NESTA SEXTA-FEIRA SAI O CANDIDATO BRASILEIRO A UMA VAGA NO OSCAR DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO

+ OSCAR + ACADEMIA BRASILEIRA
DE CINEMA + PREMIO BRASIL DE CINEMA

+ CURSO E MOSTRA GUZMÁN + KLEBER MENDONÇA

+ ALUNOS BRASILEIROS DA EICTV
(ESCOLA INTERNACIONAL DE CINEMA
E TV DE SAN ANTONIO DE LOS BAÑOS,
NOS ARREDORES DE HAVANA) PEDEM
SOCORRO: GOVERNO
BRASILEIRO CORTOU
APOIO À INSTITUIÇÃO CRIADA
pelo Comitê de Cineasta Latino-Americanos e
pela Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano,
presidida por Gabriel García Márquez

+ CANDIDATO BRASILEIRO
AO OSCAR + JORGE PEREGRINO
E A REPRESENTAÇÃO
FEMININA E BLACK EM COMISSÕES
Na foto que ilustra esta nota, vemos uma comissão de seleção de Gramado, reunida há mais de 20 anos. Nela estão sete mulheres e três homens. Nem todos integravam o juri. Esdras Rubin, que na época comandava o Festival de Gramado, foi apenas encontrar o grupo e ajudar na infra-estrutura. Hiran Goidanich, o Goida, era o coordenador da comissão. Creio que a seleção foi feita pela carioca Susana Schild, a paranaense Solange Stecz, as gaúchas Fatimarlei Lunardeli e Bia Barcelos, a mineiro-brasiliense (acho que eu ainda morava em Brasília) Rô Caetano…. Completavam o grupo, Goida e o paulistano Luiz Zanin Oricchio. Minha memória não me dá firmeza para afirmar que Vera Carneiro e Leila Drose, que nos recebia na Casa de Cultura Mário Quintana e nos levava até Gramado, integravam a comissão ou estavam lá para nos dar suporte, pois selecionávamos os filmes em película (raros em vídeo). Só parávamos para comer e entrávamos pela noite adentro. O frio era de matar (junho). E o que isto tem
a ver com a escolha do filme brasileiro que buscará
uma vaga no Oscar de “estrangeiro“?? Vou explicar:
HOJE, em O Globo, Jorge PEREGRINO, o “Moutinho” do cinema brasileiro (ou seja, pessoa franca, que diz o que pensa!) deu informações claras ao repórter Fabiano Ristow. O presidente em exercício da Academia Brasileira de Cinema (o titular é o cineasta Roberto Farias) disse que a instituição (agora responsável pela escolha do filme brasileiro candidato a uma vaga no Oscar) tem entre 150 e 200 integrantes, que vem recebendo críticas por ter montado juri com maioria absoluta de homens (seis varões e
uma mulher) e na mesma faixa etária (ausência de jovens). E com a franqueza que lhe é característica, disse que aguarda jovens nos quadros da Academia. Contou
que a anuidade é de R$700,00.
Como cobro presença de mulheres e de blacks em todas as comissões que se formam na área cultural, ao ver o colegiado montado pela Academia, fiz nota bem “fornida” aqui no Almanaque. Houve quem me dissesse (homem, claro!!!!!) que
“uma representante” estava de bom tamanho.
Sem nenhum radicalismo: creio que pelos próximos 500 anos de história brasileira, as comissões deviam ter idealmente seis mulheres e um homem. Quem sabe assim eles percebem como foram, SEMPRE, os donos das comissões, dos postos de gestão, dos dinheiros, do poder, enfim. o Fest Gramado, quando montou esta comissão com 5 mulheres e dois homens, respondia a críticas que recebera pela sub-representação feminina. Dali em diante, nunca mais vi o Festival gaúcho montar comissões de seleção ou juris dominados de forma acachapante só por homens. E Gramado, por situar-se em região de colonização alemã e italiana, tem se preocupado em convidar profissionais black para seus colegiados (mas neste aspecto da representação, o país inteiro carrega DIVIDA brutal).
A matéria do Globo só não toca num ponto: a presença majoritária dos CARIOCAS em tudo que a Academia faz. Sediada no Rio, ela deve ter 80% (ou mais??) de seus 150 (ou 200) associados de uma única origem geográfica: o Rio de Janeiro!!!!. O Norte, Nordeste, Centro-Oeste (e mesmo o Sul) são historicamente sub-representados (quando não AUSENTES) em todos os colegiados. Mês passado, no CineCeará, nasceu a CONNE (Conexão Audiovisual do Norte, Nordeste, Centro-Oeste), desdobramento da Apecênenen (APCNN) — Associação dos Produtores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que busca divisão mais justa de recursos (concentrados de forma brutal no eixo Rio-SP) e, também, representantividade em órgãos colegiados. Torçamos para que a Academia Brasileira de Cinema se espelhe em sua matriz hollywoodiana e deixe de ser um espaço wasp (brancos, anglo-saxões-protestantes). Traduzindo para nossa realidade: “braluca” (brancos, lusos, católicos)… E de faixa etária avançada. Para mim, comissões são boas quando são
múltiplas: reúnem mulheres e homens, negros e brancos, idosos e jovens, nortistas e sulistas, etc, etc….
P.S. 1 – Ferve em Brasília, coluna de um varão sem noção, que escreveu texto sobre estagiária (“Melissinha”) que entrava na redação. Ele não viu na jovem uma profissional do jornalismo, mas sim um decote (somado a atributos assemelhados). O assunto está fervendo. O sem-noção pediu desculpas e a editora-chefe do jornal escreveu texto que recomendo a todos, mulheres e homens.
P.S. 2 — Me contaram que, no primeiro debate do Gauchão, em Gramado, compôs-se mesa só com realizadores brancos. E que o jornalista e crítico Heitor Augusto escreveu texto poderoso sobre a “clara” imagem….
P.S. 3 – Meu candidato brasileiro ao Oscar de filme estrangeiro é “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé. Mas se o escolhido for “Gabriel e a Montanha”, “Como Nossos Pais” ou “Bingo, o Rei das Manhãs”, estará de bom tamanho.
P.S. 4 — Tenho para mim que este ano, o mais forte candidato brasileiro ao Oscar (na categoria Documentário) é NO INSTANTE AGORA, de João Salles. Ou ele não poderá concorrer, já que só estreará em 6 de NOVEMBRO??? O filme tem temática universal (rebeliões no Maio de 68, a Primavera de Praga, a morte de Edson Luiz no Brasil + a China de Mao…). E um filmaço!!!!

+ ARTIGO DE KLEBER MENDONÇA
NA FOLHA DE S. PAULO (14-09-17):
sobre salas de cinema.
Página 3 do primeiro caderno.