LUCAS PARAIZO , ROTEIRISTA + OITO FILMES DE TONIO VENTURI EM VOD

+ LUCAS PARAIZO E O ROTEIRO NO CINEMA BRASILEIRO
(ver fotos no “face” e no blog Almanakito, que postarei em seguida).

+ TONI VENTURI (OITO LONGAS EM VOD)

+ BILHETERIAS + GABY ESTRELLA + BERNARDET E A QUEDA
+ VARDA E O OSCAR + ESPIGÃO DA PAULISTA + MOSTRA MORRICONE

********NA REVISTA DE CINEMA/Uol:

MATERIA SOBRE OITO FILMES
DE TONI VENTURI EM
VOD (O2 PLAY) + IMAGEM

Cineasta participa, mês que
vem, do Fantasporto, em Portugal

http://revistadecinema.com.br/2018/01/obra-completa-de-toni-venturi-tem-lancamento-da-o2-play/

Julie Tseng – 11 98747-8965
www.revistadecinema.com.br

****LUCAS PARAÍZO:
Na última remessa do Almanakito, escrevi uma nota sobre os absurdos presentes no “roteiro” (se assim podemos chamá-lo) de “Gaby Estrella”, em cartaz em mais de cem cinemas brasileiros. Quem se propõe a fazer filme para público (cinema narrativo!!), com começo, meio e fim, tem que estudar roteiro, conhecer seu ofício, labutar, mostrarr o trabalho a outros, estabelecer parcerias, etc. Mas muitos dos quem têm acesso a leis de incentivo e apoios (parceiros) poderosos não dão nenhuma atenção aos roteiros. Vão levando na flauta. “Gaby Estrella” é um dos exemplos mais dramáticos. VOLTO AO ASSUNTO, porque li em O Globo (creio que de sábado, 20, ou domingo passado, dia 21 de janeiro), excelente matéria com o roteirista LUCAS PARAÍZO. O conheci, rápida e pessoalmente, na MOSTRA SP 2017, no Cinearte, no Conjunto Nacional. Primeiro, na sessão de “Aos Teus Olhos”, de Carolina Jabor, que ele roteirizou (o filme tem estreia prevista para 12 de abril). A documentarista Emília Silveira (“70”, “Galeria F”, “Silêncio no Estúdio” e “Callado”) me avisou: fique de olho neste rapaz, que é um talento. Você vai ouvir falar muito dele. Lucas subiu ao palco com Carol, Malu Galli e Luiza Arraes. E, de longe, fiz fotos (que ficaram péssimas) da equipe. Um ou dois dias depois, Fellipe Gamarano Barbosa estava no mesmo local, o Cinearte, para mostrar “Gabriel e a Montanha”. Mais uma vez, com Lucas Paraízo ao lado. Afinal, ele é co-roteirista deste filme e de mais três de Gamarano: “Laura”, “Casa Grande” e “DOMINGO”, que os dois escreveram e Gamarano vai dirigir em parceria com Clara Linhart. (((Pelo que conta O Globo, na ótima matéria de Luiz Felipe Reis, este novo filme, em produção, “acompanha as inquietações de uma família conservadora diante do novo presidente” (Lula, no caso, pois o roteiro começou a ser escrito em 2004 e o tempo narrativo será a era Lula). O plano é lançar o filme às vésperas das Eleições Presidenciais deste ano)))).
Voltando ao dia em que “Gabriel e a Montanha” foi apresentado na Mostra SP: mais uma vez, vários cariocas (cineastas, produtor, etc) vieram me dizer que Lucas Paraízo era/é um roteirista talentosíssimo. Maníaca por foto, mesmo sem ter intimidade com ele (e com a muito gentil, mas tímida, Carolina Jabor), pedi para fotografá-los juntos. Fotografei-o, também, com Emília Silveira e, depois, já dentro do cinema, com Gamarano e seu distribuidor, Bruno Beauchamp (e Carol, pois queria Lucas entre os dois diretores para quem atuara como roteirista). A correria era tanta (e eu não conhecia “Aos Teus Olhos” e queria rever “Gabriel e a Montanha”, que só vira em vímeo para as prévias do Prêmio FENIX, do México) que nem procurei saber mais sobre Lucas. Agora, graças à matéria de Luiz Felipe Reis, sei que ele estudou na Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de los Baños-Cuba. É professor na PUC-Rio e da instituição cubana. É, também, autor do livro “Palavra de Roteirista” e do documentário “Roteiristas”. E que seu nome está nos créditos
dos seguintes filmes/série:

1. Macabro, de Marcos Prado (em produção)
2. Overgod, de Gabriel Mascaro (em produção)
3. “Sob Pressão”, de Andrucha Waddington & Mini Kerti (série sob supervisão de texto de Jorge Furtado)
4. Divinas Divas, de Leandra Leal
5. 6. 7. 8 – Laura, Casa Grande, Gabriel e a Montanha e DOMINGO, todos de Fellipe Gamarano Barbosa.
9. Aos Teus Olhos, de Carolina Jabor
. Um quadro, convenhamos, de responsa. Nos faz lembrar Leopoldo Serran (só roteirista), Jorge Durán (que depois virou também diretor) e outros (não muitos) profissionais dedicados à narrativa cinematográfica. No Brasil, por tradição, todos querem ser diretores. Será que Lucas Paraízo (38 anos) também vai partir para a direção??? (Parece que já fez suas estreia com o documentário “Roteiristas”, que, aliás, estou louca para ver).

