OLHAR DE CINEMA 2017 — VI FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURITIBA — Chegou da Turquia um filme de impactante beleza, “Grande Grande Mundo”, de Reha Erdem. O longa, que já passara pela Mostra Horizonte, no Festival de Veneza, e ganhara prêmio especial do Juri, dá vigor à competição curitibana. Protagonizado por dois jovens órfãos — um mecânico de motos, Ali (Berke Karaer) e Zuhal (Ecem Uzum), uma adolescente retirada do orfanato por processo de adoção — o filme ganha rumos inesperados quando ele resolve resgatá-la. Com uma faca na mão, Ali invade a casa onde a menina vive e esfaqueia quem se interpõe à sua frente. Consumado o crime, a fuga (na moto do jovem) os levará a viver em uma cabana improvisada na floresta. Com imagens belíssimas, um roteiro lacunar e sem apelo a soluções fáceis, o filme nos arremessa na vida precária dos dois fugitivos. A natureza divide, com a dupla, papel central na narrativa. O tom da narrativa é realista, temperado com atmosfera fantástica. O sétimo longa-metragem de Reha Hardem nos revela, também, espaços urbanos pouco vistos em nossas telas e nos espanta com a presença de uma cantora mirim (uma espécie de Xuxinha turca), anunciada com insistência por carro alto-falante como fenômeno da música folk local. E os versos que ela canta, e bem, por sinal, são de sofrência adulta, portanto, inusitados na voz de uma criança. Abrir espaço nobre para filme tão denso (e originário de cinematografia da qual conhecemos tão pouco) só amplia a importância do Olhar de Cinema.

Enviado do Ipad de Rosário

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