SOLARIS NA CINEMATECA (fotos abaixo) + CUBA E SEUS MÉDICOS + GIORGETTI &
JULIANA GALDINO + FEST MAR DEL PLATA + PAULO CESAR CAJU NO CINEFOOT + SM BREVE ESTREIA O FILHO ETERNO, ADAPTAÇÃO LIVRE DO LIVRO DE CRISTOVAO TEZZA + RUY GUERRA, O HOMEM QUE MATOU JOHN WAYNE (FILME) + PREMIOS FENIX NO MEXICO + MOSTRA RAROS HOMENAGEIA PAULO EMILIO NA CINEMATECA BRASILEIRA

Rô Caetano
Maria do Rosário Caetano
Blog: www.almanakito.wordpress.com

****”SOLARIS” EM NOITE ESPECIAL NA CINEMATECA BRASILEIRA (MOSTRA MOSFILM EM PORETO ALEGRE) + CUBA E SEUS MEDICOS + GIORGETTI & JULIANA GALDINO + FEST MAR DEL PLATA + EUCLIDES DA CUNHA : WALNICE + CAJU NO CINEFOOT

+ CUBA E OS MEDICOS QUE
ESPALHOU PELO MUNDO

+ PAULO CESAR CAJU NA
ABERTURA DO FESTIVAL
CINEFOOT, NO MUSEU DO
FUTEBOL, NESTA TERÇA-FEIRA
Amanhã, dia 29 de novembro de 2016

+ FESTIVAL DE CINEMA
ITALIANO EM SP
prossegue sem programação
impressa e sem catálogo??

****SITE FAROFAFÁ ASSUME
EDITORIA DE CULTURA
DA “CARTA CAPITAL” 929

+ FEST ARUANDA,
EM JAMPA, VAI
PRESTAR HOMENAGEM
A MANFREDO CALDAS, QUE
MORREU SEMANA PASSADA
EM BRASILIA

+ EM DEZEMBRO,
FESTIVAL DE HAVANA DO
NOVO CINEMA LATINO-AMERICANO
LEMBRARÁ (E HOMENAGEARÁ) O
COMANDANTE FIDEL CASTRO,
CRIADOR DO ICAIC E
APOIADOR DA ESCOLA
INTERNACIONAL
DE CINEMA E TV DE
SAN ANTONIO
DE LOS BAÑOS.
Um breve comentário: jornalões do
mundo inteiro dedicaram páginas e páginas
à perda do comandante Fidel Castro, de 90 anos.
Os jornais brasileiros fizeram cadernos especiais. Edições de seis ou oito páginas (cada um). E hoje prosseguem com grande cobertura. Por que dedicam tanto espaço a um homem que têm na conta de “um mero ditador”??? Porque sabem que Fidel foi uma das maiores personalidades da história do século XX. O homem que transformou uma ilha de (hoje) dez milhões de habitantes
em lugar simbólico, conhecido no mundo inteiro. Há duas ilhas ricas e poderosas no mundo: o Japão (128 milhões) e a Inglaterra (53 milhões). Em fama e peso simbólico, a ilha caribenha (plantada no Terceiro Mundo) os ombreou. Fidel e sua revolução ganharam livro escrito por Jean-Paul Sartre (FURACÃO SOBRE CUBA, editora Sabiá, com textos complementares de Rubem Braga, magnífico, e de Fernando Sabino), transfomou um país-cassino-balneário de milionários e mafiosos em uma Nação com povo instruído, com acesso à saúde e ao lazer. Ao invés de investir em bens para si próprio (como fazem muitos ditadores e muitos “democratas”) ele dedicou sua vida (seus acertos e seus erros) a Cuba, razão de sua existência social e política. Criou faculdades de Medicina e espalhou médicos por todas as partes da Ilha, pela África lusitana (Moçambique, Angola, Guiné Bissau), pela Venezuela e pelo Brasil. Como é que um paizinho de 10 milhões
de habitantes consegue espalhar 30 mil médicos (ou mais??) pelo mundo, e nós, com 200 milhões, não conseguimos levar nossos médicos para a Amazônia e para nossas pequenas cidades interioranas? Fidel e seus companheiros de Revolução criaram o ICAIC e revelaram cineastas da grandeza de Tomas Gutierrez Alea, Santiago Alvarez, Julio García Espinoza e Humberto Solas (para ficar na geração que foi sua contemporânea), apoiou, mesmo no Período Especial (a tragédia dos anos pós-debache da URSS, em especial de 1991 a 1995) a Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de los Baños, sonho realizado de Gabriel García Márquez, Fernando Birri e do Comitê de Cineastas da América Latina. Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, que agora biografa Fidel, promete perfil matizado do comandante que
O Globo chamou de “O Senhor da Ilha”. (Leiam, hoje, na
Folha, o texto de Guilherme Wisnik sobre Fidel e Cuba)…

***TV: GREGORIO DUVIVIER
E leiam a provocadora coluna de
GREGORIO DUVIVIER, na mesma Folha, sobre
o programa RODA VIVA, depois que virou
o diário oficial do PSDB e de seus apoiadores.

