MOSTRA SP 2018 PROMOVE SESSÃO HISTÓRICA DE “CAIXA DE PANDORA”, DE PABST, SOB CHUVA E VENTO

+ MOSTRA SP 2018: “A CAIXA DE PANDORA”, DE PABST,
EM NOITE DE CHUVA, SINFÔNICA E ENCANTAMENTO + FINALISTAS AO BANDEIRA PAULISTA (4 BRASILEIROS E
8 ESTRANGEIROS) + REVISTA DE CINEMA/Uol

+ PRÊMIO FENIX: NA CIDADE DO MEXICO, DIA 7 DE NOVEMBRO: SERÃO PREMIADOS OS MELHORES FILMES DO CINEMA IBERO-AMERICANO (BRASIL COM FORTES CONCORRENTES NA CATEGORIA DOCUMENTARIO)

+ DIA 5 DE NOVEMBRO (SEGUNDA-FEIRA): CINEMA BRASILEIRO A PREÇOS POPULARES NA REDE CINEMARK

+ VALERIO ZURLINI

NO CINECLUBE CPC-UMES
+ LEIAM NA FOLHA ARTIGO DE ANGELA ALONSO + E DE ANDRÉ KLOTZEL: ARTIGO SOBRE VoD/ANCINE (ATENÇÃO) + “VITORIA” (MST), DE ALBERTO BELLEZIA

+ ISLÂNDIA NO OSCAR + ROMY SCHNEIDER EM KIBERON + BILHETERIAS BRASILEIRAS + MONICA VITTI (EXPÔ SP)

+ MOSTRA SP 2018:
“CAIXA DE PANDORA”, DE PABST,
EM NOITE DE MUITA CHUVA,
SINFÔNICA E ENCANTAMENTO

Nem a chuva impediu a exibição ao ar livre de “A Caixa de Pandora”, clássico de George Willelm Pabst, realizado em 1928, exatas oito décadas, e lançado em fevereiro de 1929. O filme, momento máximo do Núcleo Histórico da Mostra SP (Mostra Internacional de Cinema em São Paulo), teve acompanhamento ao vivo da Orquestra Jazz Sinfônica paulistana. Com paixão intensa, e muito aplaudidos, os músicos interpretaram trilha especial criada para o filme, em 1997, por Peer Raben (1940-2007), compositor de muitas trilhas sonoras para filmes de Rainer W. Fassbinder.
“Pandora” tornou-se um dos momentos mais luminosos da história do cinema por diversas razões: pela criação do mito Louise “Lulu” Brooks, estrela norte-americana de beleza singular, por mostrar uma das primeiras (senão a primeira) personagem lésbica do cinema (a Condessa Geschwitz ), por sua ousadia estética e comportamental (o filme é moderníssimo até hoje), por sua atrevida recriação de duas peças de Frank Wedekind (“Erdgeist” e “Caixa de Pandora”) e por impressionante e sofisticadíssima direção de arte (incluindo figurinos de beleza arrebatadora: vide as roupas do show de Lulu e o traje de viúva negra que ela usará no Tribunal – foto no Almanakito).
A trama de “Pandora” é realista, impressionante e plena de reviravoltas: um rico empresário alemão (dono de jornal) vai casar-se com a filha do ministro do Interior. Mas ele está totalmente enredado pela jovem e belíssima prostituta Loulou (Louise Brooks). Para impedir o casamento do amante, a jovem arma seus ardis. E torna-se ela a esposa do empresário, pai de um filho também jovem e belo, apaixonadíssimo pela sedutora madrasta. No dia do casamento, o marido exige que Lulu o mate. Uma elipse nos joga no terreno da ambiguidade: Lulu matou o marido? Ou o disparo foi acidental? A jovem viúva, vestida para matar, vai a julgamento. Primeiro pega pena de morte, depois cinco anos de cárcere. Ameaça de incêndio no tribunal permite que ela fuja. E vá atrás do enteado. Ele, primeiro, reage, pois ela matara seu pai. Mas não resiste à sedutora Loulou. Foge com ela. O filme, que dura mais de duas horas, terá uma segunda parte recheada de acontecimentos, incluindo um matador inglês, nos moldes de Jack, o Estripador.
“Caixa de Pandora”, há que se registrar, começou sua carreira como um fracasso. Um filme de alto custo, com elenco de ponta e história complexa, foi rejeitado pelo público. Georges Sadoul conta que o mais emblemático dos filmes de Pabst foi retalhado pela Censura francesa (e reconstruído pelos produtores, que apararam arestas, ou seja, todas as suas transgressões): a personagem lésbica virou “amiga de infância”, o filho do empresário, seu secretário, Loulou era inocentada (portanto, não cometera o crime) e, num final feliz (oposto ao do original) parecia convertida ao Exército da Salvação.
Foram os franceses, em especial Henry Langlois, o mais famoso diretor da Cinemateca Francesa, o grande patrocinador do resgate do filme de G.W. Pabst (1885 – 1967). Nos anos 1950, ele deu força total ao restauro da versão original do filme (sem os absurdos que a adulteraram) e revigorou Louise “Loulou” Brooks como ícone do cinema. Tal empenho é reconhecido pelos restauradores da cópia, novíssima, exibida pela Mostra SP. Em letreiro que a apresenta, lembra-se a trajetória do longa-metragem, iniciada como fracasso, e resgatada como um dos momentos mais luminosos e transgressores da história do cinema (a República de Weimar, nos anos 1920, era território e tempo histórico de liberdade de criação-expressão. Tempo que seria sucedido pelo pesadelo nazista).
Se nosso circuito exibidor e nossas TVs por assinatura fossem menos previsíveis (e medíocres), teríamos sessões frequentes deste e de outros clássicos da era muda (e falada). Perto de mil pessoas resistiram à chuva e ao vento gelado no Parque do Ibirapuera. Filme e Sinfônica encantaram e foram aplaudidos. Mas convenhamos, ver um filme (de quase 2h30 de duração) ao ar livre sob água e açoites do vento não é o ideal. Que novas sessões de “A Caixa de Pandora” aconteçam (de preferência com a Jazz Sinfônica). Quem sabe na Sala São Paulo, onde a Mostra SP promoveu, uns vinte anos, histórica sessão do “Fausto”, de Murnau, com Leon Cakoff (e a platéia) em estado de êxtase.
Para a Mostra SP e seus parceiros nas magníficas sessões do Parque do Ibirapuera (Núcleo Histórico), todo louvor. Para relembrar: tal sessão foi criada, em 2012, por Renata Almeida e seus parceiros do Itaú Cultural, com a exibição de “Nosferatu”, de Murnau, prosseguindo com “Nathan, o Sábio”, em 2013, “O Circo-Chaplin” (2014), “Meu Único Amor” (2015), “A General” (Buster Keaton, 2016) e “O Homem Mosca” (2017).

