FRIDA KAHLO, DOIS FILMES, VIVA! + SALMA HAYEK + PAUL LEDUC

****SALMA HAYEK
E O FILME “FRIDA”:
Ontem dediquei minha
tarde a duas sessões (em DVD)
de um mesmo filme (FRIDA,

de Julie Taymor,
Distribuidora Imagem). E por que

rever um filme de 2002/3,
realizado, portanto, há mais de 15 anos?? Porque, finalmente,
li a íntegra do texto que a atriz mexicana (radicada entre os EUA e a França)
escreveu para engrossar a fileira das mulheres que acusam o produtor Harvey
Weinstein de assédio sexual. Pelo que haviam me contado, ela escrevera (no NYT)
que ele a obrigara a fazer cena, totalmete desnuda, com outra mulher. Na hora, fiquei intrigada: como fazer um filme sobre Frida Kahlo (1907-1954), mulher libertária,
que amou homens (Diego Rivera acima de tudo) e mulheres, que viveu cercada de revolucionários, sendo ela mesma uma revolucionária, etc, etc, temendo a NUDEZ?
Teria a latina SALMA sido contaminada pelo PURITANISMO anglo-saxão????.
Depois de ler o texto na íntegra, vi que ele tem muitas nuances. E que, ao escrevê-lo,
Salma parece ter tido vontade de apoiar a amiga Ashley Judd (a TINA MODOTTI, do filme FRIDA), esta sim, vítima do predador-priápico produtor. Testemunhos, inclusive masculinos, dão conta que Weinstein destruiu a carreira de Ashley e de Mira Sorvino. Predador sexual e de profissões-carreira!!!!. Um caso terrível. ONTEM li
um bom texto no Estadão, de Marcia Tiburi, muito nuançado, sobre a
questão que hoje mobiliza as MULHERES. E que encontrou em
dois manifestos FRANCESES elementos de combustão. Que
o debate prossiga e que as conquistas femininas
sejam cada vez maiores. Voltando ao filme
******************************* “FRIDA”:
quando assisti ao longa norte-americano, em seu lançamento (ele concorreu a seis estatuetas no Oscar 2003 — ganhou duas, pela trilha sonora, magnífica, com Caetano Veloso, Lila Downs, CHAVELA VARGAS presente fisicamente e cantando LA LLORONA ++++ maquiagem/penteados) NÃO gostei muito. A razão principal
do meu desgosto foi ver todo mundo falando inglês. Como é
que uma história tão mexicana, rodada inteiramente no México (nos Estúdios Churubusco Azteca, na Cidade do México, em Puebla e em San Luis do Potosi), podia recorrer ao “esperanto” do mundo, a língua inglesa??? E eu estava — e continuo — profundamente impactada pelo belíssimo “Frida, Naturaleza Viva”, de Paul Leduc (vencedor do Fest Havana 1985, junto como também maravilhoso “Tangos, o Exílio de Gardel, de “Pino” Solanas). ****Com o filme de Julie Taymor no suporte DVD, tentei uma versão falada em espanhol. Não existe tal oferta. Assisti, então, dublado em português (o que não me satisfez, pois as vozes de Salma Hayek, Antonio Banderas, Patricia Reyes Spíndola, Diego Luna, entre outros hispano-hablantes, nada têm a ver com a dos dubladores). Mas deixei o idioma de lado e resolvi curtir o filme. Como todos sabem, em março do ano passado, aos 61 anos, realizei um velho sonho: conhecer o México. O fiz ao lado de Zanin — um magnífico companheiro de viagem, que falta
sonhar o que eu quero fazer — e passamos (apenas) 12 dias em Guadalajara (incluindo o Estádio Jalisco, onde o Brasil brilhou na Copa de 1970) e Cidade do México. Fomos às pirâmides de Teotihuacán, à Cinemateca Mexicana, ao Palácio Nacional, à Secretaria de Instrução Pública, à casa de Buñuel, etc, etc, etc. Se
eu já amava perdidamente o México, sem
conhecê-lo, agora tornei-me devota.
VOLVEREMOS: Cuernavaca que nos espere, com seus dois vulcões…. Pois é, depois de “conhecer” (em míseros 12 dias)
o México, eu amei … a FRIDA de Salma Hayek. Tanto que, finda a sessão dublada, pedi a Zanin para colocar o DVD para rodar com a versão original, em inglês (não sei nem mexer em DVD, Zanin sofre!!!!). E foi aquela alegria ver FRIDITA novinha procurando (começo dos anos 1920, quando Rivera pintava os murais da Secretaria da Instrução Pública) o “Pançudo” para que ele emitisse opinião sobre os quadros dela. Quando já adulta, FRIDA, anfitriã de Trostsky (o australiano Godfrey Rush) e Natália (a branquinha Margarita Sanz, do maravilhoso “O Beco dos Milagres”, by Naguib Malfouz) subiu a principal pirâmide de TEOTIHUACÁN com o exilado russo, eu chorei… Gostei de tudo: do Siqueros de BANDERAS, do Rivera de Alfredo Molina (embora bonito demais para interpretar o “Sapo Pançudo”/o de Paul Leduc, Juan José Gurrola, é infinitamente melhor, e ninguém superará, nesta ou em outra encarnação, a Frida de OFELIA MEDINA!!)… Gostei da Lupe Marín interpretada pela italiana Valeria Golina… Não me incomodei nem com a glamurização de Tina Modotti (Ashley Judd)… Parte deste amor pelo filme “Frida 2 ” se deve — tenho que admitir — ao VIVA!, o magnífico “romance sem ficção” do francês Patrick Deville. Que tempo abrigou Frida Kahlo…e que companhias a cercaram!!!! — Hoje de manhã, caminhando na praia, aqui em Santos, comentava com Zanin a “FRIDA de Salma” e ele me contou algo que eu, fridomaníaca, não sabia: a respeitada biógrafa Hayden
Herrera (fonte do filme norte-americano) conta que
Diego Rivera não se incomodava de jeito nenhum que
Frida vivesse amores lésbicos. Até estimulava. Já amores heterossexuais, ele não permitia. Como gostava de andar
armado, chegou a ameaçar alguns deles (por falar na relação dos mexicanos, pelos menos os mais antigos, com armas, Zanin adora contar histórias de Buñuel, quando radicou-se no México e deparou-se com novos amigos que mantinham relação digamos
“amistosas” com armas de fogo)…..

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