LIVRO-REPORTAGEM REGISTRA A TRAJETÓRIA DE EUSÉLIO
OLIVEIRA (1933-1991), CINECLUBISTA, CINEASTA E
AGITADOR CULTURAL CEARENSE

LIVRO COM A MEMÓRIA
DE EUSÉLIO OLIVEIRA
Finalmente conheci o livro-reportagem
“SARAVÁ! EUSELIO”, de Beatriz Jucá, publicado pela Editora da UFC
(Universidade Federal do Ceará). Mesma editora do livro do Prof.
Regis Frota sobre o Cinema Chileno (no prelo,
ver nota abaixo). Antes de falar do livro de Beatriz, registro aqui, também, o livro do cineasta, pesquisador e professor de Cinema da UFC, Firmino Holanda (“Do Sertão a Saturno — O Ceará no Cinema — 1900-1940”, Editora Interarte). Aliás,
só conheci este livro porque o ganhei de presente de Rosemberg Cariry.
Firmino segue sendo (risos) quase um desconhecido para mim. Raras vezes
o vi de perto. Mais arredio, não conheço. Este ano, pensei que o teria
sentado em mesa de debate, que eu moderaria, sobre seu novo filme,
o documentário BALADA DO SR. WATSON, sobre seu avô, um engenheiro de gás britânico, que casou-se com uma cearense (a avó materna de Firmino). Mas ele não apareceu, nem para apresentar o filme no Cine São Luiz, nem para o debate (pode??, risos). Mas vou ler o livro e continuarei assistindo a seus filmes. Voltei a
FIRMINO HOLANDA por ele ser, em tudo, diverso do efusivo, falante e
hiper-ativo EUSELIO OLIVEIRA (1933-1991), pai do diretor do CineCeará, Wolney
Oliveira, do fotógrafo Eusélio Gadelha Oliveira e de Percília. Tive pequena, mas significativa convivência com Eusélio, pois viajamos, juntos, a Cuba, para uma das edições do Festival do Novo Cinema Latino-Americano de Havana.
No avião ele era o dono da festa, falava, contava histórias, ria,
propunha ideias, enfim, era o centro das atenções. Beatriz Jucá, autora de
“Sarava! Eusélio”, define seu personagem como “um homem que mergulhou na
cultura popular e na própria inconstância para virar folclore”. E mais: “Eusélio é único, mas traz na singularidade um mundo plural, fantástico e intempestivo. Ele não foi pioneiro na cinematografia cearense por coincidência: escolheu ser desbravador. A vontade de ser retratado era uma forma de certificar-se que escaparia na eternidade”.
A autora lembra que Glauber Paiva registrou, para um documentário, longo depoimento de Eusélio. Não concluiu o filme, mas preservou as entrevistas. O jornalista e professor Paulo Mamede explica, na introdução de “Saravá! Eusélio”,
que este volume abre “Coleção da Editora UFC”. Esta coleção destina-se à edição de livros-reportagens sobre figuras que marcaram a história da instituição universitária mais importante do Estado. Depois de Eusélio, viria um cientista, o pesquisador
Abreu Matos, professor emérito da UFC, criador do projeto Farmácias Vivas e
incansável defensor da saúde pública. Tanto a autora do livro quanto seu “apresentador-prefaciador” nos propõem/apresentam um livro-reportagem sobre um homem polêmico, que era amado por uns e odiado por outros. Comunista militante, Eusélio escolheu o terreno do audiovisual como seu campo de batalha. Criou o Cinema de Arte Universitário (hoje Casa Amarela, o mais importante centro de difusão cultural da Universidade). Criou, também, a mostra que deu origem ao CineCeará, realizou filmes de curta-metragem, agitou debates e instituições, teve a alegria de ver o filho Wolney estudar na Escuela Internacional de Cine y TV que San Antonio de los Baños, nos arredores de Havana. Não regressou a Cuba para assistir à formatura do diretor de “Sabor a Mi”, “Milagre em Juazeiro”, “Os ùltimos Cangaceiros” e “Soldados da Borracha” porque foi assassinado estupidamente por um dono de banca de jornal, em sua Fortaleza, em 1991. Tinha apenas 58 anos de idade e mil planos na cabeça.

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