*********MISSA DE SETIMO DIA POR ANDREA TONNACI + MAGAL E OS
FORMIGAS + TV EDUCATIVA DO RIO GRANDE DO SUL + MARTÍRIO, O
EPICO DE VINCENT CARELLI, POR GUILHERME WISNIK

****A MONTADORA CRISTINA AMARAL (foto), COMPANHEIRA DE ANDREA TONNACI, NOS CONVIDA PARA A MISSA DE SETIMO DIA, QUE ACONTECERÁ NESTA QUINTA-FEIRA

****MAGAL E OS

FORMIGAS + TV EDUCATIVA

DO RIO GRANDE DO SUL
+ MARTIRIO, O EPICO DE CARELLI,

POR GUILHERME WISNIK

*****NA REVISTA DE CINEMA 132: TEXTO DE CANNITO SOBRE “MAGAL E OS FORMIGAS” + EXTINÇÃO DA TV EDUCATIVA DO RIO GRANDE DO SUL (E DA RADIO CULTURA) + MARTIRIO, O EPICO DE VINCENT CARELLI, EM TEXTO DE GUILHERME WISNIK

A CIGARRA E A FORMIGA

“MAGAL E OS FORMIGAS”

o karma familiar na narrativa. *

POR NEWTON CANNITO

Diretor e roteirista do filme

Esse artigo fala do processo de roteirização e fabulação a partir da autobiografia. “Magal e os Formigas” (estreia em dezembro) é um longa que eu (Newton Cannito) dirigi e escrevi o roteiro junto com o Marcos Takeda. Partimos dos princípios do Instituto Fabular (www.fabular.com.br) para criação de fábulas autobiográficas, utilizando memórias pessoais e familiares como matriz para a reconstrução ficcional e autoconhecimento do indivíduo.

“Magal e os Formigas” é uma comédia que contrapõe a ascética cultura operária aos valores de curtição, alegria e prazer. João, em meio à crise de terceira idade, começa a delirar e ver Sidney Magal. João precisará dos conselhos do “Magal” para aprender a curtir a vida, recuperar o amor de sua mulher e ajudar seu filho financeiramente.

Para mim, o filme funcionou como uma cura. O pedagogo Julio Groppa diz que só podemos nos considerar adultos, quando conseguirmos perdoar nossos pais. Toda a cura espiritual ou psicológica é baseada na quebra de padrões transmitidos por sua família. Os medos passam de pai para filho.

No processo de cura, é fundamental conseguir perdoar seus pais. Eu tive pais ótimos, me sustentaram. Deram amor. Você os ama, mas você também tem raiva deles. Por que isso acontece? Porque nós sempre nos decepcionamos com nossos pais.

Eu, tal como todo menino, achava meu pai o máximo. Ele me ensinou muitas coisas, me passou sabedoria, habilidades físicas, cultura (time de futebol) etc. Ele era o maior. Mas, quando virei adolescente, descobri: papai era um fracassado. Em parte, pela falta de grana. Mas mais que isso. Ele tinha ideias repetitivas, antigas e obcecadas.

Quando eu era criança, meu pai tinha tanto medo de passar fome que acumulava centenas de sacos de arroz em casa. Nós não tínhamos prazer. Não tinha música em casa, e só víamos notícias nos jornais. Nem sofá na sala tínhamos.

Fui rebelde durante muito tempo, até perceber que a rebeldia contra papai não levava a nada. Então, comecei a pacificar a energia e a entender de onde veio tanto medo. Era kármico da família. O avô dele havia fugido da Itália e passado fome. Esse foi o medo que ele herdou.

Mas a minha cura só foi possível quando comecei a tratar isso como arte. Comecei a escrever uma série de contos chamados “Os Formigas” sobre minha família e também fiz um curta sobre isso. Nele, fiz a caricatura de toda a família. Peguei a situação do acúmulo de arroz e levei ao paroxismo máximo. Percebi que a dicotomia era entre medo e prazer de viver. Que o medo nos impedia de curtir a vida. Esse “curtir a vida” efetivei na imagem de não termos um sofá na sala. Lembro, claramente, que mamãe queria um sofá, mas papai comprou arroz. A dicotomia era entre sofá e arroz. A solução visual foi fazer um sofá de arroz.

