MURILO SALLES E AS ALEGORIAS DO BRASIL (CANAL CURTA, ESTREIA NESTA QUINTA, 23h30)

**”ALEGORIAS DO BRASIL”,
SÉRIE DE MURILO SALLES,
ESTREIA NO CANAL CURTA,
NESTA QUINTA-FEIRA.
HORARIO: 23h30
Deixo aqui um testemunho pessoal sobre a obra do cineasta e diretor de fotografia Murilo Salles (Rio de Janeiro, 1950): trata-se de um “homem de cinema, um homem da imagem”, no sentido mais profundo do termo. Começou pela fotografia (jovenzinho fez “Tati, a Garota”, “A Estrela Sobe” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, todos do amigo Bruno Barreto), fotografou os maravilhosos labirintos de “Eu Te Amo”, de Arnaldo Jabor, “cinematografou” “Tabu”, de Julinho Bressane, “Árido Movie”, de Lírio Ferreira. ((((E teve a alegria de fotografar o último curta de Humberto Mauro: Carro de Bois (1974))))). Como é um apaixonado pelo cinema brasileiro, tem um imenso orgulho desta modesta parceria.
****Enfim, uma boa quantidade de filmes leva seu nome nos créditos como diretor de fotografia. Como realizador, iniciou-se pelos curtas (tem um belo doc sobre Grande Otelo), foi trabalhar em Moçambique, na época de Samora Machel, e lá realizou “Estas São as Armas”. De volta ao Brasil, estreou na ficção com o belo (e imagético, por mais que pareça redundante usar este termo para um filme) “Nunca Fomos Tão Felizes”. Uma dolorosa relação pai/filho, tema que seguiria em “Faca de Dois Gumes” (também sobre outra difícil relação pai/filho). Não fechou, como se esperava, esta anunciada trilogia (ainda há tempo, não é Murilo??!!!!). Na época da crise collorida, quando o cinema brasileiro foi ao fundo do poço, sua fama como grande diretor de fotografia era tamanha, que a Fifa daria a ele a honra de dirigir um filme sobre a Copa de 1994, nosso tetracampeonato. Murilo Navarro Salles comandaria um time formado com os maiores fotógrafos do país e realizaria documentário notável: “Todos os Corações do Mundo” (1995), uma verdadeira ópera futebolística (ou boleira, como diz Ugo Giorgetti em seus filmes). Em 1996, outra ficção de imensas qualidades: “Como Nascem os Anjos”. Seis anos depois, o subestimado “Seja o Que Deus Quiser”. Em 2007, venceu Gramado com “Nome Próprio”. Sua sexta ficção — “Os Fins e os Meios” — brotou em meio a uma série de longas documentais que ele vem fazendo para aplacar uma de suas obsessões: o Brasil. Este país-enigma, complicado, destrambelhado, mas que amamos tanto. A série “Alegorias do Brasil”, que estreia amanhã, às 23h30, no Canal Curta, faz parte de suas reflexões cinematográficas (audiovisuais) sobre este imenso país que ainda não encontrou um rumo capaz de levá-lo à justiça social e à grandeza que merece. Vamos, pois, conferir.