EDUARDO GUDIN, DE VERDE, AO FUNDO, COM MAURO DIAS E AMIGOS + EWALD FILHO + TARIK “SAMBALANÇO” DE SOUZA + O INFELIZ TÍTULO BRASILEIRO DO DOCUMENTÁRIO DE AGNES VARDA (LES GLANEURS ET LA GLANEUSE)

** INACIO ARAUJO, TARIK,
EWALD, EDUARDO GUDIN:
Aos poucos vou colocando minha vida em ordem e me preparando para conhecer o México (só em março). Hoje, no Estadão, matéria sobre SAMBALANÇO, um dos livros novos do Tárik de Souza (*). Ontem (quarta), assisti ao programa de Matheus Nachtergaele (dele e da Ana Luíza Azevedo/Casa de Cinema) no Canal Curta!, de apenas (substantivos) 15 minutos. E sobre O Pântano (La Ciénaga), da Lucrécia Martel. Muito bom. Em fevereiro vou a São Paulo para um debate (depois mandarei o convite a todos, pois entendo que valerá a pena. No centro de tudo, Nélson Pereira dos Santos). ** Estranhei, na Ilustrada/FSP, a ausência da coluna Filmes na TV, do Inácio Araújo. O (novo???) articulista, não identificado, diz “eu”… Quem é ele, afinal??? ***Em A Tribuna (de Santos), registro da posse de Rubens Ewald Filho na Secretaria de Cultura de Paulínia ( Estadão também deu registro). E chamada de capa com maior destaque ainda para sua crítica das quintas-feiras, no caderno cultura, GALERIA/A Tribuna.
****Na ida a São Paulo, torço para que coincida com o dia em que Eduardo Gudin toca e canta no Bar do Alemão (Av. Antártica paulistana). Remexendo arquivos (ver no blog Almanakito), encontrei esta foto, feita no Sesc Pompéia, nos anos 1990
(creio, pelo tamanho do meu cabelo! A idade aumenta e o
tamanho do cabelo diminui, não é??).
Na foto, o saudoso Mauro Dias + Gudin + um compositor e uma integrante da equipe do Sesc Pompeia dos quais não consigo lembrar o nome, Zanin e eu. ( Uma questão: não está na hora de Gudin se reunir, outra vez, para show e CD, com Márcia e Paulo César Pinheiro???? **** Abaixo,
conversas internética
sobre o mais belo dos filmes de Agnes Varda,
“Les Glaneurs et la Glaneuse” (em francês),
“Os Respigadores e a Respigadora” (em lusitano),
“The Gleaners and I” (nos EUA) e
“Os Catadores e Eu” (horror dos horrores, no Brasil,
copiado dos norte-americanos, claro!!!!!). DIA DESTES, li, em
O Globo, entrevista com um italiano que está cuidando das comemorações dos 700 anos (não sei se da morte de Dante ou se da publicação da “Divina Comédia”). Ele veio ao Brasil para difundir a obra do “criador” da língua italiana e falou da importância dos estudos de HAROLDO DE CAMPOS sobre os versos dantescos. Falou também destes tempos em que o individualismo dá as cartas e o espírito COLETIVO encontra-se em baixa total. Tenho certeza que Varda, uma mulher dos anos 60, jamais aprovaria um título como Os Catadores e EU. Tanto que preferiu “Les Glaneurs et la Glaneuse”. Se colocou como parte de um coletivo de catadores. TRISTES tempos. Todo mundo sabe que sou leitora fiel do caderno cultural do Valor Econômico, mas não suporto o nome do caderno: EU (horror dos horrores).

**OS CATADORES E EU:
***O FILME DE AGNES VARDA,
POR GUSTAVO SPOLIDORO,
CEZAR VERONESE E
CARLOS ALBERTO MATTOS

“OS RESPIGADORES
E A RESPIGADORA”

***POR GUSTAVO SPOLIDORO

Oi Rosario, tudo bem?! Não sei exatamente
o que te motivou a questionar o título de
OS CATADORES E EU. Mas acho bem interessante
esse questionamento. O título original LÊS GLANEURS ET LA GLANEUSE,
gerou o título em Portugal, OS RESPIGADORES E A RESPIGADORA,
palavra (ação/função) que não temos, ou pelo menos não é usual aqui. Já o título
em “brasileiro” foi adaptado do infeliz título norte-americano, THE GLEANERS AND I.
Digo infeliz, pois nem eles nem nós vimos o filme antes de traduzir/recriar o título.
Deveria ser OS CATADORES E A CATADORA , pois ela é uma
CATADORA DE IMAGENS,
como deixa claro textualmente no filme e é
também uma catadora de histórias, de conexões
mentais, de curiosidades. Esse filme mudou minha vida. Me levou a um mestrado, ao longa MORRO DO CÉU e ao longa ERRANTE. ASSISTI em Uma sessão-curso com o Bernardet em 2006 no SANTANDER.
Beijos e longa vida à nossa catadora de sonhos.
Gus.

