PREMIOS PLATINO 2018:

RIVIERA MAYA REALIZOU FESTA ESPETACULAR, QUE TERMINOU COM MARIACHIS, INDIGENAS E PUBLICO CANTANDO “CELITO LINDO” E “ADELITA”

Maria do Rosário Caetano
MÉXICO (Riviera Maya)
02-MAIO- 2018

Nesta quarta-feira, no jornal Milênio, um dos mais importantes do México, o colunista ALVARO CUEVA, similar azteca de nossa Patrícia Kogut, define a festa de encerramento da quinta edição dos PLATINOs como a mais bela das cinco já realizadas. E o espaço turístico-ecológico-cultural XCaret, que a ambientou, como “o melhor entre os destinos turísticos globais”.
ALVARO CUEVAS, se entendi bem, assistiu à premiação pelo canal TNT. Ficou encantando com o show de tecnologia, cores, música aos cuidados da Banda Maná e de ‘raperos’ mexicanos e espanhóis e, também, com a condução bem-humorada do ator-cineasta EUGENIO “não se aceitam devoluções” DERBET.
O cronista mexicano escreveu: “o trabalho de produção, considerando as complexidades do cenário, foi de antologia e tudo o que coube à TNT esteve impecável. O tapete vermelho, a preparação dos entrevistadores, os extraordinários comentários de Ximena Urrutia, o movimento das redes sociais”. Sobre o humor e presença de espírito do formidável conterrâneo de Cuevas — Eugenio Derbet — só temos que concordar em 100%. Ele é, disparado, o melhor dos apresentadores do prêmio dedicado aos melhores do cinema (e agora TV) ibero-americanos.
Quanto à melhor das cinco festas, há que marcar empate, pois a segunda, realizada em Marbella, na Andaluzia espanhola, também foi formidável. Quem sabe colocamos a mexicana e a andaluza empatadas?
Foi na Andaluiza que Antonio BANDERAS pronunciou o mais belo dos discursos dos cinco profissionais que receberam o PLATINO DE HONOR pelo conjunto da obra e trajetória. Os outros — a brasileira Sonia Braga, o argentino Ricardo Darín, o latino Edward James Olmos e a mexicana Adriana Barraza — fizeram também bons discursos. Mas o de BANDERAS foi um manifesto de amor à língua de Cervantes e ao cinema ibero-americano. Um discurso de potência única.
A atriz Adriana Barraza usou sua bela voz para escandir comovido e politizado agradecimento. Defendeu seu ofīcio (a arte de interpretar) e o magistério (ela mantém uma escola de atores), clamou por justiça frente à tragédia que resultou na morte de 43 normalistas e, depois, de três estudantes de cinema, assassinados no México, nos últimos anos. Crimes bárbaros, que ainda comovem almas sensíveis (em especial os artistas). Então, no item “discurso de agradecimento”, nota dez para o malaguenho Banderas (e 9,5 para a mexicana Barraza).
Voltemos, pois, à cerimônia no imenso teatro do Complexo XCaret. A festa foi mesmo espetacular. E os mexicanos sabem, como poucos, promover comemorações alegres, exóticas e chamativas. Somados aos esforços da Fipca e Egeda, organismos responsáveis pelo Platino, e ao canal TNT, os anfitriões puderam mostrar a hospitalidade mexicana para um milhão de espectadores espalhados pelas Américas e pela Europa (o Platino irmanou-se, este ano, aos organizadores do Prémio do Cinema ASIÁTICO). E mostrar as belezas da Riviera Maya, um dos mais belos redutos praieiros do país (que conta também com importantes sítios históricos dos povos Maya).
Num ponto, nem a Andaluzia conseguiu fazer frente à festa ambientada no Complexo Cultural XCaret: o momento do adeus dos mexicanos aos convidados dos Prëmios Platino. Dezenas de mariachis, ricamente vestidos e acompanhados de indígenas em trajes tão luxuosos quanto os do Carnaval das escolas de samba brasileiras, cantaram (acompanhados pelo publico que lotou o imenso teatro) duas canções que são sinônimo da pátria de Pancho Villa & Zapata: CELITO LINDO e ADELITA. O clima foi apoteótico.
Onde acontecerá a sexta edição dos Prêmios PLATINO? Nos bastidores, diz-se que em uma cidade espanhola (Barcelona?), já que a ideia é alternar um país latino-americano e um da Península Ibérica. Duas cidades espanholas (Marbella e Madri) alternaram-se com Ciudad Panamá, o primeiro cenário, e a uruguaia Punta del Este (o terceiro). Depois da Riviera Maya, mais uma vez Espanha???
Na minha modesta opinião, a hora é de se apostar no Chile. O país vive seu esplendor cinematográfico. Acaba de ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro com “Uma Mulher Fantástica”, de Sebastião Lelio, filme protagonizado pela atriz e cantora lírica transexual Daniela Vega. O mesmo filme somou cinco trofeus na noite dos Prêmios Platino. Inclusive de melhor atriz para Vega, a primeira transexual a receber tal reconhecimento. E, também, o prêmio de melhor ator para Alfredo Castro (por “Los Perros”). Seis PLATINOs. O mesmo número de prêmios da Espanha (melhor documentário, melhor animação, melhor opera prima/ filme de diretor estreante, Prêmio Educação em Valores, melhor série e melhor atriz de TV). Mas os prêmios chilenos foram TOP, ou seja, em maioria em categorias nobres (a ficção cinematográfica ainda goza de status especial).
A Argentina ganhou cinco prêmios (três técnicos para “Zama”, co-produção brasileira; melhor música, para “A Cordilheira” e melhor ator de série de TV). O Brasil teve uma só profissional premiada, a pernambucana Renata Pinheiro (diretora de arte de ZAMA). Ela brilhou no palco ao defender a língua portuguesa e a música brasileira (e bradar por “Lula Livre”). Mesmo caso de Portugal: um premiado (o fotógrafo Rui Poças). O anfitrião México só ficou com o Platino de Honor de Adriana Barraza.
Este ano, convenhamos, foi mesmo do Chile. Que faria bem em sediar a próxima edição do Platino. Ou não???

VEJAM ABAIXO OS PREMIADOS, POR PAÍS:

CHILE — “Uma Mulher Fantástica” – melhor filme, diretor, atriz, roteiro e montagem + “Los Perros”: melhor ator

ESPANHA — “Verão 93” (opera prima/filme de estreante), “As Aventuras de Tadeo 2” (melhor animação), “Muitos Filhos, Um Macaco e um Castelo” (melhor documentário), “Handia” (Prêmio Educação em Valores), “El Ministério del Tiempo” (melhor série), “Lá Telefonista” (melhor atriz)

ARGENTINA — “Zama”: melhor fotografia, direção de arte e som + “El Maestro” (melhor ator de série),”La Cordillera” (melhor música)