Escrever e filmar essa sátira me ajudou a compreender melhor a paranoia. Mostrar o filme para meu pai, já com AVC (e sem conseguir falar) e ver ele rindo de sua própria vida me ajudou a perdoá-lo. É ridículo falar em perdoá-lo, pois ele sempre quis fazer o melhor. Mas eu o culpava, então, precisei perdoá-lo. Hoje, tenho que me perdoar por ter tido raiva dele.

Em dezembro, estreia “Magal e os Formigas”, um longa sobre o mesmo universo, também focado na dificuldade de meu pai em “curtir a vida”. Dificuldade que eu também tenho e quero superar. Esse filme, ao invés de sátira, é uma comédia dramática de conciliação.

A comédia é o gênero que possibilita a conciliação e a solução do problema. Eu criei, então, um personagem inspirado em meu pai. É um homem aposentado, sempre de mau humor e que faz cálculos para ganhar na loto. Isso é dado real, meu pai era matemático e, quando aposentou, passava seus dias preso num pequeno quarto fazendo cálculos para achar a fórmula perfeita para ganhar na loto. Ele continuou trabalhando em algo inútil, apenas para manter sua mente sã.

O personagem também odeia o Sidney Magal que, nas palavras dele, é um “rebolador televisivo”. É nesse momento que Magal aparece para ele, como um delírio, um anjo, um mentor ensinador. E começa a ensinar o coroa a viver.

O filme é autobiográfico em seu início. O personagem é muito parecido com meu pai. Mas papai nunca viu Magal como um anjo. Isso foi uma fábula criada por mim, uma solução imaginária para curar o karma familiar. Imaginar uma solução, afinal, é o primeiro passo para que ela aconteça realmente.

O enredo é, obviamente, inspirada na fábula da Cigarra e da Formiga. Magal é a cigarra, que canta e curte a vida. Meu pai é a formiga, que acumula. Mas o filme relê a fábula. No filme, a formiga irá aprender que a cigarra também trabalha e que é possível curtir a vida e trabalhar ao mesmo tempo.

Ou seja, criei uma história para incentivar eu mesmo a quebrar meus próprios padrões. Só consegui criá-la quando realmente entendi meu pai e todo esforço que ele fez na vida para me dar condições de comer e estudar.

* Esse artigo é dedicado a memória do seu Athenoges Cannito.

(*) Newton Cannito, roteirista

TV PUBLICA GAÚCHA

******Extinção da TVE e
rádio FM Cultura no RS

Rô , Tudo bem?
Hoje é um triste no Rio Grande Sul. Um pacote do governo Sartori (PMDB) enviado para a Assembleia Legislativa extinguiu 8 fundações. Entre elas a Fundação Piratini, responsável pela TVE-RS e rádio FM Cultura. Ambas davam considerável espaço à cultura local e ao debate de idéias. Os jornalistas, concursados sob regra da CLT, serão demitidos. Uma pena. Temos colegas qualificados lá que não mereciam este tratamento. Te envio para ver se vale um registro no teu Almanakito.

Aqui um link do jornal
que trabalho, o Correio do Povo.
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Politica/Assembleia%20Legislativa/2016/12/605941/Deputados-aprovam-extincao-de-mais-duas-fundacoes-estaduais

E abaixo uma nota anterior da Associação Riograndense de Imprensa em defesa da TVE e FM Cultura.