*** CENTENARIO DO SAMBA:
A Folha de S. Paulo dedicou imenso espaço ao Centenário do Samba (referência: o registro de “Pelo Telefone”, como samba) em suas edições de sábado e domingo (dias 26 e 27 de novembro). O Globo dedicou espaço nobre no domingo, 27.

****A CRÔNICA

MILITANTE

DE LIMA BARRETO.

Este livro, recém-lançado pela Editora Expressão Popular,

foi tema de debate dia 26 de novembro, na

LIVRARIA EXPRESSÃO POPULAR (Rua da Abolição, 201,

na Bela Vista Paulistana) Com debate sobre LIMA BARRETO

E O RACISMO CONTRA O NEGRO, com Jazon Silva de Souza,

Maria Salete Magnino e Zenir Campos Reis.

*************OS SERTÕES, DE EUCLIDES DA

CUNHA, EDIÇAO CRITICA COMANDADA POR

Walnice Nogueira Galvão. Lançamento com autógrafos e

DEBATE, NA LIVRARIA CULTURA, do Conjunto Nacional,

no próximo dia CINCO DE DEZEMBRO, das 19h00 às 21h45.

Além de Walnice, o debate contará com FLORA SUSSEKIND E

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA. Moderação do jornalista

ANTONIO GONÇALVES FILHO, do Estadão.

*** DESTAQUES DO

CINEMA BRASILEIRO

31 de OUTUBRO de 2015 A

31 DE OUTUBRO DE 2016

No CineSesc, a partir desta quinta-feira,

dia primeiro de dezembro (e até o final

do mês e ano). Na programação,

mais de 40 filmes. Dia 5 de dezembro

haverá CINEMA DA VELA

para debater a produção

nacional lançada neste período.

****NOITE DE “SOLARIS”
NA CINEMATECA BRASILEIRA:
MOSTRA MOSFILM III DE
CINEMA SOVIÉTICO E RUSSO

*****EXCELENTE PÚBLICO PARTICIPOU

ontem (27-11-16), noite de domingo, do encerramento da mostra

III MOSFILM-Cinema SOVIÉTICO E RUSSO, ao ar livre, na Cinemateca Brasileira. Foi exibido o filme SOLARIS, de Tarkowski. Nem a chuvinha fina demoveu o público, que fruiu as quase três horas da densa narrativa tarkowiskiana (afinal trata-se do filme considerado, ao lado de “2001, Uma Odisseia no Espaço”, um dos dois momentos mais luminosos da história do cinema de ficção científica planetário). Antes, 17h45, apesar do jogo do Palmeira (que mobilizava a cidade) plateia significativa ocupava uma das duas salas de exibição da Cinemateca Brasileira, para assistir ao filme

O Conto do Czar Saltan”, de Alexandre Ptusko, produção de 1966 (portanto, da era soviética). Quem pensa que o cinema da URSS

vivia só de ‘realismo socialista’ não conhece a poderosa indústria audiovisual do país eurasiano. SALTAN, exibido em cópia restaurada, novíssima, magnífica em suas cores vivas, com legendas grandes e de boa qualidade, encheu os olhos de quem gosta de filmes fantásticos. Baseado em poema de Pushkin e transformado em ópera por Rimsky-Korsakov, o filme tem trilha sonora de Gavril Popov e conta estórias de reinos povoados por lindas princesas, czares poderosos, irmãs invejosas que tudo fazem para privar a escolhida pelo czar para ser sua czarina de sua felicidade, súditos fieis e um “tutor” disposto a praticar todos os golpes baixos possíveis. Tudo no terreno do “maravilhoso”, com exércitos de guerreiros gigantes magnificamente vestidos saindo das águas, esmeraldas e pepitas de ouro de brilho ofuscante, esquilos cantando, princesa encarnada em cisne, um príncipe que cresce a cada minuto e se transforma num belo mancebo em pouquíssimo tempo, etc, etc. O lendário eslavo ganha representação luxosíssima. Efeitos especiais de ponta, a cargo de Ptushko, considerado “o mestre dos efeitos especiais do cinema soviético”. Segundo folheto da Mostra Mosfilm III (que terminou ontem em SP e prossegue na Sala P.F. Gastal, da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre) “Saltan recebeu adaptação do mestre dos efeitos especias, cujas animações se integram à realidade fílmica com raras inteligência e leveza”). **** Estive nas três edições paulistanas da Mostra Mosfilm, organizada pelo CPC-UMES. E

