FRIDA KAHLO, DIEGO RIVERA, REVISTA CULT 210 + TEIXEIRA COELHO + FRANCISCO DALAMBERT + WALNICE NOGUEIRA GALVAO

****** FRIDA E DIEGO:
Como você sabem, o México tomou conta da minha vida. Só penso no país que, lá no norte, encerra a América Latina. Paixão tardia. E estas são fortes! (risos). Desde que voltei que vejo ou revejo dezenas de filmes, leio livros (Viva!, do Patrick Deville,
“O Espelho Enterrado”, do Fuentes, “Ofelia Medina – um Auto Retrato”)… Entre os filmes, revi até Vera Cruz, do Aldrich, para curtir as pirâmides de Teotihuacán. Hoje, escrevendo um texto sobre SILVIA PINAL, a atriz de Buñuel em Viridiana, O Anjo Exterminador e Simão do Deserto, dei um grito: “Zanin, olhe aqui, Paulette Godard (Tempos Modernos) foi dirigida por Emilio “Índio” Fernandez. Arrume um jeito d’eu ver este filme, “Do
Ódio Nasceu o Amor” (“The Torch”, 1950). Zanin ri dos meus rompantes, mas dá um jeito de satisfazer meus desejos… E o que isto tem a ver com Frida & Diego???? Bem, li no livro VIVA!” (“um romance sem ficção”), que Paulette Godard (1910-1990) foi amante (prefiro namorada) de Diego Rivera. Ela, Maria Félix, Cristina Kahlo, etc, etc. Mas como, pensei, esta mulher tão linda e tão casadoira (teve vários maridos, entre eles, Charles Chaplin) foi namorar o volumoso Rivera???!!! Ela era quase 24 anos mais nova que ele!! Bem, ela foi trabalhar com Emilio “Índio” Fernandez e, decerto, aproveitou a ocasião para namorar o fauno azteca.
Frida morria de ciúmes do marido, mas também era namoradeira. Namorava homens (como Trotsky) e mulheres… Tempo bom aquele em que eles viveram (anos 1930, 40 e parte dos 50). Nada a ver com caretice que vem se esparramando pelo mundo… Mas esta nota existe para ir além de quem namorou quem. Na verdade, entre minhas leituras (tardias) uma foi a Revista CULT, número 210, Ano IX (março 2016), encapada por Frida (saiu há mais de um ano, comprei, mas só li agora). E, para meu espanto, vi dois grandes críticos — Francisco Alambert e Teixeira Coelho — de Artes Plásticas elogiando Frida… E, um deles, T. Coelho, detonando Diego Rivera. Quando conheci “Frida, Naturaleza Viva”, de Paul Leduc, em 1985, na Jornada da Bahia, apaixonei-me pela história e obras da dilacerada (por problemas de saúde) Frida Kahlo (nada a ver com Madonna, que passou a cultivar Frida e ajudou a divulgá-la massivamente, nos EUA, nem ao filme protagonizado por Salma Hayek. O filme de Salma que eu amo chama-se “O Beco dos Milagres”). Nos anos 1990, eu trabalhava no Jornal de Brasília e sugeri uma capa do caderno cultural com Frida. Toparam, mas me pediram que ouvisse críticos de Artes para que avaliassem a obra dela. Ouvi — salvo engano — Aracy Amaral, Angélica de Moraes e Olívio Tavares de Araújo. Um deles destacou a obra da artista mexicana que considera a mais impactante: uma em que ela substitui a própria e avariada coluna vertebral por uma coluna grega… O tempo foi passando e as obras de Frida (e sua trágica e curta vida: 47 anos) foram virando febre entre as mulheres. Principamente entre nós, as feministas. Frida merece todo o interesse que a cerca. Só achei que Teixeira Coelho foi intransigente na análise da obra de Rivera. Chamou-o de oportunista e termos assemelhados. Se o professor da USP fosse devoto, como Verissimo, de Nossa Senhora do Contexto, seria mais tolerante com a obra do grande muralista mexicano. Quando pintou os murais da SEP (Secretaria de Educação Pública), nos anos 1920, Diego atendia a apelo do secretário José Vasconcelos, para participar de grande esforço de democratização educacional
e cultural em um país varrido por sangrento processo revolucionário… Um país que contava com 80% de analfabetos…..Bem, estive em três locais onde os murais e paineis de Rivera (Palácio Nacional, Palácio de Belas Artes e SEP) são o foco de todas as atenções. Vi milhares de turistas do mundo inteiro admirando suas obras e vi, também, crianças e adolescentes uniformizados, visitando seus imensos trabalhos. Todos, muito interessados… Mesmo tendo passado décadas e décadas (nos anos 2020, os murais da SEP se tornarão centenários)….. Ah, na
CULT 210, há artigos de Walnice Nogueira Galvão e Angélica de Moraes. Hélder Ferreira entrevista Alambert e Teixeira Coelho…

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