IMPRENSA DE PAPEL: COLUNA “FILMES NA TV” + MILTON HATOUM:
DOIS DESTINOS + DOIS IRMÃOS

*****IMPRENSA DE PAPEL: COLUNA “FILMES NA TV”

+ MILTON HATOUM:

DOIS DESTINOS + DOIS IRMÃOS

****NO ESTADO DE MINAS (EM)
MILTON HATOUM: DOIS
DESTINOS + DOIS IRMÃOS

Amigos:
Tive o prazer de ler, em papel, o caderno especial de oito páginas (com imensa chamada na capa principal) que o EM (Estado de Minas, 22-01-2017) dedicou à crise penitenciária em Manaus e, ao mesmo tempo, ao livro “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, cuja história principal se passa na capital amazonense e que foi transformada em minissérie, sob direção de Luiz Fernando Carvalho, pela Rede Globo. Tenho convicção de que o material será finalista às principais categorias (nacional/regional) do Prêmio ESSO de Jornalismo (depois de breve hiato, o Prêmio voltou, não????????).
O tipo de jornalismo praticado pela equipe do EM (repórter de texto, repórter fotográfico e mais o responsável pelo material para a versão digital do diário mineiro) está, infelizmente, desaparecendo no Brasil. ***Incrível a história, registrada pelos três repórteres, da avó e mãe manauaras com um filho-presidário morto aos 22, 23 anos e o filho (e neto) pequeno para criar (6 anos)… A abordagem do tempo presente, com seus gravíssimos problemas, foi feita, mas sem esquecer o passado (equipe, portanto, fiel a Nossa Senhora do Contexto, padroeira do grande Luiz Fernando Verissimo). A entrevista do MILTON HATOUM, que fecha o caderno especial, é de antologia. Que consciência SOCIAL e política tem o escritor. Coisa rara!!!
*******Fiquei, em vão, esperando (de nossos grandes jornais) matérias mais aprofundadas sobre a crise penitenciária…. Esperei, também, um acompanhamento jornalístico mais profundo sobre a esposa brasileira que, junto com um policial militar, matou o marido, embaixador da Grécia… E, em especial, aprofundamento sobre a trajetória dos dois rapazes de São Gonçalo, o que está preso e o que fez o “gato” na Copinha São Paulo. Quantas “peneiras” eles enfrentaram? Estudavam? Em que ambiente cresceram? Por que um deles foi parar na prisão? … Nestes dois crimes há GRANDES histórias humanas a serem contadas.
Mas nosso jornalismo está vivendo (e cada dia mais!) fase centrada na intriga palaciana (ou “congressiana”) e no denuncismo, que rende muitas manchetes. Já o não-sequenciamento de processo judicial, por falta absoluta de provas, vira pé de página. Sem esquecer os FACTOIDES (nossa imprensa ama o factóide!!!).
E segue, assim, o nosso periodismo, com exceções como este maravilhoso caderno especial do EM, “DOIS DESTINOS-DOIS IRMÃOS”.
*** COLUNA DE FILMES NA TV
Semanas atrás, quando a Folha de S. Paulo afastou o crítico Inácio Araujo da coluna FILMES NA TV, lamentei profundamente (até registrei meu protesto junto à Ombudsmam). Era leitora assídua da coluna e nela descobri excelentes sugestões para assistir a dezenas de filmes e a programas da série francesa “Filmes da Minha Vida”… Fico na lembrança mais recente:
“Quelé do Pajeú”, de Anselmo Duarte (1971). Este filme estava desaparecido há décadas. Até que um pesquisador brasileiro teve notícia de cópia legendada em italiano, na Cinemateca Portuguesa. Arrumou recursos para pagar versão digital em alta definição e o Canal Brasil exibiu o filme. Se não fosse a coluna do Inácio, eu teria perdido a sessão, pois a oferta de filmes na TV (aberta, a cabo, Netflix, Now e o escambau) é avassaladora. Pois bem, no lugar da coluna “Filmes na TV”, a Folha criou uma colcha de retalhos sem personalidade, chamada “Multitela”. Quem comparar a nova coluna com sua similar, no Estadão (assinada por Luiz Carlos Mertem ou por Ubiratan Brasil) verá que o “material genérico” da Folha está levando goleada. Enquanto o novo formato
(o tal Multitela) faz indicações “qualquer coisa”, a coluna do Estadão nos fornece pequenos comentários sobre filmes (e programas) que passam por breve avaliação de quem assina a coluna. E são, na maioria absoluta das vezes, produções diferenciadas, de empenho artístico-cultural.
Por isto, pergunto: Faz sentido, na imprensa “de papel”, em tempo de internet que divulga tudo sem nenhum critério, oferecer textos anódinos e genéricos?? Eis a questão.

Assinado
a “missionária da
celulose e do celulóide”, rô

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