Rô Caetano
Maria do Rosário Caetano
Blog: almanakito.wordpress.com

GARRINCHA + DIONISIO + PORNOCHANCHADA + FLIP + CRITICA DE CARLOS A. MATTOS: “REAL”, O FILME

***OS CRIADORES DE
ALGUNS TERMOS:
No e-mail que me mandou, ontem,
o crítico Ely Azeredo deu paternidade a mais um vocábulo corrente na história do cinema brasileiro:
. Pornochanchada: por Jece Valadão (que assim definiu — inapropriadamente, convenhamos, “Os Cafajestes”)
. Cinema Novo (criação do próprio Ely Azeredo)
. Relembro que “Nordestern” (o faroeste cangaceiro) é
uma criação de Salviano Cavalcanti de Paiva

** GARRINCHA E A
TRAGÉDIA DA POBREZA:
Ontem, preparando perfil da cineasta Beth Formaggini, separei o nome de um documentário, feito para RAI, por Paulo Cezar Saraceni, no qual ela foi produtora-executiva (“Garrincha Uccellino di Dio”) para mostrar a Zanin. Hoje, leio no jornais (e ouço nos programas esportivos radiofônicos), que os ossos de Garrincha desapareceram no Cemitério de Magé (Majé?). O jogador, um dos maiores do mundo, foi enterrado, mas seus familiares, muito pobres, necessitaram do túmulo para colocar outro morto. Retiraram os ossos da “alegria do povo” e não sabem onde foram colocados. Como é que a Federação Carioca de Futebol e a CBF não ergueram um túmulo de granito ou mármore, para Garrincha, o “passarinho de Deus”?
A miséria (moral e financeira) nos persegue
como um pesadelo.

**** Colabore com o filme de
UGO GIORGETTI sobre o
economista PAUL SINGER

****FLIP 2017 (PARATY
MULHER E BLACK):
O que pode fazer e faz uma curadora do sexo feminino. A escritora e professora de Literatura, Josélia Aguiar, escalou 24 escritorAs e 22 escritores para Flip, em Paraty, no mês de julho. E 30% black. Nunca houve nada igual. Os mais efusivos cumprimentos à curadora, que assim presta justa, embora tardia, homenagem à memória do escritor Afonso Henriques LIMA BARRETO (o homenageado do ano).

***NESTE DOMINGO, À NOITE:
O SENHOR DAS JORNADAS:
A TV Educativa da Bahia começa a exibir série de cinco capítulos sobre a Jornada de Cinema da Bahia, seu criador Guido Araújo e o Cinema Baiano. Com Nelson Pereira dos Santos, Sílvio Tendler, o performático Edgard Navarro, Pola Ribeiro, Alba & Chico Liberato, Sofia Federico e muitos outros.

***LIVRO DE MAX BARRO
sobre a presença italiana no cinema brasileiro.
Onde comprá-lo???????????

**** BELO TEXTO DE FRED COELHO,
em O Globo (31-05-17) sobre “Terra em Transe”
e o Brasil de nossos trágicos dias.

******O ATOR, DIRETOR
E DRAMATURGO DIONISIO NETO
LANÇA VOLUME 1 DE SUAS PEÇAS
REUNIDAS, DIA 12 DE JUNHO
Título: “DESEMBESTAI!”

NO BAR BALCAO, EM SAMPA, DIA DOZE DE JUNHO
convite – Lançamento, Desembestai! – peças reunidas vol. 1 de Dionisio Neto

* “REAL”, O FILME

Minha sugestão de títulos
para o texto abaixo, de autoria
de Carlos Alberto Mattos:

“O pequeno monstro neoliberal”
ou, apesar da rima
Um projeto de Napoleão tropical

“REAL”, O FILME — “O PLANO
POR TRÁS DA HISTORIA”

POR CARLOS ALBERTO MATTOS

“Fernando Henrique, você tem que pensar em alguma coisa”. A frase dita por Itamar Franco (Bemvindo Sequeira) a certa altura de REAL – O PLANO POR TRÁS DA HISTÓRIA, dá uma ideia do nível de banalização a que o filme submete esse episódio da história econômica brasileira. A criação do Plano Real, segundo o filme, foi uma maratona de discussões inflamadas entre homens firmemente dispostos a “salvar o Brasil”. Itamar aparece estranhamente enérgico, enquanto FHC, Malan e outros próceres do tucanato quase desaparecem em benefício do protagonista, Gustavo Franco.

O filme é conceitualmente desastroso ao tentar aplicar a fórmula de thrillers financeiros americanos (como “Wall Street” e “A Grande Aposta”) ao contexto brasiliense. Alguns lances chegam a parecer satíricos, como a caminhada em câmera lenta dos “homens de preto” ou o discurso de Franco em defesa do Plano numa manifestação de adversários. Essas liberdades de representação descolam o filme de um maior compromisso com os fatos, acomodando-se melhor na faixa da recriação ficcional.

Cabe reconhecer que REAL permite também uma leitura mais ambígua dos acontecimentos. Se reafirma a importância do Plano, não escamoteia os seus efeitos adversos, nem a quebra da economia brasileira no segundo mandato de FHC. Vários diálogos evidenciam como o povo era um joguete na boca dos tucanos. Gustavo Franco ocupa o centro dramatúrgico como um herói problemático, pequeno monstro neoliberal que não hesita em sacrificar amores, amigos e até o seu amado mercado em prol de ambições pessoais. Em dado momento, ele até sugere um paralelo com Napoleão.

Tecnicamente, o diretor Rodrigo Bittencourt (também autor de grande parte da trilha roqueira) se segura no ritmo, na manutenção de movimento constante e em algumas boas performances. Emilio Orciollo Netto como Franco, Juliano Cazarré como um senador petista genérico e Arthur Koll com voz idêntica à de José Serra têm atuações particularmente sugestivas. Em compensação, Cassia Kis como a repórter de TV que deveria empurrar a narrativa, ao contrário, empaca o filme sempre que aparece.

Entre cenas ridículas e caracterizações de alguma complexidade, REAL acabou me parecendo menos ofensivo do que eu esperava, embora mais caricato do que foi o Brasil dos anos 1990.

Carlos Alberto Mattos
www.carmattos.com
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www.faroisdocinema.com.br

No dia 30 de maio de 2017 às 20:16, Rô Caetano <marosario@uol.com.br> escreveu:

Lançado com 176
cópias, filme fez apenas
27.260 espectadores,
média, muito baixa,
de 155 por sala.

Abaixo, a crítica do Zanin. bjs rô

“REAL”, O FILME — CRITICA DE

LUIZ ZANIN ORICCHIO (BLOG ESTADÃO)

http://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-zanin/inflacao-de-cliches-em-filme-sobre-o-plano-real/

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