ZEZÉ MOTTA É APLAUDIDA DE PÉ NA NOITE INAUGURAL DO FIM – FESTIVAL INTERNACIONAL MULHERES NO CINEMA – SP

****NOITE INAUGURAL

DO FIM – FESTIVAL
INTERNACIONAL

MULHERES NO CINEMA

Por Rô Caetano

“O que as mulheres brancas experimentam no audiovisual é desigualdade, o que as mulheres negras experimentam é interdição!”.
Esta colocação de Carolina Costa, servidora da Ancine, pronunciada em Seminário que ocupou o dia inteiro da última quarta-feira (04-07-18), no CineSec, foi repetida, à noite, na cerimônia de abertura do FIM 2018, por sua idealizadora, Minon Pinho, parceira de Zita Carvalhosa, da Kinoforum, neste projeto. Minon agradeceu a duas jovens cineastas negras, Juliana Vicente, da trinca curatorial do FIM, e Viviane Ferreira, com as quais mantém animadas discussões, muitas vezes “tomando porrada”. E concluiu: “um conflito que gera aprendizado social”. Débora Ivanov, da diretoria-colegiada da Ancine, reafirmou o empenho do órgão na ampliação de oportunidades para mulheres e, principalmente, das afro-brasileiras.
O CineSesc estava lotado. Havia imensa fila de espera (vejam fotos no meu “face”). Dezenas de pessoas aguardavam vaga para ver Zezé Motta ser festejada. A apresentadora da noite foi Adriana Couto, da TV Cultura. Zezé Motta escolheu, para seu agradecimento ao tributo recebido, cantar a capela, “Minha Missão”, belo samba da dupla João Nogueira & Paulo César Pinheiro. Foi aplaudida de pé e calorosamente. Irradiou alegria sincera e sorriso largo, vestida em bela túnica e com o rosto enfeitado por longos e volumosos cabelos. Quem a visse jamais diria que ela tem 73 anos. Hoje (quinta-feira, 05-07-18) depois da exibição de “Xica da Silva” (20h00), de Cacá Diegues, vou moderar debate com ela, no Espaço Itaú Augusta.
As irmãs Bracher, Elisa e Beatriz, representaram, junto com a montadora, Veronica Saenz, a equipe do filme exibido hors concours “Que Língua Você Fala?”. Beatriz, escritora, corroteirista de “Os Inquilinos” (junto com “Mato Eles?”, o melhor filme de Sérgio Bianchi) e editora (da 34) assina o argumento deste documentário sobre imigrantes que enfrentam novas língua e cultura em seus países de adoção. O destaque recai sobre as crianças, com depoimentos vivos, espertos, bem-humorados. Filmagens foram realizadas na Inglaterra e no Brasil. As irmãs Bracher atuam no Instituto Acaia, que atende a populações carentes. Elisa, artista plástica, faz sua estreia na direção. No palco, ao lado da montadora Veronica Sáenz, ela disse que devia muito a Veronica e ao fotógrafo Lalo de Almeida, pois era uma iniciante no cinema.
O Coletivo Elviras vai escolher. no FIM, o melhor filme brasileiro, que fará jus ao Prêmio da Crítica. O público elegerá o melhor filme estrangeiro e o melhor brasileiro. Cada um receberá prêmio no valor de R$15 mil. Os prêmios serão entregues na próxima quarta-feira, quando será exibido o filme “Paraíso Perdido”, de Monique Gardenberg.