ocupou páginas e páginas de críticas e reportagens, ocupou espaço social imenso. No Brasil, ganhou boas críticas (em espaços modestos) e ficou restrito a um micro-circuito de ideias. Fez uns dois mil espectadores. Ou seja, quase nada.

+ UM TESTEMUNHO SINCERO:

Fui ao Cinemark Praiamar, em Santos, assistir ao “Aranhaverso”. Li tantas críticas positivas, a maioria apontando um filme inovador (no campo da animação), vi o título cotado com 5 estrelas na Folha, e houve o triunfo no Globo de Ouro e no Critics Choice Awards, etc, etc. Então…fui. Esperando, claro, muitooo. No ítem inovação, achei pouco. Frases na tela, como se fossem balõezinhos de Hqs, não me pareceram tão inovador, assim!! Gostei do menino black como um dos Aranha, o principal (em contraste com o branquelo que, depois de picado pelo aracnídeo radioativo, só teve os cabelos louros substituídos por cabelos pretos. Mas só…). Gostei do Aranha noir (de genre noir, não de Jean Renoir, para lembrar Truffaut!)… Ah, gostei da roupa do jovem Aranha black (embora integre o time dos que não suportam super-herói de capa e calção fora da calça!!)… Mas custei a aguentar o filme. Uma questão: havia assunto para que durasse 1h57′ (117 minutos??) Para mim não. Foi uma tortura. Custei a aguentar! 80, no máximo 90, minutos bastavam. Tenho que admitir: não aguento aquelas sequências intermináveis de lutas/brigas… É coisa de menino grande, não??? Até tento, mas não tem jeito…..

  • CADÊ OS COMPRADORES DE:
  • . “Pássaros de Verão”, filme colombiano que está bombando (da mesma equipe de O Abraço da Serpente)??????
  • . Do novo filme de Denis Arcand

    (A Queda do IMPERIO AMERICANO)??

    + PREMIOS QUE SE

  • SOMAM AO OSCAR:

    Já descobri as datas do Cesar francês, do Donatello italiano (vi que “Dogmam” e “Lazzaro Felice” estão no páreo). Agora vou procurar as datas do Goya espanhol, do Ariel mexicano, do Otelo brasileiro, etc, etc, etc… Ubiratan Brasil montou, no Estadão digital, um espaço para os prêmios da temporada. Vou conferir.

  • + LISTA DOS DEZ MELHORES

    FILMES DA CAHIERS DU CINÉMA

    (ANO BASE 2018):

  1. Les Garçons Sauvages, de Bertrand Mandico (FR) – não conheço. Passou na Mostra SP?
  2. Coincoin e os Extra-Humanos, de Bruno Dumont (França) – Vi na Mostra SP
  3. Trama Fantasma, P.T. Anderson (EUA) – vi
  4. Em Chamas, Lee Chang-dong (Coreia do Sul) – vi
  5. Paul Sanchez Est Revenue, de Patricia Mazuy (FR). Não conheço….
  6. The Post, Steven Spielberg (EUA) – vi
  7. Na Praia à Noite Sozinha, de Hong Sang-soo (Coreia do Sul) – vi
  8. A Casa Que Jack Construiu, Lars Von Trier (Dinamarca) – Vi e odiei (e olhe que sou grande admiradora da obra de Von Trier)
  9. Leto, de Kiril Serebrennikov (Rússia) – Vi
  10. L’Île au Trésor, de Guillaume Brac (Documentário) – (FR) – Não conheço