SOBRE “MATRAGA”, DOCUMENTARIOS & IMPEACHMENT,

CORREIO BRAZILIENSE, VERISSIMO E A

IMPRENSA DE PAPEL

  • Nesta foto, Marília Santos e Cláudio Santos Pinhanez, que apresentaram cópia restaurada de “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos, na mostra “50 Anos em Cinco Dias” (seleção de longas e curtas que marcaram a história do Festival, selecionados pela Abraccine – Associação Brasileira de Crítico de Cinema).
  • Brasília (Segunda-feira, 18-09-17) – Começa hoje, às 18h30 (portanto em horário nobre), a Mostra Brasília – Prêmio Assembleia Legislativa do DF, que apresenta, no Cine Brasília, o melhor da produção local. O público que prestigia a Mostra candanga chega a igualar-se (às vezes a superar) as plateias que abarrotam a competição principal. Dos debates do dia (são muitos) um se destaca: “Terra em Transe – O Cinema Reflete a História Que Acontece”. Entre os palestrantes estará o cineasta Douglas Duarte, de “Personal Che”. Ele vai mostrar trechos de novo documentário de sua autoria sobre o impeachment da presidenta Dilma Roussef (visto do Parlamento). Ele integra o time que filmou o transe vivido pelo país, há pouco mais de um ano. Time que inclui Anna Muylaert, Lô Politi, César Charlone (esta trinca registrou o impeachment de dentro do Palácio da Alvorada), Petra Costa, Renato Tapajós, Maria Augusta Ramos, Boca Migotto, entre outros. O produtor João Paulo Procópio, coordenador de Atividades Formativas do Fest Brasília, promete debate digno do nome. Quem sabe com a fervura do que aconteceu no domingo, em torno do filme “Vazante”, de Daniela Thomas (ver matéria na Revista de Cinema/Uol).

*********A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA

Marília Santos e Cláudio Santos Pinhanez, mulher e filho do saudoso Roberto Santos, apresentaram, no Cine Brasília, cópia estalando de nova (com som e imagens restaurados) do primeiro vencedor da história do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (a poderosa adaptação do conto homônimo de Guimarães Rosa) . O triunfo de “A Hora e Vez de Augusto Matraga” se deu em 1965, portanto há quase 53 anos. Quem viu o filme ficou emocionado e não se cansou de ressaltar sua modernidade, a beleza da fotografia de Hélio Silva (com certeza influenciado pelo cinema japonês – há que se estudar a influência do cinema daquele país asiático em nossa produção do final dos anos 1950 e ao longo dos 60), a qualidade dos atores (Leonardo Villar em estado de possessão matraguiana) e da trilha sonora de Geraldo Vandré. Marília Santos vai, agora, mostrar e debater o filme em São Paulo (data em fase de agendamento) e quer ter Vandré na platéia. “Ele precisa ver esta cópia, que restaurou o som e a trilha sonora. Ele ainda não a assistiu depois do restauro”.

***CORREIO BRAZILIENSE – Depois de um caderno especial e chamada de capa única e arrebatadora (nenhum festival brasileiro ganha espaço tão nobre na folha de rosto de um grande jornal brasileiro), a cobertura do Correio Braziliense, o mais antigo e duradouro veículo da imprensa candanga, perdeu parte de sua força. No sábado houve capa para os filmes (curtas e longas) do dia. No domingo, uma página com Cauã Reymond (de “Não Devore o Meu Coração”, filme da noite inaugural) e matéria sobre os filmes dominicais. Hoje, segunda-feira, esperava (na edição de papel) cobertura quente, com depoimentos de espectadores colhidos na fervura do Cine Brasília, críticas dos filmes já exibidos… Ou seja, material que fosse além da programação do dia. Mas isto não aconteceu. Até a chamada de capa (sei que a segunda-feira pertence ao Futebol, com sua poderosa rodada do fim de semana) foi extremamente reduzida. Será que isto tem a ver com o que comento na nota a seguir???

***VERISSIMO – Brasília (16-09-17) – Aqui,

na capital do país, mergulhada até a medula na maratona do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que realiza sua quinquagésima edição, fico sabendo que VERISSIMO não escreverá mais na Zero Hora, jornal gaúcho que foi, por muitos anos, seu porto seguro. E que não escreverá mais a crônica dominical no Estadão. Se entendi bem, ele ficará restrito à crônica das quintas-feiras em O Globo e Estadão. O que dizer numa hora destas, eu que tenho VERISSIMO na conta de autor dos textos mais sintéticos, bem-humorados, inteligentes — em síntese — ILUMINADOS da imprensa brasileira??? Creio que os jornais estão se auto-destruindo, ou seja, acelerando seu desaparecimento. Todo mundo sabe que sou, como diz Zanin, “uma missionária da celulose e do celulóide”. Neste sábado, 16 de set., andei, sob sol, por 35 minutos, para encontrar banca aberta que vendesse o Correio Braziliense (pois sigo sua cobertura do FEST BRASILIA, religiosamente, há décadas). Percorri o Setor Hoteleiro e, depois, o Setor Comercial Sul inteiro. Nenhuma banca aberta. Um guarda me explicou que aos sábados e domingos, as bancas do SCS cerram suas portas. Só reabrem na segunda-feira. Quando morava em Brasília (de 1970 a 1995) não era assim. Havia bancas em todos os cantos e elas vendiam, especialmente, jornais. Hoje vendem balas, salgadinhos, toblerones, biscoitos, brinquedos de plástico e, às vezes, jornais. Fui encontrar o Correio Braziliense nunca banca famosíssima da cidade, a da Rodoviária (a mais conhecida, junto com a do Lourival, na 108 Sul). Me lembro que, nos meus tempos de estudante de Jornalismo na UnB, comprava o Estadão, lá (na Rodoviária, aos domingos, e ele pesava “toneladas”, pois tinha caderno de classificados gigantesco. Hoje, os cadernos de classificados nos jornais são mirradíssimos. A Banca da Rodoviária era uma festa para meus olhos. Nela comprava os jornais brasilienses, os paulistas, os cariocas (amava o saudoso JB) e os mineiros (principalmente quando o CAM – Clube Atlético Mineiro, meu time de coração junto com o Santos, jogava). Pois bem, ao chegar à banca da Rodoviária, fiquei estarrecida. Havia uma versão tabloide de O Popular, de Goiânia, fui avisada que o Jornal de Brasília não sai mais em papel no sábado e domingo (minha memória registrara apenas que ele perdera a edição de papel no domingo) e ao invés de uma bela amostragem de JORNAIS DE TODOS OS BRASIS, vi raros (e magérrimos) exemplares dos jornais paulistas (Estadão e Folha), carioca (O Globo) e um ou outro exemplar de jornal do Norte (havia um de Manaus) e do Nordeste (um ou dois, se tanto). Capaz de caminhar sob sol ou chuva (com uma sacola de plástico para guardar o jornal de papel – não por saudosismo, pois leio alguns jornais em versão digital) vejo, a cada estado brasileiro que visito, que bancas de jornal se tornam cada vez mais raras. Para minha tristeza – pois adoro ler jornal de papel — a cada dia constato que veículos de informação neste suporte estão mesmo com os dias contados. Com a colaboração de empresários que têm coragem de dispensar a contribuição milionária de VERISSIMO.