Abraço, Adriana Androvandi
De Porto Alegre.
—-
NOTA DA ARI

Em defesa da TVE e da FM Cultura
Os signatários deste texto são ex-presidentes da Fundação Piratini, mantenedora da TVE e da FM Cultura. Têm opiniões diferentes e, em alguns casos, profundamente divergentes entre si sobre a proposta de reforma do Estado apresentada pelo atual governo à Assembleia Legislativa. São unânimes, porém na defesa da TVE e da FM Cultura. São contrários, portanto, à extinção da Fundação Piratini. Eles a presidiram em situações conjunturais diversas. Somadas, suas gestões abarcam cerca de 18 anos,no período compreendido entre 1973 e 2014.A administraram sob governos filiados a ideologias muitas vezes opostas.Conviveram com visões administrativas e financeiras correspondentes a tais governos.Isso não lhes tolheu a iniciativa de tentar garantir os investimentos necessários às duas emissoras. Eles ocorreram em graus diferentes ou mesmo deixaram de ocorrer, em determinados períodos. De modo geral, a Fundação Piratini sempre viveu sob a escassez. Isso não impediu a TVE e a FM Cultura de se tornarem uma referência estadual no cenário cultural e jornalístico. Tal fato é praticamente incontestável.
Prova disso são as diárias, múltiplas e extraordinárias manifestações contrárias ao desaparecimento da Fundação Piratini. Elas estão em todos os lugares: nas redes sociais, nos jornais, em rádios e tevês, em sites e blogs, em colunas, artigos, depoimentos, entrevistas. Nos abaixo-assinados, nos debates privados e públicos. Em uma só voz, gaúchos e gaúchas se manifestam em favor da TVE e da FM Cultura. Tamanho prestígio não decorre da ação deste ou daquele governo, ou de qualquer única gestão. Ele se ampara na percepção da sociedade sobre as finalidades publicas das emissoras, desvinculadas de interesses comerciais. Conscientemente, o povo gaúcho ressalta as realizações históricas de ambas destacando suas tarefas, que raramente podem ser assumidas pelas emissoras privadas, pelas suas vocações editoriais e econômicas. O Rio Grande do Sul está dizendo aos deputados que deseja manter a TVE e a FM Cultura , reconhecendo as como vitais. Confiamos que os parlamentares saberão ouvir a voz do povo.
Os signatários estão dispostos a colaborar para o encontro de solução que venha assegurar a existência da Fundação.

Alfredo Carlos Fredrizzi
Leonid Streliaev
João Batista de Melo Filho
Pedro Luiz da Silveira Osório
Luiz Fernando Schreiner Moraes
Liana Maria Milanez Pereira
Flávio Antônio Vieira Dutra
José Roberto Barbosa Garcez

Paulo Serpa Antunes
Daisy Barcellos
Luiz Adolfo Lino DeSouza
Luiz Guimarães

**********MARTIRIO,
O EPICO DE VINCENT
CARELLI, EM TEXTO DE
GUILHERME WISNIK

POR CLAY CEZAR VERONESI

Querida Rô,

pode colocar sim o texto no Almanakito, apesar de ser um texto absolutamente informal, mas vale pela reprodução de algumas palavras do Carelli. O importante é fazermos tudo o que pudermos para divulgar esse filme mais do que necessário.

Quanto ao livro do Wisnik ele compõe com MÁRIO PEDROSA: ARTE -ENSAIOS (um calhamaço de 600 páginas com ilustrações coloridas) um dístico do último projeto da COSAC. A ideia era lançar 7 volumes com todos os escritos críticos do Pedrosa (um verdadeiro arsenal que está disperso em mil publicações no Brasil e no Exterior). Com o trágico fim da editora, esse projeto foi interrompido no segundo volume. Existe uma edição mais antiga (acho que em 4 volumes) da EDUSP dos textos do Pedrosa. Mas não é completa como pretendia ser a da COSAC. Esses dois volumes estão à venda no site da amazon (é o final do estoque, pois da maioria das poucas livrarias que os vendiam eles já sumiram).

