CAVIDEO COMEMORA 21 ANOS COM MOSTRA DE FILMES INÉDITOS, HOMENAGENS E DEBATE

FILMES & MAIS FILMES

MOSTRA COMEMORA 21 ANOS DA CAVIDEO NO ESTAÇÃO BOTAFOGO-RIO

Maria do Rosário Caetano

Há 21 exatos anos, Cavi Borges, que abandonara a carreira de atleta olímpico, montava videolocadora no Rio. O espaço e suas prateleiras, cheias de filmes de arte, tornar-se-iam um templo da cinefilia carioca. Há 15 anos, além de dono de locadora, ele transformou-se em um dos mais prolíficos produtores de cinema do país. Seu acervo soma (pasmem!) 62 longas e 138 curtas. E Cavi, com seu corpanzil de atleta e generosidade ímpar, virou, também, diretor. E nesta área os dados são igualmente robustos: 43 curtas e dez longas (entre eles, “Cidade de Deus Dez Anos Depois”, parceria com o amigo Luciano Vidigal).

Para festejar os 21 anos de atividade no audiovisual brasileiro, Cavi escolheu filmes em maioria inéditos. Eles serão exibidos no Estação Botafogo, desta quinta-feira, dia 19, até 25 de julho. Sempre às 21h00. Nesta noite inaugural, será apresentado o documentário “Semente da Música Brasileira”, de Patrícia Terra. Haverá debate com a realizadora, o crítico Carlos Alberto Mattos e o produtor do filme.

A mostra prossegue com “Cidade Invisível”, de Terêncio Porto (sexta-feira), e com um sábado festivo. Primeiro, homenagem aos 90 anos de Angel Vianna, seguida da exibição de “ Outono”, de Anna Azevedo, e do longa “Salto no Vazio”, que Cavi dirigiu em parceria com a atriz Patrícia Niedermeier.

No domingo, mais homenagem, desta vez a Sensei Mehdi, tema de “Medhi”, também dirigido por Cavi. A sessão completa-se com “ Paraíso Insólito”, de Anselmo Vasconcellos (ator de tantos filmes brasileiros) e mais uma direção de Cavi (“Heróis”).

Na segunda-feira, outra homenagem a um veterano da arte brasileira: o cantor, compositor, pintor, trilheiro (inclusive de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”) e cineasta Sérgio Ricardo. Dois filmes, um dos anos 1960 (“O Menino da Calça Branca”) e outro, bem recente – “Bandeira de Retalhos” (longa-metragem realizado com atores da trupe Nós do Morro – fecham a noite ricardiana.

Na terça (“Vende-se Esta Moto”, de Marcus Faustini) e na quarta (“Sigilo Eterno”, de Noilton Nunes) são os programas que encerrarão a simpática minimaratona. Os filmes selecionados (com exceção de “O Menino da Calça Branca”) foram todos produzidos por Cavi e demonstram o quão generoso e pluralista ele é. “Realmente” – constata com seu sorriso largo – “a diversidade é a marca da Cavídeo”. Nestes 15 anos, ele trabalhou com “pessoas diferentes, de diferentes idades e estilos”. Até hoje, o produtor-cineasta só não abriu mão do baixo custo. Seus filmes mobilizam profissionais dispostos a fazer muito com muito pouco (dinheiro).

Dia destes, Cavi Borges festejava elogio recebido de Cacá Diegues, que o chamara de “herói do cinema brasileiro”. Um super-herói, registre-se, pois ele se vira nos trinta. Faz de tudo. Até monta banquinha de DVDs em festivais. Se não há uma pessoa para zelar  pelas  fitas, ele mesmo cuida do improvisado comércio. Fato raro para quem poderia, hoje, posar de produtor, cineasta e empresário (sua locadora sobrevive milagrosamente a estes tempos em que poucos querem saber de suportes físicos e mergulham cada vez mais nas facilidades do streaming).

Cavi Borges listou, para o Almanakito, seus novos projetos. Primeiro os que estão em pré-produção, depois os que estão em finalização. Mas deixou claro que está “cada vez mais dedicado à direção”, que à produção, “uma nova fase”. Ah, prontinhos para chegar em breve aos circuitos de exibição estão 14 longas. Um deles – “Neville D´Almeida, Cronista da Beleza e do Caos”, de Mário Abade – será exibido em breve na mostra competitiva do Festival de Vitória, no Espírito Santos (de três a oito setembro). Outro, “Marcos Medeiros, Codinome Vampiro”, de Vicente Duque Estrada, estreou no Rio e deve chegar aos cinemas paulistas e de outros estados brasileiros nos próximos meses.

. Filmes em pré-produção:

. Ivan Cardoso – o Terrível – documentário de Antônio Carlos Fontoura

. A Última Locadora – documentário de Cavi Borges e Christian Caselli

. Kasa Branca – ficção, de Luciano Vidigal

. Casa com Piscina – ficção de Gustavo Melo e Cavi Borges

. Sérgio Ricardo, Vida e Obra – documentário de Cavi Borges

. Cinemateca 60 anos – documentário de Christian Caselli e Cavi Borges

. Máquina de Abraçar – ficção de Patrícia Niedermeier e Cavi Borges

. Longas em finalização:

. Reviver – ficção de Cavi Borges

. O Sonho de Rui – ficção de Cavi Borges e Ulisses Mattos

. Fado Tropical – ficção de Cavi Borges

. Carmem – ficção de Felipe Bragança

. O Sofá – ficção de Bruno Safadi

. A História de Mias um Silva – documentário de Marcelo Goularte