FERNANDA TORRES E OS INDIOS + GUZMAN & CARELLI
+ RAIO CREPUSCULAR, EM SANTOS

*******FERNANDA

TORRES E OS INDIOS:

Todo começo de ano, tento dar fim ao conteúdo de imensas sacolas cheias de jornais e revistas, acumuladas ao longo do ano e divididas entre SP e Santos. Hoje, enfrentando umas oito ou nove sacolas imensas, nesta chuvosa terra caiçara, chegou um momento em que parei de olhar o conteúdo de cada uma, pois não consigo jogar muita coisa fora… A sacolas continuariam cheias.. Mais eis que… me deparei com um artigo da atriz e roteirista (de JUÍZO FINAL, terror que Andrucha Waddington acaba de filmar e do qual Lima Duarte, um dos atores, me falou muito bem) e salvei-o (felizmente). Afinal, trata-se, na minha opinião, do momento mais luminoso de tudo que Fernandinha, a articulista, publicou na Ilustrada. O texto — FATALISTA (24-06-2016) — lembra que nutria, ao pensar no futuro dos povos INDIGENAS, ideia marcada pelo fatalismo. Eles iriam mesmo desaparecer. Cita José Bonifácio (entre outros) que viam os índios como “vagabundos” que atrapalhavam o progresso. No final dos anos 1980, Fernanda e equipe, sob o comando de Ruy Guerra, foram para o Xingu, filmar Kuarup, a partir do romance de Callado (Quarup). Nosso Callado, que tornar-se-ia centenário semana que vem, se conosco ainda estivesse. Foi a primeira aproximação da atriz com o mundo indígena. Depois, “descobertas recentes”, vieram com a leitura de Claude Lévi-Strauss, Eduardo Viveiros de Castro, Manuela Carneiro da Cunha e uma publicação (“A Queda do Céu”), do xamã Yanomani Davi Kopenawa. E mais: o trabalho de Ernesto Neto e o filme colombiano “O Abraço da Serpente”… E Fernandinha conclui: “O fatalismo com que eu enxergava o futuro dos índios, agora, me olha no espelho”.

E há mais dois torpedos de altíssima potência para enriquecer e complexificar ainda mais o belo artigo da atriz: os filmes

“O Botão de Pérola”, do chileno Patrício Guzmán, e “MARTÍRIO”, o filme imprescindível de Vincent Carelli e seus jovens colaboradores.

**** RAIO CREPUSCULAR

Outro recorte de jornal que salvei da devassa intitula-se “Fenômeno no céu é admirado no Centro” (de Santos). Trata-se da capa do jornal A Tribuna (da Baixada Santista) de 31-01-2009 (portanto, há 8 anos) e de matéria explicativa da razão do “vermelhume” que tomara o céu da cidade. Eu nasci no interiorzão de MG, depois mudei-me para Brasília. E, depois, para São Paulo. Então, o mar nunca fez parte da minha vida. Só o conheci aos 19 anos, quando passei minhas primeiras férias no Rio (com meu salário de professora de Comunicação e Expressão na sexta série de um colégio de Ceilândia, cidade-satélite de Brasília). Visitei praias em muitas regiões de país e algumas no exterior. Todo mundo sabe que, para mim, o paraíso está em Tambaba, a praia de nudismo (ou sem nudismo) paraibana. Mas voltando ao começo: passar três meses em Santos, no verão é enfrentar ventos forte (moramos no décimo-terceiro andar), ver a maresia corroer tudo (de tênis a fósforo!!!): nunca tinha visto isto em minhas três cidades-moradias (Coromandel-MG-Brasília-São Paulo). E, agora, conheço este tal (e maravilhoso) “Raio Crepuscular” (será que é “parente” do Rayon Vert, do Rohmer?? – risos). Quando vi o céu de Santos, naquele 31 de janeiro de 2009, todo tomado de vermelho, corri para fotografá-lo. Fiquei encantada. Minhas fotos, amadoras, pois feitas com equipamento muito amador, não chegavam aos pés das fotos profissionais de A Tribuna (do Irandy Ribas). Mesmo assim, por muito tempo, serviram de “descanso de tela” para Zanin, o paulistano mais caiçara que eu conheço. Eis, pois, a explicação do professor de Física e Astronomia Rodolfo Bonafim, ouvido, na ocasião, por A Tribuna: o fenômeno, que durou cerca de dez minutos, chama-se “raio crepuscular e é comum”. Ocorre após chuvas de verão, quando uma parte do céu fica sem nuvens. Desta forma, o raio de sol pode penetrar com mais força e formar o clarão vermelho. Isto ocorre em épocas de transição do tempo, como a passagem para o outono e a primavera, porque a atmosfera está mais turbulenta. Durante as chuvas de verão, dá-se, com o Raio Crepuscular, algo semelhante ao que se dá na formação do arco-íris. (Ante-ontem, fotografei outro Raio Crepuscular, em Santos, depois da chuva. Mas bem mais modesto que o de 2009. A Tribuna nem o registrou. Mas eu sim!!!, pois continuo amando o VERMELHO em todas as suas manifestações. Sejam políticas, sejam atmosféricas!!!).

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