O livro organizado pelo Guilherme Wisnik é primoroso, pois ele localiza várias fontes que não tinham identificação nos textos originais do Pedrosa. E há coisas que nunca leremos em nenhum outro lugar, como, por ex., um texto que é uma espetacular síntese da arquitetura brasileira, “Introdução à arquitetura brasileira”, e que constituiu originalmente o catálogo da exposição DO BARROCO A BRASÍLIA realizada em 1959 no Museu de Arte Moderna de Tóquio.

Falando em COSAC, imagino que vocês (sobretudo pela formação do Zanin) tenham o livro e já o tenham lido, mas, caso não o conheçam, não deixem de comprar e ler A MÚSICA DO TEMPO INFINITO, do Tales Ab’ Sáber. Esse livro é de 2010, foi muito resenhado, mas por aquelas razões involuntárias de prioridades dentro das prioridades, eu nunca tinha lido. A edição é pequena, só 1500 exemplares, e também tende a desaparecer.

abraço em João Pessoa, cidade que eu adoro (embora não tanto quanto Recife e Maceió) e nos últimos anos adquiriu um sabor ainda mais gostoso com o Chico César à frente da Secretaria de Cultura. césar

Em Sábado, 17 de Dezembro de 2016 16:53, Maria do Rosário <rocaetana@gmail.com> escreveu:

Querida,

assisti finalmente na sexta passada na UNIBES CULTURAL a MARTÍRIO, seguido de um ótimo debate de 2 horas com o Carelli. Como ele reiterou, o filme, mais do que um filme, constitui um importante documento jurídico neste momento em que presenciamos nosso golpista com aspecto de urso de pelúcia abandonado no sótão da mediocridade aprovar suas PECs estarrecedoras. O Carelli também falou do reducionismo a que o júri do FEST BRASÍLIA relegou o filme, comentando que alguns jornalistas e membros do júri reduzem a complexão questão indígena (que é universal) a um “tema”. Enfatizou ainda a pecha que pesa sobre o cinema dele, por parte de uma crítica míope, que o vê como “cineasta indígena”.
Quanto ao texto do Guilherme, ele segue o brilhantismo das pegadas do pai em tudo o que faz. Coincidentemente, estou concluindo a leitura de MÁRIO PEDROSA: ARQUITETURA – ESCRITOS CRÍTICOS (Cosac), com prefácio (que é um excepcional balanço da arquitetura modernista brasileira), organização dos textos e notas assinados pelo Guilherme. abraço, césar

******Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016,
Rô Caetano escreveu:

********MARTIRIO, O EPICO DE VINCENT CARELLI — Como estou numa maratona de filmes e debates, em Jampa-PB, cidade-sede do FEST ARUANDA 2016, só agora pude ler o texto (INCERTEZA VIVA) que o arquiteto e colunista da Folha de S. Paulo, GUILHERME WISNIK dedicou em 12-12-16, no caderno COTIDIANO, ao filme MARTÍRIO. Lhes recomendo, fervorosamente, que leiam e difundam este texto. E o filme, esnobado pelo juri oficial do FEST BRASILIA (foi o escolhido pelo JURI POPULAR), em setembro passado, vai ganhando reconhecimento inédito.: teve sessão extra na BIENAL INDÍGENA, ganhou o PREMIO SPCINE de melhor documentário na MOSTRA SP ANO 40, conquistou o prêmio máximo na competição LATINO-AMERICANO do Festival de Mar del Plata, na Argentina, foi selecionado para a Mostra TERRITORIO EXPANDIDO (organizada por Regina Jehá, para a APACI) e, agora nos relata WISNIK, teve sessão especial na BIENAL DE SAO PAULO. E o filme segue recebendo convites para diversos e importantes festivais e mostras. **** FLASHES DO FEST ARUANDA no Blog Almanakito. ***Vejam foto de ANTONIO PITANGA, LUCY RAMOS E DAVI JR. ****** E aguardem as bilheterias. *****Na CARTA CAPITAL, matéria de Jotabê Medeiros, Pedro Alexandre Sanchez e Eduardo Nunomura sobre o AUDIOVISUAL BRASILEIRO.

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Enviado do Ipad de Rosário

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