+ OSCARITO NO “MOMENTO GOSTOSO”, EM FESTIVAL POTIGUAR + ”MUSEU” NO MUSEU LASAR SEGALL
+ SOBRE BILHETERIAS BRASILEIRAS NO ANO
DE 23018 — O CASO “O GRANDE CIRCO MÍSTICO” + ULTIMA CHANCE PARA VERMOS ESPECIAL FEST HAVANA NO “CINEJORNAL” DO CANAL BRASIL + FILME DO GRUPO CHASKI, DO PERU, NO CONESUR, ESPAÇO IMPORTANTÍSSIMO QUE O CANAL BRASIL DEDICA AO CINEMA DA AMERICA DO SUL
+ LI NA COLUNA DO LAURO JARDIM, EM O GLOBO, QUE GUEL ARRAES VOLTARÁ AO CINEMA COM RECRIAÇÃO DE “GRANDE SERTÃO: VEREDAS”, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA, TRAZIDA AOS NOSSOS DIAS E AMBIENTADA NUMA FAVELA CARIOCA. ROTEIRO DE JORGE FURTADO E PRODUÇÃO DE MANOEL RANGEL.

* AS BILHETERIAS DE “O GRANDE

CIRCO MÍSTICO” – ANO
DE BILHETERIAS TERRÍVEIS
+ MUITOS FRACASSOS

Para encerrar a discussão sobre as bilheterias de “Grande Circo Místico”, registro aqui que meu último sábado (30-12-18) não foi dos mais calmos. Primeiro, recebi e-mail irado do distribuidor Bruno Wainer, da Downtown, que terminou — depois de argumentação dura (e escrita, creio, no calor da hora, com a raiva como (des)tempero) — dizendo que não quer mais conversa comigo, nem receber o Almanakito. Fui reler o que tinha escrito sobre ele e não vi motivo para gestos/posturas tão definitivos. Mas ele sabe o que faz e tem todo direito de fazê-lo.
Depois, chegou um e-mail de Cacá Diegues, composto de duas partes. Na primeira, ele argumenta que divulguei, sem autorização dele, correspondência privada (dele com Marcos Manhães, coordenador da Lista CinemaBrasil). Como recebi o material com identificação dos dados da referida Lista, entendi que o material estava publicado lá.
E como eu era citada/acusada muitas vezes, achei por bem dar minha visão sobre o que ali, naquele texto imenso, me dizia respeito.

Na segunda parte do texto, Cacá Diegues (ver abaixo) sequencia sua defesa do filme “Circo Místico”, retoma o que para ele tornou-se uma espécie de ato de fé — eu alimento imenso “ódio” por ele. E desta vez o ódio veio até adjetivado (“ódio selvagem”).
E mais: não consigo disfarçar “um fascismo cultural”. Um fascismo “que você não consegue esconder, apesar do discurso aparente de um suposto esquerdismo”.
Depois das considerações finais de Cacá Diegues, faço as minhas, para encerrar — mesmo — este assunto, que está, da parte do cineasta, adjetivado demais. Eu tentei trabalhar mais com substantivos e dados. Não chamei ninguém de direitista ou coisa assemelhada…Mas parece não ter adiantado.

ESCREVE CACÁ DIEGUES: “O grande circo místico” é uma coprodução entre Brasil, Portugal e França, foi filmado em Lisboa, com um elenco internacional de muito prestígio. Seu custo de pouco mais de 3 milhões de euros é praticamente um BO na Europa. Não dá para comparar com os custos do Brasil, como você faz. Um puro amadorismo jornalístico.

O filme estreou esse ano na seleção oficial de Cannes e já foi lançado comercialmente na França e na Rússia, antes do Brasil. No primeiro semestre do próximo ano, deve estrear em Portugal, nos Estados Unidos, no Canadá e na China, além de outros territórios. Seu representante internacional é a Latido Filmes, de Antonio Saura, filho do grande cineasta espanhol.

De todo modo, você se distraiu e acabou publicando também, no mesmo Almanakito, o ranking de renda de filmes nacionais recentes. Como eu havia dito, “O grande circo místico” é a segunda bilheteria entre eles, perde apenas para uma comédia infanto-juvenil. Por que você não falou mal também dos outros filmes abaixo do “Circo…” no ranking de rendas? Por que só eu e meu filme?

Seu ódio selvagem a mim, Rosário, disfarça um fascismo cultural que você não consegue esconder, apesar do discurso aparente de um suposto esquerdismo.

