ROMAN DURIS, ATOR FRANCÊS, NO ELENCO DO NOVO FILME DE RIDLEY SCOTT + DEZ MAIORES BILHETERIAS BRASILEIRAS + CINEMA INFANTO-JUVENIL DE MUITA QUALIDADE

****CINEMA INFANTO-JUVENIL DE PRIMEIRA — Ontem
fui ver “Paddington2”, aqui no Miramar, em Santos, e fiquei encantada. Como estou (temporariamente) em território caiçara e aqui não há cabines de imprensa, vejo os filmes em circuito comercial: ou em salas do Adhemar Oliveira (Miramar) ou nas da rede Cinemark* (Praiamar). E aí vejo muitos traillers. Vi, muitas vezes, o trailler de “Paddington 2”. Com Sally Hawkins, a inglesinha com cara de maluquinha (ontem a vi, maravilhosa, em “A Forma da Água”, do Guillermo Del Toro, e no “Paddington 2”), o Hugh Grant, o Brendan Gleeson, a Imelda Staunton… Nada sabia do filme, nem vira o “Paddington 1”. Motivada pelo trailler, pelo elenco e por meu interesse por filmes infanto-juvenis (área em que a cinematografia brasileira padece da mais brutal carência), fui ao Praiamar para uma maratona de mais de seis horas de duração: “Paddington 2”, “A Forma da Água” e “Todo o Dinheiro do Mundo”, do Ridley Scott. Gostei muito do filme do Del Toro, me decepcionei com o do Scott (que roteiro apelativo, com retardamentos da ação e reviravoltas absurdas, italianos vistos como brutais e sujos — está todo mundo agasalhado e os “vilões” italianos suam como se estivessem sob 45 graus de temperatura e — pecadilho digno de registro — dois atores latinos, por quem tenho carinho, em papeis desanimadores: o francês Roman Duris e o italiano Marco Leonardi, o galãzinho de “Como Água para Chocolate”, lembram???). Duris, meu eterno “Gadjo Loco”, faz o sequestrador que se afeiçoa ao sequestrado, no caso Paul Getty III, mas nunca toma banho. Faça frio de cortar ou não, ele está sempre sujo, suado e fedorento: uma coisa!!). Marco Leonardi interpreta um mafioso do Sul da Itália (Getty III morava em Roma e foi sequestrado na Itália). Voltando a “Paddington 2”: que maravilha, que encantamento, que elenco, que roteiro (recado urgente aos produtores/realizadores de “Gaby Estrella”: assistam a este filmes 100 vezes, para aprenderem a construir uma narrativa infanto-juvenil). As citações (a Chaplin e seu “Tempos Modernos”, a “Cantando na Chuva”, a Shakespeare, etc, são orgânicas, jamais fetiche de cineasta). Pequenas ideias dão resultado surpreendente: vide o que apronta a meia vermelha na lavanderia. Quanta ternura! A trama tem aventura (a sequência de abertura é arrebatadora), bons sentimentos (sem ser piegas e apelativo), solidariedade, fraternidade… Enfim, uma filme que verei com meus netos, tão logo eles cresçam (Anna ainda não fez 3 anos, e João tem um mês).

(*) No Boletim Filme B, a Rede Cinemark diz que não fará — em sua telas — campanha gratuita, por 18 meses, para o prefeito paulistano. Diz que não faz campanha partidária. Que vai divulgar causa humanitária. Resta-nos conferir.

+ FILME DE EVALDO MOCARZEL (VERA
HOLTZ) + 2 FILMES DE MONIQUE GARDENBERG
Na matéria que escrevi para a Revista de Cinema/Uol (sobre que filmes brasileiros veremos ao longo deste ano de 2018), dezenas e dezenas de produções brasileiras ficaram de fora. Afinal, chocados com o market-share brasileiro (que caiu de 16% para 9% — e pensar que em 2003 chegamos a 21%), nossa intenção era saber se tínhamos filmes com cacife para reverter quadro tão adverso. E, também, ver como está a produção de filmes de animação, documentários e a produção regional. Ficaram de fora da matéria filmes que aguardo com imensa expectativa, como o doc-fic
(As Quatro Irmãs), de Evaldo Mocarzel com Vera Holtz e suas hermanas de Tatuí, os dois de Monique Gardenberg (Paraíso Perdido, com Erasmo Carlos, Hermila Guedes, Júlio Andrade, etc, e “Opaió 2”, que ela começa a filmar agora, no Carnaval da Bahia), o perturbador “As Boas Maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra (estreia marcada para 12 de abril), “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos”, de Paulo Nascimento (que trará a argentina Soledad Villamil, musa de Verissimo, para um filme brasileiro), “A Moça do Calendário”, o belo filme de Helena Ignez (estreia em 31 de maio), “O Olho e a Faca”, de Paulo Sacramento, a comédia black “Correndo Atrás”, de Jeferson De (com Ailton Graça), “Caritó”, com a ótima Lilia Cabral, “10 Segundos” (sobre Eder Jofre), “Turma da Mônica”, de Daniel Rezende, “Abaixo a Gravidade”, de Edgard Navarro, cineasta baiano de quem sou fã juramentada “e tantos outros. E “Pixinguinha”? Cadê a cinebiografia do genial artista brasileiro? Virou “cinema de papel”?

*****MAIORES BILHETERIAS BRASILEIRAS

1. Os 10 Mandamentos………………………………..11.216.000 (*)
2. Tropa de Elite 2………………………………………..11.146.000
3. Dona Flor e Seus Dois Maridos……………….10.736.000
4. Minha Mãe é Uma Peça 2…………………………..9.250.000
5. A Dama do Lotação…………………………………….6.509.000
6. Se Eu Fosse Você 2……………………………………..6.138.000
7. Os Trapalhões na Mina do Rei Salomão…….5.727.000
8. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia………….5.402.000
9. 2 Filhos de Francisco……………………………………5.319.000
10. Os Saltimbancos Trapalhões……………………..5.219.000
(*) A bilheteria do filme da TV Record e da Igreja
Universal é questionada por muitos sob o argumento de que Bispo Macedo
e pastores compraram ingressos para fieis. Do ponto de vista dos exibidores, tal circunstância não tem valor, pois receberam pelas salas que
programaram o filme.
(*) Os filmes do quarteto Trapalhão, que chegaram a ocupar cinco vagas entre os dez mais vistos do cinema brasileiro, ocupam agora apenas duas. Mas são onipresentes entre os 20 mais.
(*) Vem aí a primeira parte da cinebiografia de Edir Macedo, o bispo da Universal (“Nada a Perder 1”, de Walter Avancini, com Petrônio Gontijo de protagonista). Há quem acredite que o filme baterá “Os 10 Mandamentos”. Estes argumentam que o Bisco e seus pastores vão aperfeiçoar o esquema de distribuição de ingressos entre fieis. De minha parte, mesmo sendo leiga, acho que a vida de um bispo da Universal — (as denominações evangélicas têm quase 40% dos fieis no Brasil, a Igreja Católica mais de 50%) — não tem o mesmo apelo de tema bíblico como os “10 Mandamentos”. Este tema atraí/atraiu inclusive os espectadores católicos. Será que há milhões de católicos, umbandistas, candomblecistas e ateus interessados na vida de Edir Macedo?? Creio que o bispo vai ter que comprar muitoooooo ingresso para chegar ao desempenho de “Os 10 Mandamentos”.

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