MÉXICO E XOCHIMILCO, A VENEZA POPULAR MEXICANA + O FILME “MARIA CANDELARIA”, DE EMILIO “INDIO” FERNANDEZ, COM DOLORES DEL RIO E PEDRO ARMENDARIZ, FOTOGRAFADO POR GABRIEL FIGUEROA

AMIGOS, SE VIEREM AO MEXICO, NAO DEIXEM DE VISITAR XOCHIMILCO, ONDE EMILIO “INDIO” FERNANDEZ filmou MARIA CANDELARIA, com Dolores del Rio e Pedro Armendáriz.
Duas cidades cinematográficas entraram em nossa vida, na de Zanin e na minha, sem que esperássemos: TULUM, que Federico Fellini “teria visitado” e inspirou a novela gráfica VIAGEM A TULUM, ilustrada por Milo Manara, e agora a linda XOCHIMILCO, a Veneza popular mexicana!!!! Sempre, desde que conheci “Maria Candelária” — Xochimilco no original — sonhava conhecer este local com suas barcas, feito gôndolas, mas pensava tratar-se de uma cidadezinha perdida nos rincões do México. Ano passado, Zanin e eu passamos férias neste país maravilhoso que é pátria de Maria Novaro e Paul Leduc, e nos dividimos entre Guadalajara e CDMX, a capital deste país norte-latino-americano. Fomos, claro, ao Museu Antropológico, ao Palácio de Belas Artes, ao Palácio Nacional, com seus monumentais murais de Diego Rivera, à Plaza Mayor, ao Zócalo, à Catedral, à Calle Madero, uma pietonal que nos encantou, etc, etc. Mas sentimos que tínhamos que regressar para ver o Castelo de Chapultepec, o Museu Caracol e, principalmente, CUERNAVACA (cidade tão presente no livro VIVA!, do francês Patrick Deville). E TAXCO entrou, depois, no nosso itinerário. Na terça-feira irmos a estas duas cidades, que ficam a duas horas da capital.
Este regresso ao México tem nos trazido muitas alegrias e surpresas. Além de encontrar a estátua de TIM TAM, El Pachuco, o cômico mais famoso do cinema mexicano depois de Cantinflas, nos deparamos com o ator (esculpido) de “A Volta ao Mundo em 80 Dias” em dois lugares: na Colônia Roma, em frente a um hospital, e na Plaza de Toros. E encontramos Cantinflas também num mural, ou melhor, num mosaico, que Diego Rivera criou para o Teatro de la Reforma (onde Diego Luna está em cartaz com montagem teatral). E mais, hoje conhecemos o Estádio Azteca, onde o Brasil sagrou-se tricampeão do Mundo em 1970. Zanin emocionou-se quase às lágrimas ao lembrar o belīssimo gol de Pelé e os outros três de nosso esquadrão de ouro.
Até agora, nada nos apaixonou tanto quanto Xochimilco. Que maravilha de lugar. Fica dentro da Cidade de México. A definem como “Veneza mexicana”, mas também como uma espécie de “subúrbio rural”. Nela havia um lago, hoje um imenso canal, onde traineiras enfeitadas com rosas carregam milhares de pessoas e trombam-se umas nas outras, sem nenhum perigo. E em torno das traineiras dá-se um comércio animadíssimo. Mariachis se oferecem para cantar para os ocupantes dos barcos, vendedores de tudo (comidas, guirlandas de flores, plantas, pulque e outras bebidas, ponchos, etc, etc) circundam em traineiras pequenas. A confusão é geral e apaixonante.
Num determinado trecho do passeio, há um cartaz de Maria Candelária, o filme, que os mexicanos conhecem como Xochimilco e os franceses como “Portrait de María”. Ele estreou no México em janeiro de 1944, mas ganhou o mundo em 1947, depois de passar pelo Festival de Cannes (que teria vencido, assim como a melhor fotografia, para Figueroa. Será??? Vou conferir depois, com calma). O que é certo é que o filme correu mundo e hoje ocupa o lugar número 37 na lista dos 100 Melhores Filmes Mexicanos (Revista Somos, 1994).
O longa-metragem, um típico exemplar do CINEMA NATIVISTA emiliano (e mexicano, por extensão) foi criado numa única noite, para que servisse de presente de Emilio “Indio” Fernandez ao cumpleaño de Dolores del Rio. Conta a história de amor entre Maria Candelária, indígena de grande beleza, discriminada por ser filha de uma prostituta. Ela é amada pelo também indígena Lorenzo Rafael. Mas o amor dos dois protagonistas estará à mercê dos caprichos e jogos do destino. Vejam ou revejam o filme para que encontrem uma Xochimilco bem diferente da atual, ambas apaixonantes. ******VEJAM, SE
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