SAMUKA, DAS OFICINAS QUERÔ — ESTE FILME MARCOU A HISTORIA AUDIOVISUAL DE SANTOS + DOBRE PICOTE, MENINO DE ENGENHO, NEGUINHO, BRANQUINHA E JAPA

***************SAMUKA, DO FILME
“QUERÔ” E DAS OFICINAS QUERÔ,
abraça Luiz Zanin em rua de samba e petiscos, no centro
de Santos, próximo à Bolsa do Café. Pedi a Tammy Weiss,
batalhadora do audiovisual em Santos,
que me mandasse um perfil de Samuel. Ei-lo:
Samuka integrou o elenco de apoio de “Querô” (Carlos Cortez, 2005/6). Ele
era, no filme, um dos internos da “Febem”. Depois Samuka cursou Oficinas Querô, dirigiu o
curta-metragem “Torto” e trabalhou comigo na Santos Film Commission, local onde fez seu networking e pôde ingressar no mercado como produtor de locação. Está muito bem,
trabalha muito com publicidade, traz muitos filmes para Santos e dá aulas nas Oficinas
Querô. Nos vimos semana retrasada para colocar o assunto em dia, matar a
saudade e projetar o futuro. Samuel batalhou bastante para
conquistar seu espaço no mercado. bjs Tammy
***Rô Caetano escreve: ontem registei,
no Almanakito: Tomei conhecimento, pela internet, da situação atual do
ator Maxwell Nascimento, o protagonista do filme “Querô”. Segundo ampla
matéria do “Programa de Domingo”, da TV Record (não sei precisar a data), ele está vendendo
pasteis, com o pai, num carrinho e fazendo serviços como manobrista. Tem dois filhos e, depois,
de trabalhar em “Malhação”, como par de Nathalia Dill, não conseguiu sequenciar sua carreira
como ator. Meu amigo Joba Tridente ficou tocado pela história e a reproduziu em seu
espaço digital. Deixo claro, aqui, que não compartilho da idéia de que, quem revela um ator tem
responsabilidade por ele, ao longo de sua carreira. Quem pensa assim, acha que Babenco
deveria ter feito tudo para evitar a morte de Fernando Silva Ramos, o Pixote,
Walter Lima Jr teria que ter zelado pela carreira de Sávio Rolim (o Menino de
Engenho), Fernando Meirelles para Rubens Sabino (o Neguinho de “Cidade de Deus”),
Carlos Cortez pela de Maxwell, etc. Lembro-me que, ao escalar os meninos que fariam
Branquinha e Japa em “Como Nascem os Anjos”, Murilo Salles fez questão de buscar
crianças com famílias bem estruturadas. Caso de Priscila Assum (hoje na novela “O Outro
Lado do Paraíso”) e Silvio Guindane, ator e cineasta de sólida carreira, marido da cineasta Júlia Rezende, genro de Mariza Leão e Sérgio Rezende. Entendo que as duas opções são válidas.
Crianças vindas de área carentes também devem ser escaladas por seu talento e podem
ter carreiras vitoriosas. Tenho amigos que questionam, em parte, a ficção “Quem Matou
Pixote?”, de José Joffily, e o documentário “O Menino e a Bagaceira”, de meu amigo Lúcio Vilar, sobre Sávio Rolim. Eles, os que criticam tais produções, entendem que, no subtexto destes
filmes há uma “condenação” ou um “cutucada” nos diretores que revelaram tais atores. Mesmo
que estes diretores tivessem (caso extremo) registrado estes meninos em cartório como filhos,
eles poderiam dar ou NÃO DAR certo em suas trajetórias como atores, profissão de risco, em que muitos ingressam, mas poucos triunfam (Mesmo dentro das famílias, uns seguem em frente, outros não….). Quantos atores desapareceram na poeira do tempo, enquanto Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Ruth de Souza, Paulo José, Marília Pera, Osmar Prado, Marieta Severo, Matheus Nachtergale, Marcélia Cartaxo, José Dummont, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Selton Mello (cito alguns craques) triunfassem??? É assim em muitas profissões…