SAMBALANÇO – A BOSSA QUE DANÇA: LIVRO DE TARIK DE SOUZA.
AGUARDEMOS O FILME DIRIGIDO POR FABIANO MACIEL

***”SAMBALANCO,
A BOSSA QUE DANÇA”
+ “MPBambas” (EM DOIS VOLUMES)

******** Com a leitura já bem avançada de

“SAMBALANÇO, A BOSSA QUE DANÇA”,

livro de Tárik de Souza, recém-lançado pela Kuarup —

e que em breve vira filme de Fabiano “A Vida é Sopro”

Maciel — registro aqui abaixo algumas

considerações sobre o material lido:

*** MAKING OF PÓSTUMO

Quando Conceição Senna

lançou o longa documental BRILHANTE, um

documentário sobre o processo de criação

de “Diamante Bruto” — filme protagonizado por José Wilker e Gilda —

Orlando Senna (cineasta, roteirista, gestor cultural e marido de Conceição, atriz de “Iracema” e vários outros filmes) cunhou expressão muito feliz para definir o que veríamos: UM MAKING OF PÓSTUMO (tão boa quanto o CURTA PORTFOGLIO,

expressão cunhada por David França Mendes, creio que na revista TABU ou no JB).

Pois, com certa liberdade — já que no terreno editorial e não imagético (embora

o filme de Fabiano & Tárik esteja em fase de finalização) — recorro ao “making of póstumo” para definir SAMBALANÇO, A BOSSA QUE DANÇA. Afinal o livro (e, em breve, o filme) volta ao passado para estabelecer as bases sonoras e culturais de um “movimento” musical-dançante… Um movimento que não foi percebido como tal nem por seus principais artífices (Ed Lincoln, Orlandivo, Durval Ferreira, Djalma Ferreira, Eumir Deodato, Elza Soares, Miltinho, Sílvio César, Laffayette, Dóris Monteiro, Waltel Branco, João Roberto Kelly, o “via cubana” João Donato, etc). E menos ainda pela imprensa, ocupada primeiro (e merecidamente) com a Bossa Nova e, depois, com os ídolos juvenis da Jovem Guarda. Os sambalanceiros eram gente que ganhava a vida em bailes de subúrbio. Faziam música para os que moravam na Tijuca (e além dela) gastar energia em noites de muito agito corporal. Não frequentavam teatros. ORLANDIVO diz que a Bossa Nova foi feita para ser OUVIDA e o sambalanço para ser DANÇADO. Estas e outras ótimas histórias movimentam o livro de Tárik.

** REVISTA DA USP — Além de um ensaio sobre o Sambalanço, que Tárik de Souza escreveu para a Revista da USP, em 2010 (e que foi ampliado), o livro traz entrevistas e verbetes dedicados aos principais personagens do “movimento” ignorado como tal até por seus artífices. E mais: enumera os 80 discos que registraram os principais compositores, instrumentistas, arranjadores e cantores de sambanço (alguns poucos são discípulos contemporâneos). Os clássicos do “movimento” foram gravados entre 1962 e 1970. Seria um complemento notável a inclusão de um CD com os programas sobre Sambalanço que Tárik gravou para a Rádio Cultura de SP (ou foi para Rádio MEC, do Rio de janeiro?? Ouvi-os na Rádio Cultura).

**SAMBALANÇO NO CCBB-RIO — Em 2003, o instrumentista, chorão, professor

de música e produtor cultural Henrique Cazes promoveu série de shows de

Sambalanço no centro do Rio, na bela sede histórica do Centro Cultural Banco do Brasil.

Foi a primeira vez, lembra Tárik, que o cearense-carioca Ed LINCOLN viu uma platéia sentada para ouvi-lo. Nunca se apresentara, antes, num lugar onde não houvesse espaço para DANÇAR. Lincoln, que morreu aos 79/80 anos (em 2012), é, junto com o catarinense-carioca ORLANDIVO (que se foi, aos 79 anos, no último oito de fevereiro), a alma do livro de Tárik. (Estes shows foram gravados por Fabiano Maciel: será que o documentário que leva o nome do livro terá sua pre-estreia no Festival É Tudo Verdade, que acontece de 20 a 30 de abril???). Aguardemos.

*** SAMBALANÇO: Tarik abre o livro citando verbete de

NEY LOPES & LUIZ ANTONIO SIMAS (leram a entrevista dele ao

Estadão, na coluna de Sonia Racy, uma semana atrás?? – volto

a recomendar) no DICIONÁRIO DA HISTORIA

SOCIAL DO SAMBA, Ed. Civilização Brasileira, 2015.

**Nos últimos dias

almoçamos, Zanin e eu,

ao som dos cinco discos de

ORLANDIVO, mais alguns de ED Lincoln e outros sambalanceiros.

Destaque especial do SAMBAFLEX (Deckdisc, 2005).

Todos disponíveis no spotify. O prefácio do livro de Tárik é de Zuza Homem de Mello.

E Tárik repito — eu que sou leitora dele desde os tempos históricos do JB — adjetiva como ninguém: “a inoxidável Garota de Ipanema”, “o disco anfíbio”… e por aí vai.

*** O CANAL BRASIL é parceiro da KUARUP no

outro livro de Tarik, recém-lançado, “MPBambas” (em dois volumes).

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