CIDADE DE DEUS — NOVO LIVRO DE ALBA ZALUAR,
FREITAS E AILTON BITTENCOURT, o BATATA.

*** LIVRO DE ALBA

ZALUAR & PINHEIRO FREITAS
(“CIDADE DE DEUS: A História de
Ailton Batata, o Sobrevivente”):
Resenha na revista “451”
Só agora li a resenha (assinada por Carolina Correia dos Santos) da nova revista brasileira (dedicada a livros, a “451”) sobre o novo livro que Alba Zaluar escreveu com Luiz Alberto Pinheiro de Freitas e intitulado: “Cidade de Deus: A História de Ailton Batata, o Sobrevivente”. Resenha que parece muito criteriosa, ponderada. Ainda não conheço o livro de Zaluar & Freitas, mas acompanhei, na época do lançamento do filme “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles, 2002), a polêmica em torno de “Batata”, apelido de Ailton Bittencourt, recriado no livro de Paulo Lins (e no filme) como Sandro Cenoura (no cinema, interpretado por Matheus Nachtergaele). Na época, Zaluar viu falta de ética nos produtores do filme, que teriam usado trechos da vida de uma pessoa com existência real, sem pagar por isto. Na resenha, Carolina lembra que, entre outros contratempos, o filho de Batata sofreu bulling na Escola, já que o chamavam de “Cenourinha”.
A resenhista vê fragilidades nos trechos em que Zaluar & Freitas analisam a infância de Ailton e sua opção pelo tráfico de drogas. Escreve: “Talvez certa escassez das memórias de infância de Batata tenha forçado os autores a criar laços narrativos que desembocaram num texto de viés interpretativo raso”
(exemplifica e segue em sua avaliação do livro).
Para afirmar:
“A impressão de veracidade que adquire o romance de Paulo Lins, depois da leitura do livro de Zaluar, Freitas e Batata, é impressionante” (resenha completa na página 20, de “451”, número 2, junho de 2017). Como acompanho, como jornalista, nas 4 últimas décadas, a relação do cinema brasileiro com a História e com a Literatura, creio que Alba Zaluar confunde a relação da ficção (literária ou cinematográfica) com a vida real de cidadãos, sejam eles gente do povo ou personalidades artísticas, científicas, etc. Quando um escritor (ou cineasta) recria num romance (ou num filme) um personagem, vindo da vida real, e dá a ele um nome fictício, ele está agindo com ética. E quem pensa assim é Nelson Pereira dos Santos, um de nossos mais respeitados cineastas. Quando ele realizou a adaptação do volumoso “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos, para o cinema, Nelson tomou a seguinte decisão: personagens com nomes reais (Graciliano, Dona Heloísa, Sobral Pinto, etc) serão assim denominados e se buscará, dentro das margens do exercício ficcional, respeitar suas histórias. Já outros personagens, condensados ou modificados por necessidades narrativas, ganharão nomes inventados. Quando Paulo Lins (e depois Meirelles) chamou Ailton Batata de “Sandro Cenoura”, mesmo que inspirado na vida daquele, agiu com senso ético. Já no caso de “O Que É Isto, Companheiro?”, de Bruno Barreto, a situação complicou-se, pois o cineasta identificou um personagem, com seu nome de guerrilheiro (foi com este nome, o da guerrilha, que ele entrou para a história da luta armada, não com seu nome civil)…

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