* GABY ESTRELLA:
Por que o cinema comercial brasileiro dá tão pouca atenção ao roteiro? Vi, no Cinemark Praiamar, em Santos, várias vezes, o trailer de “Gaby Estrella” derivado de programa infanto-juvenil do Canal Gloob (salvo engano). Li, em O Globo e na Folha, críticas duras ao filme. Como me preocupo muito com a pouca atenção
dada pelo cinema brasileiro
a este segmento do público (crianças e pre-adolescentes), vejo tudo que é possível (ficção ou animação). Na última segunda-feira, 22, fui ao Praiamar ver GABY ESTRELLA. Antes, registro aqui a acuidade de Marcelo Janot, em sua crítica publicada em O Globo. Ele aponta a mais gritante falha do roteiro: “uma avó rica (e doente) mora SOZINHA num casarão-fazenda maravilhoso”…… (Decerto uma daquelas belas fazendas fluminenses habitadas outrora por barões do café). Mora SOZINHA, repito. Não tem um empregado, uma cuidadora, um ser humano com quem possa conversar. Quem limpa o casarão, quem planta, quem colhe??????? Ninguém!!!! Não há um TRABALHADOR que seja no filme. O
roteiro, um dos piores que já vi na minha vida,
OSTENTA um mundinho reality show, em que duas pré-adolescentes maquiadíssimas, com brincos enormes, vestidos puro glamour, disputam quem rende mais clicks na internet. Não pensam em ler um livro, em nada que não seja competição e futilidade. O mundo do trabalho é totalmente ignorado nesta trama fashion e tola. Será que produtores, distribuidor e demais envolvidos com o projeto não tiveram a singela ideia de mostrar à roteirista e ao diretor que a história (o roteiro) não se sustentava??? O resultado está aí: lançado em 147 salas, o filme vendeu menos de 17 mil ingressos. MÉDIA de 112 por sala. Ou seja, quase nada. E lembremos que o filme é explicitamente comercial. Está, porém, a anos luz de propostas comerciais, mas inteligentes, como “Minha Mãe é Uma Peça 2”, “Divórcio” e “Os Parças”, para ficar em três exemplos instigantes.

+ CINEMA OPERÁRIO (OU PROLETÁRIO)
Encontrei, finalmente, meus apontamentos sobre intervenção (iluminada, como sempre) de Jean-Claude Bernardet, no
FEST ARUANDA 2017, em dezembro último (Jampa-PB). Infelizmente, mal consegui decifrar meus garranchos. E como passaram-se muitassss semanas, não serei capaz de reproduzir com fidelidade o que o autor do seminal CINEASTAS E IMAGENS DO POVO (1985 – Reeditado recentemente) falou na mesa-redonda que debateu a obra de Ruy Guerra (Bernardet estava na plateia):

Wills Leal, idealizador da ROLIÚDE NORDESTINA, era um dos debatedores-palestrantes. Primeiro,

ele — Wills — lembrou a morte do ator e roteirista baiano MIGUEL TORRES (ocorrida em 1962), na Paraíba, quando este buscava locações para OS FUZIS. Miguel morreu, muito jovem, num acidente de jipe (salvo falha de minha memória, Ruy Guerra estava com ele na ocasião). Em seguida, Wills desceu o sarrafo em ESTORVO, um dos filmes recentes (já nem tão recente, não é?) de Ruy. Quando usou da palavra, Bernardet contou da emoção sensorial que sentira quando viu “Estorvo” e falou rapidamente das qualidades do filme. O que ele queria mesmo era falar de A QUEDA, filme que revira no dia anterior (o ARUANDA, que homenageou Ruy, exibiu alguns de seus principais filmes). Lembrou a originalidade do filme (A Queda), evocou Os Fuzis, lembrando que um fôra feito antes do Golpe Militar, e o outro, bem depois. A QUEDA, num momento em que o mundo dos trabalhadores (operários que construiam o Metrô do Rio) estava praticamente ausente dos filmes brasileiros. Lembrou os personagens de Nelson Xavier (um dos “fuzis”, que agora era operário da construção civil) e o de Paulo César Pereio (outro dos “fuzis” que seguiu na carreira militar). Lembrou que, a seu modo, Ruy Guerra desenvolvera, em A QUEDA, um processo semelhante ao de “Cabra Marcado para Morrer”. Pontuou que, no filme de Ruy (A Queda), não era só a temática (o trabalho no mundo urbano, já que trabalhadores só apareciam em filmes brasileiros, naquele período, no mundo rural)… Era reveladora. E deu um exemplo de algo que o tocara muito: o amor do personagem de Lima Duarte por seu instrumento de trabalho: um trena tcheca. Tal trena estava perdida e o personagem de Lima mostrava um imenso amor por esta sua ferramenta. Depois Bernardet lembrou conversas mantidas com Roberto Schwarz sobre a relação dos operários com suas ferramentas…. (mas o desdobramento desta parte eu não anotei). Como estava moderando a mesa, devo ter parado para anotar o nome de inscritos para novas intervenções. (E que Bernardet me perdoe pela simplificação das idéias dele, pois minha letra está incompreensível…)

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