FESTIVAL DE BRASILIA 2018 – ANO 51:

“LANCE MAIOR”, DE SYLVIO BACK, GANHA PROJEÇÃO, 50 ANOS DEPOIS, NO NÚCLEO HISTÓRICO DO FESTIVAL DE BRASILIA

O filme “Lance Maior”, de Sylvio Back, que participou do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 1968, portanto 50 anos atrás, foi mostrado, em cópia restaurada, no Cine Brasília. A sessão foi apresentada pelo presidente do Festival, o ator e secretário de Cultura do DF, Guilherme Reis, que externou sua emoção de rever o filme em cópia restaurada e em 35 milímetros. Ele lembrou, ainda, que o Festival faz questão de mostrar os filmes do presente, mas sem esquecer os filmes do passado.
Sylvio Back lembrou seu primeiro longa-metragem, realizado em Curitiba e Antonina, no Paraná, e sua feliz passagem pela quarta edição do Festival de Brasília, meio século atrás. E dedicou a sessão de “Lance Maior” à memória da atriz Irene Stefânia, que protagonizou o filme junto com Reginaldo Faria e Regina Duarte. Em papeis coadjuvantes estão Isabel Ribeiro (1941-1990) e o futuro cineasta Sérgio Bianchi, desta vez como ator (além de assistente de produção) interpretando um bancário, amigo de Mário, o personagem de Reginaldo Faria.
“Digo aqui, com grande emoção”— avisou Back, cineasta catarinenense-paranaense-carioca — “que temos em Lance Maior os mais belos closes que uma atriz pode ganhar, os closes de Irene Stefania”. O público sentiu os problemas da banda sonora do filme (legendas solucionariam o problema), mas encantou-se com a leveza da câmara do grande diretor de fotografia, Hélio Silva (1929-2004) que perambula pelas ruas de Curitiba e registra as belas paisagens de Antonina. Nunca é demais lembrar que Hélio assinou as imagens de obras seminais como “Rio 40 Graus”e “O Grande Momento” e de um dos maiores filmes brasileiros de todos os tempos, “A Hora e Vez de Augusto Matraga”.
Em Brasília, Sylvio Back, descobridor, em “Guerra do Brasil”, da atriz paraguaia Ana Brun, que ganhou o Urso de Prata em Berlim 2018 (por seu trabalho em “As Herdeiras”), participa do júri de longa-metragem e continua sua missionária campanha pelos Direitos Autorais no setor audiovisual. Abaixo, carta lida no palco do Festival pelo apresentador Chico Diaz, a pedido do persistente autor de “Lance Maior”:

DECLARAÇÃO DE BRASÍLIA

“ Nós, Diretores, Roteiristas e Intérpretes, Criadores do Audiovisual Brasileiro, demandamos a urgente autorização para que as sociedades de gestão coletiva de direitos que nos representam, DBCA (Diretores Brasileiros de Cinema e do Audiovisual), GEDAR (Gestão de Direitos de Autores Roteiristas) e INTERARTIS BRASIL (Associação de Gestão Coletiva de Artistas, Autores e Intérpretes do Audiovisual do Brasil) possam cobrar e distribuir Direitos Autorais no território brasileiro, viabilizando a justa remuneração aos Autores e Intérpretes pela comunicação pública de suas obras no Brasil.
No mesmo sentido, é necessário garantir o acesso dos criadores brasileiros às importâncias recolhidas por entidades irmãs no exterior e que não podem ser repassadas aos titulares nacionais, enquanto inexistir a autorização do Ministério da Cultura para a arrecadação e distribuição no território brasileiro.
É inaceitável que o Brasil esteja perdendo a cada dia milhões de euros, dólares, pesos e reais por ainda não estar autorizada a cobrança e a distribuição de direitos autorais em seu próprio território, desvalorizando todos aqueles que enriquecem com sua criatividade filmes, novelas, documentários e animação, cuja comunicação pública se dá em todas as plataformas audiovisuais, sem que seus criadores recebam sua justa remuneração.
A hora histórica é esta. A economia criativa do Brasil pede passagem para poder unir-se à todas as nações que já respeitam a criatividade intelectual em seus territórios”.