***OS CATADORES E EU — AGNES VARDA — SOBRE
O TÍTULO BRASILEIRO, POR CEZAR VERONESE

********CEZAR VERONESE:

Rô,

partilho contigo o entusiasmo por
OS CATADORES E EU.
Me apaixonei pelo filme desde
a primeira vez que o vi e o tenho na lista dos meus preferidos. (Injustiça
total não ter levado a Palma de Ouro quando a disputou). Em
meio à infinidade de achados do filme, o que são aquelas
batatas em forma de coração??? Poesia visual pura, não?

Me ajude! Você consegue pensar um outro título para
o filme em português? Fizeram a tradução literal do francês
LES GLANEURS ET LA GLANEUSE (que é lindo, sonoro e rítmico), mas
OS CATADORES E EU não dá, é um solavanco só, pavoroso.
Tenho a edição americana do dvd, cuja tradução também é ruim:
THE GLEANERS AND I, o “I” fica completamente banalizado. De “glaneuse” para “I” ou “eu”
a distância é grande e esse maldito “eu” soa como um corpo estranho, totalmente fora do espírito
do filme. Enfim, não gosto do título em português mas nunca consegui bolar outro capaz de reproduzir ou traduzir a magia do original.

Sou suspeitíssimo para falar qualquer coisa da Varda, pois ela é uma das minhas cineastas do coração. Vc. conhece o dvd duplo
VARDA TOUS COURTS? É uma pérola entre pérolas, que traz todos os curtas dela, entre outros o divertidíssimo “Ó SAISONS, Ó CHÂTEAUX” (sobre a cafonice da salada arquitetônica da Côte d’Azur), “YDESSA, LES OURS ET ETC…” (terrível retrato do nazismo a partir de uma colecionadora de ursos de pelúcia e fotos de ursos), “ULYSSE” (comovente retrato de uma criança doente que ela reencontra duas décadas depois) e, para mim a obra-prima da Varda, ”ONCLE YANCO”, retrato em 18 minutos sobre um tio dela hippie que vive num barco em São Francisco e que ela encontra no final dos anos 60 quando acompanhara Jacques Demy que fora contratado para filmar em Hollywood. Tio Yanco, da maneira mais despretensiosa possível e com a brisa da Nouvelle Vague entrando por cada um de nossos poros, é uma coisa singela e das mais lindas e humanas que já vi no cinema. Duas amigas cinéfilas só me chamam, dada minha paixão pelo filme, de Tio Yanco.

PS Esse dvd VARDA TOUS COURTS traz um encarte com boas fotos.

E descanse bastante para não trocar as músicas! Na verdade, isso não tem nada a ver com a idade. Estamos sempre às voltas com uma massa imensa de informações e as trapalhadas acabam sendo inevitáveis. Eu estou de férias desde o dia 02.12, descansei um pouco e agora estou produzindo um longo texto sobre UM MESTRE NA PERIFERIA DO CAPITALISMO, do Schwarz. Como dizem as más línguas, o Schwarz quer saber mais do Machado do que o próprio Machado sabia dele mesmo. O texto é extraordinário, mas analisá-lo é descascar pedras, rochedos e falésias.

E que venham muitos ALMANAKITOS, mas, por favor, sem notícias de partidas de outros cineastas!

Abraço e muita luz para você, o Zanin, a neta e toda a família em 2017, césar

GUSTAVO SPOLIDO: Que bom trazeres à tona essa conversa sobre os Catadores. E fico
feliz de ver que eu e o Carlinhos temos visões parecidas tanto sobre
o título quanto sobre a relação com o filme! Beijos, Gus

CARO GUS.

SEMANAS ATRAS, CHEGÁVAMOS UM GRUPO DE SEIS PESSOAS A CABACEIRAS, A ROLIUDE NORDESTINA, na PB, QUANDO VIMOS UM GRUPO DE CATADORES-COLHEDORES DE BATATAS… FICAMOS ENCANTADOS E COMENTAMOS QUE PARECIA UMA CENA DO MAGNIFICO FILME DA VARDA, UM DOS MAIORES DOCs de todos os tempos segundo pesquisa do BFI, nē?? Falamos da FEIURA empobrecedora do nome brasileiro do filme…..Ao regressar a SP, coloquei a foto no Almanakito, falei de minha tardia descoberta do filme num flash… Contei que lera o magnifico artigo do BERNARDET, etc. Aí, outro admirador apaixonado pelo filme,
CEZAR VERONESE, me mandou um belo texto com suas reflexões e incômodos com o nome OS CATADORES E Eu. Carlos Alberto Mattos,
por sua vez, sugeriu OS CATADORES E A CATADORA.
Melhora, mas o filme mereceria um
título à sua altura, não é??? Bjs rô

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