DOCUMENTÁRIOS BLACK NO OSCAR + O DIA EM
QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA (CUBA)

****NO ESTADÃO (CADERNO DOIS):
A FORÇA DOS FILMES BLACK NO

OSCAR DE MELHOR DOCUMENTÁRIO:

Nas últimas semanas, Zanin

e eu nos dedicamos a assistir

aos 4 longas documentais da safra de

5 que disputam o OSCAR

na categoria. Já conhecíamos o

italiano — e belíssimo — FOGO NO MAR,

de Gianfranco Rosi. Começamos por

A 13a EMENDA (Ava DuVernay,

EUA, a mesma de “Selma”) — que abre

espaço nobre para refletção sobre os males trazidos por

“Nascimento de Uma Nação”, de Griffith.

Aí nos preparamos para

o maior desafio: assistir às quase 8 horas de

O.J.: MADE IN AMERICA (Ezra Edelman, EUA). Confesso que não estava muito animada. Sabia que o filme (nascido como série de TV) vinha ganhando todos os prêmios… Mas — pensei — não entendo nada de futebol americano e será que O.J. Simpson merece um filme de quase oito horas, dividido em cinco partes??? Foi só

assistir à primeira (parte) para nos apaixonarmos, Zanin e eu, pelo documentário.

Se pudéssemos, teríamos visto o filme inteiro num só dia, mas o bom senso nos recomendou que o víssemos ao longo de cinco dias. Um magnífico e poderoso mergulho na vida de um homem negro, belo (mix de Al Jarreau com Sidney Poitier) e ambicioso. Um jovem pobre que conheceu a fama, rios de dinheiro e belas mulheres depois de tornar-se um dos maiores craques do futebol americano. E que virou “ator” de cinema (Inferno na Torre, Corra que a Polícia vem Aí 1, 2, 3….) e figura permanente nos jornais, rádios e TVs dedicados a CELEBRIDADES. E que matou (mas foi inocentado) a mulher e um amigo dela. Um black que nunca se envolveu com a causa negra. Passou ao largo.

Até sentar-se (“militando” de maneira oportunista e superficial) no tribunal do juri.

O filme mergulha fundo nesta contradição de O.J. Simpson. E na luta dos negros norte-americanos por seus direitos civis. Mergulha também e profundamente na loucura do culto à celebridade nos EUA, em especial em Hollywood, para onde o astro se mudou. O riquíssimo material de arquivo levantado pelo filme nos deixa em estado de total espanto. A gente custa esperar o dia seguinte para ver outra nova parte. *******Depois

de “O.J.”, assistimos ao poderoso filme franco-belga (+EUA) “Eu Não sou Seu Negro”, do haitiano Raul Peck (em cartaz nos cinemas brasileiros, a partir de hoje). Outro mergulho nas entranhas da luta dos negros pelos direitos civis (pelo olhar do dramaturgo e ativista James Baldwin). ****Por último, assistimos ao filme A VIDA ANIMADA (Roger Ross Williams/EUA) sobre um jovem autista e sua relação com os desenhos animados da Disney. ****Depois de ver os três filmes BLACK da competição documental, há que se constatar: o melhor da disputa está nesta categoria (DOCUMENTARIO). Nela, sim, a maioria dos filmes é NEGRA e de excelente qualidade. Até agora, dos filmes do

Oscar (melhor ficção)

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