+ OSCAR NO ANO DA GAFE MONUMENTAL + A QUALQUER PREÇO + O.J.: MADE IN AMERICA + CARTOLA + LIVRO DO LIRA NETO + JOÃO BOSCO & ALDIR (CAÇA À RAPOSA) + AS MIL E UMA ALDEIAS

**** AINDA O OSCAR DA
GAFE MONUMENTAL
Além da Carta Capital, que dedica 4 páginas à monumental falha na entrega do prêmio principal (“só Sammy Davis Jr havia anunciado prêmio com envelope errado, mas era de categoria secundária: trilha sonora”), o carecão mais cobiçado do cinema é tema hoje de gostava coluna de Artur Xexeo (O Globo-05-03-17). Ele acompanha a trajetória dos principais filmes da disputa e também revela que o longa que mais o agradou foi “A Qualquer Custo”, um western contemporâneo, ambientado no Texas profundo, tendo a crise financeiro-imboliária de 2007 como tempo histórico. Dos nove candidatos ficionais, este era o filme que Zanin e eu mais gostamos. Junto com o triste “Manchester” e “Moonligth”. Mas o nosso filme, para valer, nesta temporada, foi O.J.: MADE IN AMERICA. Se a Academia não dividisse ficção e documentário, este seria “o” filme do ano. O assistimos inteirinho, sem perder um minuto que fosse de suas quase oito horas. Que retrato profundo e complexo da América do dinheiro, das celebridades, do crime…!! Mas voltando ao ótimo “A Qualquer Custo” — o preferido de Ely Azeredo e Mário Sérgio Conti — registro que está nele a melhor e mais reveladora sequência dos filmes ficcionais da temporada: aquela em que o personagem de Jeff Bridges chega a um restaurante (texano claro) de beira de estrada, para comer. Ele aguarda o cardápio. A garçonete, já bem chegada nos anos, avisa, brusca, que só tem um suculento bife
(t-bone), que ali não tem frescura, nada para agradar novaioriquinos que chegam pedindo algum pescado. O filme sintetiza numa cena, esta, a alma profunda dos EUA que elegeram Trump: terra de macho, que come carne, usa arma na cintura e despreza as frescuras dos intelectuais e artistas de Nova York (ou San Francisco)… Zanin adora outra sequência da qual deve ter falado no blog dele, mas que não me marcou tanto…

***POR FALAR EM MARCAR
Lembro, tardiamente, de matéria que saiu na capa do Caderno 2, do Estadão, tendo como tema o primeiro volume sobre “o Samba”, do cearense Lira Neto. O autor do texto, Júlio Maria — (eu tinha lido amplo material em O Globo, que arrebentou com um fotaço em sua capa principal, e também no Eu-Valor Econômico e na Folha) — me deixou abismada ao reproduzir texto referente a Cartola: “Eu tinha gonorréia, cancro duro, cancro mole, mula, cavalo, o diabo; gemia o dia inteiro naquela cama” (o autor da lírica “As Rosas Não Falam”, era, naquela época, um jovem que vagava pelas ruas sem destino, subindo e descendo morro e dormindo em vagão de trem, depois de ver a mãe morrer e de ser expulso de casa pelo pai)…… Ainda não li o livro de Lira Neto (mas quero ler). Em todas matérias jornalísticas que li, o autor afirma: suas pesquisas desmontam as histórias românticas que cercam os sambistas que vieram do morro… Já estou preparada para tanto (mas sei que vai doer). Mas o que mais me impressionou — depois da declaração de Cartola, da qual desconheço a fonte — na matéria do Estadão, foi o trecho em que Lira Neto (biógrafo de Padre Cícero, José de Alencar e Getúlio) revela a fonte principal de suas pesquisas: “Fui buscar as ocorrências (policiais) nos arquivos das pretorias do Rio, que estão sob a guarda do Arquivo Nacional. Consegui lá dados pessoais como nomes e filiação, além do fato que os levaram (os sambistas) a ser fichados”. *****ZUZA HOMEM DE MELLO está concluindo um livro sobre o Samba-Canção. Depois, creio, ele retomará a atualização do livro (de Arley Pereira) sobre CARTOLA. Deverá encontrar, claro, nas pesquisas de Lira Neto, farto material para cobrir imensa lacuna que obscurecia a vida do genial Cartola.

***JOÃO BOSCO, EUMIR DEODATO:
Com o spotify, ouvimos o que queremos, na hora que queremos. Sou de ouvir pouca música, pois ando sonhando com o silêncio (quem tem dor de cabeça é assim!!, infelizmente). Mas Zanin é melômano total. Só ouço música com ele na hora dos nossos almoços caiçaras. Quando estou com dor de cabeça, ele sabe que eu só consigo ouvir TEMPO FELIZ, do Baden (aquele em que — diz Gudin — Deus tocou com o violonista). Semanas atrás, reouvimos (quase) todos os discos do Tom Jobim. Elis & Tom, então!!!! Depois, no embalo do SAMBALANÇO do Tárik, ouvimos os 5 discos do Orlandivo (de quem eu conhecia, se tanto, Bolinha de Sabão e o Sambaflex, esta via programa do mesmo Tarik na Rádio Cultura), Ed Lincoln, Durval Ferreira… Hoje vamos ouvir Eumir Deodato. Mas ontem, pedi a Zanin para localizar CAÇA À RAPOSA (Bosco & Aldir), um dos discos que mais ouvi na minha juventude… Depois queria ouvir o disco afro-árabe de Bosco: As Mil e Uma Aldeias (acertei o nome??). Zanin, que entende tudo do mundo digital — eu não entendo nada! — localizou os dois em 1 segundo. Gente, o que é “Caça à Raposa”?? Cantamos a maioria das faixas, passados uns 40 anos — pois o disco (quase) inteiro estourou. João & Aldir estavam no auge de suas criatividades. E que belo é ALDEIA!! Grande João de Ponte Nova-e-Ouro Preto.

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