O LIVRO DE OFELIA MEDINA, A “FRIDA” DE PAUL LEDUC

O LIVRO DE OFELIA MEDINA
“Ofélia Medina – Un Retrato”, de Avelino Sordo Vichis (ainda não lançado no Brasil), é contido, politizado e avesso a escândalos. Com belo projeto gráfico e muitas e ótimas fotos, esta publicação da Universidade de Guadalajara, que o lançou em março último, em seu Festival Internacional de Cinema, traz o testemunho da atriz, que imortalizou Frida Kahlo no cinema (“Frida, Naturaleza Viva”, de Paul Leduc/1985) e no teatro (“Cada Quién con Su Frida”/2006), desde sua infância, numa família yucateca (da Península de Yucatã), até os dias de hoje, passando por sua iniciação no teatro, sua atuação em telenovelas e sua consagração no cinema. Libertária, Ofélia enturmou-se com hippies e, depois, com militantes de esquerda. Anos atrás (década de 1990), enfrentou barra pesada por seu apoio ao movimento indígena de Chiapas. Quem a socorreu foi o ator Pedro Armendariz Jr (1940-2011), filho do também ator Pedro Armendariz (1912-1963), com quem ela se casou. Na página 80, vemos Ofélia participando de show musicais no Teatro Blanquita, onde se apresentavam, tendo-a como mestre de cerimônia, astros do calibre de Dámaso Perez Prado. Na página 82, a vemos ao lado de Luis Buñuel, cidadão espanhol e mexicano, autor de filmes da grandeza de Los Olvidados, Viridiana e O Anjo Exterminador. Ele foi ao teatro assistir (e dar palpites, se quisesse) a um ensaio da peça “Triángulo Español”, que ela protagonizava. Ofélia conta que Buñuel se divertiu muito com o que viu. Detalhe: o livro de Ofélia tem edição bilíngue: espanhol e inglês. Como Norma Bengell, que tornou-se cineasta (“Pagu” e “O Guarani”), Ofélia Medina prepara, agora, seu primeiro longa-metragem como diretora.

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