Pra mim, chega. cacá ”

***MINHAS PONDERAÇÕES:

Faz parte de nosso “jeito (brasileiro) de ser” não não aceitar nada que não seja elogio. Por isto pessoas como Jean-Claude Bernardet (e mesmo Eduardo Escorel) se mostram tão raras em nosso ambiente cinematográfico. Uma palavra destroi um relacionamento profissional de anos. Fui reler o textinho (umas 5 linhas) que causou a ira externada por Bruno Wainer e nele não encontrei razão para resposta tão vulcânica. Pensei que, com seu histórico familiar (o pai dele, o jornalista Samuel Wainer, enfrentou paradas duras!!!) e já passado dos 50 anos, Bruno, longe dos destemperos da juventude, fosse mais aberto à controvérsia. Feito este registro, volto — para encerrar — às questões levantadas acima por Cacá Diegues.
Confesso-me surpresa com as adjetivações usadas pelo cineasta. Se sou uma pessoa tão desqualificada, por que ele perde tanto tempo comigo? Ele é um homem poderoso: escreve em O Globo, é um dos comandantes da GloboFilmes, integra a vetusta ABL e, também, a Academia Brasileira de Cinema, entrega o prêmio principal do Festival do Rio, etc, etc… Eu sou apenas uma jornalista cultural que colabora com a Revista de Cinema e mantém um Almanakito digital (dirigido, amadoristicamente, apenas a amigos e profissionais do cinema-festivais-parte pequena da imprensa, etc).
Mas o que me causa, mesmo, surpresa é a insistência de Cacá Diegues em negar o fracasso de bilheteria de “Circo Místico”. Como um filme que custou 3 milhões de euros (ou 12 milhões de reais), foi lançado em 120 salas, etc, etc, faz menos público que o documentário “O Processo” ou o uruguaio “Uma Noite de 12 Anos”?
Antes de seguir minha argumentação (fugindo dos adjetivos e da desqualificação pessoal), republico a tabela de bilheterias da semana, que Diegues usa para argumentar (em sentido positivo) que seu filme é “a segunda bilheteria” da microtemporada:

. PRE-ESTREIA:
. Minha Vida em Marte…………………………………74.474

. ESTREIAS:
. DPA – O Mistério Italiano……………………566.001 (561 salas/média de 311 espect.)
. Diamantino………………………………………………1.050 (Portugal-Brasil)

. CONTINUAÇÕES:
. Tudo por Um PopStar………………………..1.190.754
. Grande Circo Místico……………………………..50.869
. Chacrinha, o Velho Guerreiro………………..36.059
. Todas as Canções de Amor……………………..25.570
. Sequestro Relâmpago……………………………..13.822
. Segredo de Davi………………………………………..9.201
. Meu Tricolor de Aço………………………………….8.887
. Rasga Coração……………………………………………7.344
. Tinta Bruta…………………………………………………6.199
. Beijo no Asfalto…………………………………………5.187
. Intimidade entre Estranhos……………………….4.033
. Henfil…………………………………………………………1.791

