*******FEST GRAMADO 2017:
CURTAS NACIONAIS, GAÚCHÃO, VIÑA DEL MAR: 50 ANOS EM DEBATE, CINEMA DA ARGÉLIA, LIRA NETO & AMOS OZ, JERRY LEWIS

FEST GRAMADO 2017 — COMPETIÇÃO DE CURTAS — Os dois primeiros curtas exibidos na competição nacional de Gramado têm mulheres na direção: O ESPÍRITO DO BOSQUE, de Carla Saavedra Brychcy, e POSTERGADOS, de Carolina Markowicz. Carla contou no debate que sua fonte de inspiração para este curta, que dialoga com o cinema de horror, foi “O Espírito da Colmeia”, do espanhol Victor Erice, um de seus objetos de culto. Em O ESPIRITO DO BOSQUE, a menina Joana enfrenta seus medos e entra, sozinha, num lugar em que — segundo estórias contadas pela avó — havia um espírito errante. “No filme de Erice”– registrou a cineasta — “a menininha quer entender a misteriosa figura de Frankenstein. No meu também. Joana, apesar do medo, quer conhecer o espírito do bosque”. Já POSTERGADOS, o curta de Carolina, cujo título nasceu de frase de Fernando Pessoa (“somos cadáveres postergados”) é um filme pouco comum em nossas narrativas curtas: protagonizado, em espanhol (com legendas), integralmente por atores argentinos (liderados por César Bordon) e uruguaios (incluindo Mirella Pascual, de “Whisky”). A jovem diretora de 34 anos confessou seu enorme interesse pelo cinema de fala castelhana, seu encanto pelo humor dos filmes de Almodóvar e também pela ironia argentina. Ela prepara, agora, um longa-metragem, cujo nome provisório é “Quando Minha Vida Era Minha Vida”, que será filmado no Brasil (80%) e na Tríplice Fronteira, com atores brasileiros (Maeve Jinkings foi convidada) e hispano-americanos (incluindo César Bordon). O ambiente temático do novo filme será a “Mafia latino-americana”. O curta anterior de Carolina — a animação EDIFICIO TATUAPÉ MAHAL — já contava com um toque hispano-americano: o narrador falava castelhano (e tinha a voz de um astro platino, o uruguaio Daniel Hendler, ator-fetiche de Daniel Burman). Em POSTERGADOS, há, além dos atores e do idioma de Cervantes, outra marca latino-americana: a canção GRACIAS A LA VIDA, de Violeta Parra, interpretada pela cantora gaúcha ADRIANA DEFFENTI. O filme foi integralmente rodado em Porto Alegre, embora a cineasta (e a produção) seja paulistana. Mês que vem, Carolina vai apresentar POSTERGADOS no Festival de Biarritz, na França. Ao regressar, cuidará, primeiro, da produção de seu novo curta, O ÓRFÃO, recém-premiado pela SPCine. O longa-metragem de alma latino-americana virá a seguir.

*****CINEMA DA ARGELIA — Gramado está buscando, cada vez mais, diálogo com cinematografias estrangeiras. Este ano, além de homenagear o CINEMA DO CANADÁ (com seminário, filmes de animação, etc), o Festival programou um longa da ARGELIA: “Until the Birds Return”, de KARIM MOUSSAOURI. O cineasta veio a Gramado estreitar laços com nossa cinematografia. Vale lembrar que a Argélia é uma das mais importantes economias da África e que tem uma cinematografia de peso. Mas nós a desconhecemos. O mais famoso filme “argelino” que os cinéfilos brasileiros conhecem — A BATALHA DE ARGEL — foi dirigido pelo italiano Gillo Pontecorvo.

*****JERRY LEWIS — A comédia planetária perde um de seus maiores astros: o norte-americano Jerry Lewis. Em Gramado, os mais velhos se lembraram dele por filmes como O Professor Aloprado e por O REI DA COMÉDIA, que Martin Scorsese fez para resgatar o grande cômico de certo ostracismo. Já o público fiel a blockbusters brasileiros evocava ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2, franquia comandada por Leandro Hassum, que teve LEWIS em inusitada participação especial.

*****LIRA NETO — De leitura obrigatória a coluna de LIRA NETO, hoje, na Ilustrada. Ele reflete sobre novo e sintético livro do israelense AMOS OZ. O escritor, dono de pensamento complexo, analisa estes nossos tempos de vozes extremadas, inimigo do pensamento e do que é contraditório. Tudo a ver com a pregação de OTTO GUERRA, no palco do Palácio dos Festivais, ao receber o TROFEU EDUARDO ABELIM. Otto só foi mais restrito em seu alcance geográfico: delimitou sua busca por mais compreensão e reflexão ao Brasil. O autor de ARRAIAL, parte de OS SETE SACRAMENTOS DE CANUDOS, torce para que nosso país se liberte da CULTURA DO ODIO, que o vem paralisando.

*****GAÚCHÃO — Na noite de hoje, domingo, 20 de agosto, Gramado assistirá a mais dois curtas — MÉDICO DE MONSTRO, de Gustavo Teixeira, e A GIS, de Thiago Carvalhaes. Depois, ao longa-metragem AS DUAS IRENES, de Fábio Meira. Não haverá exibição de filme da competição LATINA, porque, historicamente, o domingo gramadense é dedicado à Mostra Gaúcha, o GAÚCHÃO, competição de Curtas que recebem Prêmios (trofeu e somas em dinheiro) da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Criado para fomentar o desenvolvimento do cinema riograndense, o Prêmio da Assembléia é concorridíssimo. As sessões, realizadas nas tarde de sábado e domingo abarrotam o Palácio dos Festivais. Este ano, então, a competição viveu um primeiro dia febril, com filmes como SECUNDAS (sobre ocupação, por estudantes secundaristas, de escola portalegrense, desmantelada com uso de força máxima pela Brigada Militar). O filme foi aplaudido calorosamente. Entre os curtas que devem fazer jus a algum dos trofeus do PREMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA figura MÃE DOS MONSTROS, da jovem gaúcha Julia Zanin de Paula.

*****50 ANOS DE VIÑA DE MAR — Gramado abrirá espaço em sua programação oficial, nesta terça-feira, para debate sobre os 50 anos do Festival de Viña del Mar, o primeiro dedicado à integração do cinema latino-americano. A mesa “A Utopia Vigente do Cinema Latino-Americano” reunirá Alquimia Peña, da Fundação do Novo Cinema Latino-Americano, sedida em Cuba, e o chileno Pedro Zurita. Depois do debate, Zurita, que vive em Nova York, lançará o livro “Road Book del Cine Latino-Americano”, de sua autoria. Já na quarta-feira, 23, será lançado outro livro sobre o cinema latino-americano: HABLEMOS DE CINE (VOLUME I). Trata-se de coletânea dedicada ao Cinema do Peru e América Latina. Os organizadores do livro são Isaac Leon e Federico de Cárdenas (na Sala Diamante do Hotel Serra Azul, 15h00).

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Enviado do Ipad de Rosário