FEST LATINO SP 2017 — COLÔMBIA, CHILE, MÉXICO E CINEMA DA VELA

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FEST LATINO SP 2017:

1. OS NINGUÉM: COLÔMBIA
2. VIDA EM FAMILIA (CHILE)
3. CINEMA DA VELA ESPECIAL
4. DE PEDRO MACHUCA A PEDRO MAPUCHE

A décima-segunda edição do Festival Latino-Americano de São Paulo termina hoje, à noite, com exibição de “No Vazio da Noite”, ficção de Cristiano Burlan, no Memorial da América Latina. Ontem, terça-feira, o CineSesc viveu tarde e noite movimentadíssimos e com ótima programação. Depopis de exibir mais dois documentários do projeto DocTV América Latina, foram exibidos três longas, todos de muitas qualidades. O colombiano OS NINGUÉM, do jovem Juán Sebastián Mesa (foto 1) mostra que o cinema do país de Gabriel García Márquez está mesmo numa ótima fase. O filme, rodado em poucos dias, com jovens habitantes das periferias e morros de Medelín (cidade natal do realizador, nascido em 1985), tem ótimo ritmo, trilha sonora de primeira e roteiro muito bem urdido. Cinco jovens se tornam “irmãos” nas ruas da grande e problemática metrópole. Vivem de trabalhos esporádicos em sinais de trânsito, fumam (e plantam em vasos domésticos) maconha, fazem tatuagens, frequentam manifestações musicais punk, enrolam familiares (uma jovem pega o dinheiro destinado, pela mãe ausente, a gastos em universidade para realizar o sonho de viajar de carona, na companhia dos amigos, quem sabe do Equador à Argentina), e por aí vai. Os “ninguém” são quase nada na paisagem árida, registrada com dura poesia e em sóbrio preto-e-branco. O longa de estreia de Mesa (nascido do projeto de um curta) ganhou o prêmio do público em Veneza e foi premiado também em Cartagena. Tais reconhecimentos o ajudaram a vender mais de 20 mil ingressos durante as muitas semanas em que permaneceu em cartaz. *****Depois de “Os Ninguém”, chegou a vez de VIDA EM FAMILIA, dos chilenos Alicia Scherson & Christian Jiménez. Coube à atriz BIANCA LEWIN (foto 2), do quarteto de protagonistas do filme, representar esta vigorosa produção chilena. Alice & Christian partiram de fonte sólida: um conto do grande escritor chileno Alejandro Zambra (Santiago, 1975), traduzido em dezenas de países (incluindo o Brasil, que o teve como convidado da FLIP). O ficcionista e os dois diretores escreveram o roteiro juntos. Uma história fascinante: um jovem (já chegando aos quarenta!) meio sem rumo, recebe de um primo a tarefa de zelar por sua bela e organizada casa, pois viajará por período largo à França com esposa e filha pequena. Avesso à instituição “família” (em especial filhos), o rapaz pretende usar a estada na casa para conviver com o silêncio e curtir o luto pela morte recente do pai. Mas a tempestuosa (e erótica) chegada de uma jovem mãe e seu filho pequeno ao mundo do “guardador” vão alterar seus planos iniciais. Sexo, inverdades, um gato preto e fujão chamado Mississipi, um nascente (e difuso) desejo de construir uma sólida família… Tudo isto vai se misturar nesta ótima narrativa, de final inesperado e nada banal. ****Enquanto VIDA EM FAMILIA — seguido de ótimo debate com a articulada Bianca LEWIN — corria dentro da sala do CineSesc, o hall, lotado, assistia a mais uma edição do simpático CINEMA DA VELA. O moderador Ivan Finotti contou que a vela durou exatos 75 minutos. Tempo bastante para que a brasileira Jorane Castro (que mostrou seu longa de estreia no Fest Latino: “PRA TER ONDE IR”) debatesse o tema “Novos Rumos do Cinema Latino-Americano” com o chileno Fernando GUZZONI, do poderoso “JESUS” (foto 3/ele sozinho, e 4, do quarteto que conversou até a chama da vela se apagar). **** Para fechar a noite
o polêmico A REGIÃO SELVAGEM, de Amat Escalante, diretor mexicano que fez, à sua maneira, um filme que evoca os desvãos da sexualidade humana, à moda do polaco-francês Andrei Zulawski, no hoje cult “Possessão” (1981, com Isabelle Adjani, no auge da beleza, e às voltas com um monstro que frequentava seus momentos mais íntimos).

*FEST LATINO SP 2017
(NA REVISTA DE CINEMA)

http://revistadecinema.uol.com.br/2017/08/fest-latino-2017-–-ariel-mateluna-de-pedro-machuca-a-pedro-mapuche/

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