*** INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS – Gostei do novo filme de José Alvarenga Jr (na foto abaixo com a atriz Rafaela Mindelli e o jovem Gabriel Contente, num programa de rádio) da primeira vez que o vi, numa pauleira louca, em Jampa, na Paraíba, durante o FEST ARUANDA (a maratona de filmes e debates era massacrante, avassaladora). O assisti em vímeo, pois ia entrevistar o cineasta para a Revista de Cinema/Uol. Quando o filme estreou, ele ganhou 4 estrelas do Estadão, três na Folha e bonequinho dormindo em O Globo. Meu amigo Carlos Alberto Mattos, um dos críticos que mais respeito e com quem mais dialogo (fora Luiz Fernando Zanin Oricchio, claro!!), não gostou nada de INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS. Nossa segunda grande divergência este ano, pois ele não gostou de MUSEU, do mexicano Alonso “GÜEROS” Ruizpalácios, que eu amei (e segue em cartaz em Sampa, creio, no Lasar Segall). Amei o filme AZTECA alucinadamente. A ponto dele figurar na minha lista pessoal, junto com VISAGES, VILLAGES, de Vardá, como os dois filmes que mais me fascinaram este ano. Em respeito a MATTOS e à nossa troca de e-mails, achei melhor rever o filme do ALVARENGA, com calma e atenção redobradas. Quem sabe o meu GOSTAR fora condicionado pela pauleira aruandiana? Ou pela conversa agradável de Alvarenga, pessoa de uma simpatia contagiante?? Pois fui ver o filme, com a cabeça descansada e atenção redobrada. Continuei gostando. INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS é um bom filme, feito quase inteiro dentro de um prédio (ou no terraço) e numa piscina destas feitas de lona especial. Bem simples. O elenco rende bem. O jovem Gabriel Contente é um achado, Rafaela Mindelli é uma linda e sedutora “balzaca”, e Milhem Cortaz parece (sempre) um pouquinho over, mas neste filme, num papel de pegador sensível e alcoólatra, ele está mais contido. O filme dura uma hora e 50 minutos e desenvolve sua trama com piadas sutis (nunca apelativas!!!) engendradas por MATHEUS SOUZA (aquele maluquinho que conhecemos como discípulo assumido de Domingos Oliveira) e pelo próprio ALVARENGA. As piadas de futebol são ótimas e estão muito bem colocadas na trama. O filme tem muito do universo de trabalho de seu diretor (o mundo da TV) e de seus atores. Três estrelas, a cotação da Folha (Ilustrada) me parece perfeita. E depois de rever o filme, ainda li uma crítica de Bruno Ghetti, que me pareceu muito equilibrada e pertinente. Ele destacou a ambiência do filme (um Rio de Janeiro sem as águas do Atlântico e sem suas belezas naturais) e, em especial, uma inesperada sequência em que o jovem Horácio, o moleque que se apaixona por Maria (Rafaela Mandelli, casada com o ator de novela bíblica interpretado por Cortaz), dá um inusitado beijo na boca do marido da bela balzaca. Afinal, este garantira não ter ciúmes do garoto, visto como uma espécie de “amigo gay” de Maria (tão solitária, deprimida e alimentada com remédios tarja preta). Assistam ao filme. Vale a pena. CARLOS ALBERTO MATTOS deveria rever MUSEU, um filmaço, e INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS, um bom e singelo filme brasileiro. ……..P.S. – Alvarenga é torcedor fiel do Botafogo mas, apaixonado por uma mulher flamenguista, vestiu a camisa rubro-negra para alegrá-la e, assim, reconquistá-la. Está no filme. Horácio, botafoguense de quatro costados, comete tal heresia para agradar a MARIA. Ah, as cenas de sexo entre o garoto e a mulher experiente são muito bonitas. P.S. 2 — Depois de INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS, assista a HOUVE UMA VEZ DOIS VERõES, de Jorge Furtado. Os dois beberam na mesma fonte, Houve Uma Vez Um Verão.

Enviado do Ipad de Rosário