+ FINALISTAS AO TROFEU
BANDEIRA PAULISTA:
QUATRO LONGAS BRASILEIROS
OITO LONGAS INTERNACIONAIS

Os brasileiros:
. “Deslembro”, de Flávia Castro,
. “Meio Irmão”, de Eliane Coster,
. “Sócrates”, de Alex Morato,
. “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, de Renée Nader
Messora e João Salaviza (Brasil-Portugal).
Os internacionais:

. o dinamarquês “Culpa”, de Gustav Möller,

. o egípcio “Yomeddine”, de A. B. Shawky,

. o indiano “A Costureira dos Sonhos”, de Rohena Gera,

. o búlgaro “Ága”, de Milko Lazarov,

. os norte-americano “¡Las Sandinistas!”, de Jenny Murray,

. e “O Mau Exemplo de Cameron Post”, de Desiree Akhavan,

. o palestino “Os Relatórios de Sarah e Saleem”, de Muayad Alayan,

. o finlandês “Rir ou Morrer”, de Heikki Kujanpää.

Júri Oficial: o brasileiro Sérgio Machado, diretor de “Cidade Baixa”, a lusitana Teresa Villaverde, de “Colo”, a atriz francesa Astrid Adverbe, protagonista de novos trabalhos de Paul Vecchiali, o argentino-francês Edgard Tenenbaum e o turco-italiano Ferzan Öspetek .

+ VALERIO ZURLINI
NO CINECLUBE CPC-UMES:
NESTA SEGUNDA (29/10):
Mostra Permanente de Cinema Italiano

Nesta segunda-feira (29) a Mostra Permanente de Cinema Italiano

apresentará o filme “Mulheres no Front” (1965), de Valério Zurlini. Aproveite, só na UMES você confere o cinema italiano com entrada franca! A sessão será iniciada às 19 horas no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista. Chame sua família e seus amigos, participe!

MULHERES NO FRONT (1965), DE VALÉRIO ZURLINI

SINOPSE – Um grupo de prostitutas são “convocadas” para trabalhar em prostíbulos militares italianos durante a Segunda Guerra, com o objetivo de animarem seus soldados. A trama, no entanto, se desenvolve a partir do relacionamento das garotas com os três militares que as conduzem na longa viagem que empreendem em direção à base militar, localizada em uma região montanhosa da Grécia.

O DIRETOR – Nascido em Bolonha, Valerio Zurlini estudava Direito quando ingressou na Resistência Italiana, em 1943. Depois da 2ª Guerra Mundial, trabalhou como assistente de direção no Piccolo Teatro de Milão. Realizou em 1954 seu primeiro longa-metragem: “Quando o Amor é Mentira”, baseado no romance de Vasco Pratolini, Le Ragazze di San Frediano. Seu segundo longa “Verão Violento” (1959) lhe trouxe notoriedade. “A Moça com a Valise” (1961) repetiu a dose. Mas Zurlini ficou mais conhecido por suas adaptações literárias: “Dois Destinos” (1962), adaptação de outro romance de Vasco Pratolini; “Mulheres no Front” (1965), baseado em um romance de Ugo Pirro; “La Promessa” (1970) em uma peça de Aleksei Arbuzov e seu último filme “O Deserto dos Tártaros” (1976), em romance de Dino Buzzati. Zurlini também dirigiu “Sentado à Sua Direita” (1968) e “A Primeira Noite de Tranquilidade” (1972).