FEST ARUANDA 2016 (ANO 11) — A atriz Leandra Leal viu seu filme de estreia como diretora — o documentário DIVINAS DIVAS – transformar-se no maior sucesso, até agora, do XI Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro. O filme teve a maior plateia do Festival (houve quem ficasse de fora porque os ingressos se esgotaram logo), foi aplaudido calorosamente e motivou debate dos mais participativos e animados. A atriz-cineasta só ouviu elogios ao tratamento dado à trajetória de oito transformistas brasileiras, de Rogéria, “a travesti da família brasileira”, a Marquesa, que se vestia de homem no espaço familiar, para não magoar a mãe. Mesmo que esta, influenciada por uma filha, tivesse internado o jovem num sanatório, para que “fosse curado”. O mais impressionante, no filme de Leandra, é que ele dura 110 minutos e nunca é redundante, nem cansativo. E o que é ainda mais notável: não reforça preconceito contra as travestis. Aliás, dá a elas dignidade jamais vista num filme brasileiro. Elas fazem graça, mas na medida exata, de forma que mais importantes sejam suas vidas, amores, sofrimentos e sonhos. Para alcançar resultado tão bom, a diretora estreante (que chegou, para valer, ao cinema, como protagonista de A OSTRA E O VENTO, de Walter Lima Jr) amadureceu o projeto ao longo de um processo de montagem que durou dois anos. Sua amiga e parceira em DIVINAS DAMAS, a montadora Natara Ney, apegou-se afetivamente, como Leandra, ao imenso material colhido (perto de 400 horas), o retrabalhou com imensa acuidade, mas percebeu, junto com a diretora, que era hora de trazer um novo olhar para que o filme chegasse ao seu formato final. O que foi feito. O filme será lançado nos cinemas e, depois, se transformará em série (no Canal Brasil) de oito capítulos, um para cada uma de suas personagens. Além de Rogéria e Marquesa, o ótimo documentário de Leandra registra a vida cotidiana e artística de Jane di Castro, Divina Valéria, Camille K, Eloísa dos Leopardos, Fujita de Halliday e Brigitte Búzios. Na sintética apresentação que fez de DIVINAS DAMAS, no Cinepólis Manaíra, Leandra disse que via aquela sessão como sua verdadeira prova dos nove. Afinal, “no Festival do Rio e na Mostra SP eu estava com (algumas de) minhas personagens a meu lado e cercada de amigos. Mas, aqui, estou cercada do público. Vamos ver o que vocês vão achar”. Os aplausos calorosos e os inúmeros autógrafos que ela teve que dar ao final da sessão foram a prova de que o filme se comunica bem com os espectadores. (Na colagem abaixo, fotos de Leandra com o público do Fest Aruanda). MAIS NOTAS SOBRE O FESTIVAL NO BLOG ALMANAKITO.

Enviado do Ipad de Rosário

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