Volto às minhas considerações. A comédia juvenil “Tudo por um PopStar” tem mais de um milhão de espectadores. Depois dela, em segundo lugar, vem “Grande Circo Místico”, uma superprodução internacional, que tem o Brasil como base, com pouco mais de 50 mil ingressos (portanto, 1.140.000 tíquetes separam o primeiro do segundo tabelado). Abaixo deste, uma série ASSEMELHADA (ou não) de fracassos comerciais: “Chacrinha”, de Andrucha Waddington, um filme construído para dialogar com o público, “Rasga Coração”, de Jorge Furtado, etc, etc, etc.
Na matéria que escrevi — há muitas semanas atrás — para a Revista de Cinema/Uol (“Bilheterias Brasileiras Vivem Momento Desesperador”), disponível na capa digital da publicação, falo dos sucessivos fracassos de público de nossas produções e tento entender porque a temporada anual se apresentava tão ruim. Vou sequenciar o assunto em breve, na Revista de Cinema/Uol, com balanço do ano.
Na terrível tabela que se apresentará (no balanço anual definitivo) veremos que 2018 é um ano a ser esquecido. Nesta tabela (terrível, repito), a classificação de “Circo Místico” será não a segunda (claro!), mas distante daqueles “melhor posicionados” (e muitos deles, fracassos, se levarmos em conta o número de salas que ocuparam — caso de “Candidato 2”, “Crô em Família”, “Não se Aceitam Devoluções”, “Doutrinador”, “Exterminador do Além”, “Mulheres Alteradas”, etc).
Destaco — ainda sem completar o levantamento de dados — dois desempenhos que podem ser considerados bons, pelo tamanho do projeto e pelo circuito ocupado: a instigante comédia “Uma Quase Dupla”, de Pedro Amorim, que fez 600 mil espectadores, e o documentário “O Processo”, de Guta Ramos, que vendeu mais de 70 mil ingressos. Este, um documentário (gênero historicamente de plateias menores) de mais de duas horas, sobre o impeachment de uma presidente. Vendeu mais ingressos que “Circo Místico”, com elenco estelar, de 4 países (Brasil, França, Polônia, Espanha: ver matéria que escrevi para a Revista de Cinema/Uol, sobre debate do filme de Cacá Diegues, em Gramado).
Se Diegues me acusa (acusou até a Revista de Cinema) de persegui-lo, de só dar destaque ao fracasso de bilheteria de “Grande Circo Místico”, ele não leu a matéria sobre as “Bilheterias Desesperadoras”. Por que, quer saber ele, não falo dos fracasso dos outros filmes (os que estão abaixo dele na tabela)?? Sobre o fracasso de “Chacrinha” já falei. E nem por isto Andrucha Waddington (que deve estar tão perplexo com o resultado do filme nas bilheterias quanto eu) — ou Jorge Furtado — me acusou de alimentar o que escrevo pelo ODIO, não me chamou de praticante de “fascismo cultural”, nem de esconder-me atrás de um “suposto esquerdismo”. Nem colocou nota “contorcionista” na poderosa coluna de Ancelmo Gois dizendo que o filme dele fazia tanto sucesso, que ampliaria o circuito. Quando, quem lê o FILME B sabe que o aumento de circuito de “Grande Circo Místico” não se deu por causa de sucesso, mas sim por acerto (decerto prévio) com exibidores. Afinal, o filme estreara, num FERIADÃO imenso (Proclamação da República), e fizera média sofrível (apenas 180 ingressos/sala). Circuito de 96 telas. Chegou a 116 telas, mas a média caiu para 28 espectadores/sala. Andrucha, nem Jorge Furtado, usou o argumento — neste caso, dado como subsídio ao colunista Ascânio Seleme — de que “Aquaman” ocupava mais de mil salas e prejudicava “Circo Místico”.
A avassaladora presença do cinema blockbuster made in USA prejudica o cinema brasileiro como um TODO. País avassalado, sem projeto nacional, se submete — é a SERVIDÃO VOLUNTÁRIA — a tais regras porque seus dirigentes assim o querem (os que não queriam viver como vassalos não tinham apoio parlemantar para alterar tal regra: permitir que um só filme ocupe, sozinho, mais de um terço do circuito exibidor). Vieram temerários Leitões e Castros para entregar o CONSELHO SUPERIOR DE CINEMA, a Ancine e outras instituições cinematográficas aos interesses do cinema hegemônico. Quem protestou? A Abraci, a Apaci (numa nota que não teve repercussão na mídia) e uma mulher valente, Vera Zaverucha. Onde estão os outros históricos e grandes!!!! DEFENSORES do cinema brasileiro?
Para finalizar, faço uma ponderação: dificilmente filme que não dá certo em seu país de origem estoura em mercados internacionais. Até filmes que dão certo aqui, costumam ir mal no ultra-competitivo mercado internacional. Caso até de DOIS dos maiores fenômenos do cinema brasileiro contemporâneo – CIDADE DE DEUS e TROPA DE ELITE. Fernando Meirelles nunca escondeu sua decepção com o mercado externo. Seu CIDADE DE DEUS, que causou furor em Cannes, concorreu a quatro estatuetas (Oscar) e vendeu 3,2 milhões de ingressos no Brasil só foi bem, mas bem mesmo, na Inglaterra. Foi mal nos EUA, na Argentina e em outros mercados.
Paro por aqui, pois vou rever o azteca, com personagem-protagonista mizteca, ROMA, agora na telinha (tive a alegria de ver o filme na Mostra SP na magnífica TELONA do CineSesc). A repercussão dele vem sendo tão grande, que quero agora
revê-lo com calma, fora da pantagruélica maratona da amada MOSTRA SP.
Um abraço, rô caetano