constato que ela está em franco crescimento. Este ano, ganhou magnífica sessão ao ar livre (com cópia tinindo de nova de SOLARIS), dialogou com o cinema brasileiro (pré-estreia e debate de “VERMELHO RUSSO”, do brasileiro Charly Braun, com as atrizes Martha Nowill e Maria Manoela) e, além da barraquinha de DVDs russos e soviéticos, cujo maior destaque é o maupassaniano “Bola de Sebo”, de Mikhail Romm), os amplos jardins da Cinemateca (naVila Mariana) ganharam concorrida barraquinha com comidas russas. Não faço a menor ideia do tamanho da comunidade russa em SP. Mas vi algumas pessoas falando russo e curtindo as comidas típicas, os espaços da Cinemateca e os filmes. E, claro, uma maioria de jovens brasileiros ligados ao paulistano CPC-UMES (Centro Popular de Cultura da União Metropolitana de Estudantes Secundaristas). ***Em 2017, centenário da revolução russa, o festival MOSFILM, em sua quarta edição, deve crescer ainda mais. O CPC-UMES, que de vez em quando ouve minhas sugestões e pitacos, deve criar (sugiro!), para o próximo ano, um significativo Núcleo Histórico, capaz de contar, através de filmes,

a história dos dez dias que (em outubro de 1917, pelo novo calendário, novembro) abalaram o mundo. A parceria com a Cinemateca, com a Mosfilm, com o jornal Gazeta Russa, etc, podem ajudar muito. E — fundamental — há que se organizar cursos, debates e trazer um grande nome do cinema contemporâneo russo (quem sabe Andrejy “Leviatã” Zvyagintsev, Sergei Loznitsa ou um dos irmãos Nikita e Andrei Konchalowski) para uma masterclass ilustrada com trechos de filmes. Ou um grande crítico russo, que, num curso, ou masterclass, possa nos contar uma bem ilustrada e matizada história do cinema russo-soviético-russo. Enfim, um festival que por dez dias abale a cinefilia paulistana.

+ PAREDES NUAS:
UGO GIORGETTI &
JULIANA GALDINO

+ O TRIUNFO DE “MARTIRIO” E DE
SONIA BRAGA EM MAR DEL PLATA

+ OMBUDSMAN, IPHAN
NA CARTA CAPITAL

+ BRASIL BRILHA NO FEST
MAR DEL PLATA 2016

+ FEST ARUANDA 2016
PRESTARÁ HOMENAGEM
À MEMORIA DE MANFREDO CALDAS

+ FEST HAVANA TEM FORTE
REPRESENTAÇÃO BRASILEIRA

+ PAREDES NUAS:

UGO GIORGETTI & JULIANA GALDINO
Amigos, no final desta remessa,

estão destacados os dois últimos ganhadores do

Prêmio Almanaque, que atribuo a filmes, atores, peças, músicos, etc, que me chamem atenção ou me emocionem. Os dois últimos ganhadores foram MARTIRIO, filme de Vincent Carelli, premiado em Mar del Plata, e JULIANA GALDINO, atriz da magnífica montagem de LEITE DERRAMADO. Sobre o prêmio de Galdino, recebi (raro, pois ele não é interneteiro) e-mail do cineasta Ugo Giorgetti, que divido com vocês. Eu vi, sim, PAREDES NUAS, na Mostra SP. Foi um prazer revê-lo, agora, em DVD. Quando o vi, alguns anos atrás, eu não conhecia Juliana Galdino, nem Domingos Montagner. Ugo, um de nossos diretores que mais conhece (e escala para seus elencos), atores de teatro, me permitiu este prazer ao rever PAREDES NUAS e o trabalho destes dois grandes atores de teatro e cinema (e aproveito o momento para lhes recomendar a matéria de Jotabê Medeiros, na Carta Capital desta semana, sobre o leião judicial do acervo do Banco Santos). Bjs rô

Cara Rosário – Li, num Almanakito bem recente, de seu interesse pela atriz Juliana Galdino. Falando da participação dela no cinema, muito mais pobre que no teatro, aliás, você citava suas poucas participações em filmes, num meu inclusive. Há um filme, no entanto, que eu gostaria que você visse, pois há nele alguma possibilidade de você ver esta grande atriz num papel que, creio, lhe faz justiça. Trata-se de um telefilme, cujo título é “Paredes Nuas”, feito através de um edital da Secretaria de Cultura do Estado e exibido, se essa é a palavra, pela TV Cultura. O filme entrou uma ou duas vezes, no meio das madrugadas, talvez. Esteve, todavia, na Mostra, de alguns anos atrás. O tema gira um pouco em torno do escândalo do Banco Santos e de seu mentor, Edmar Cid Ferreira.Mas é apenas alusivo e esse personagem nem aparece no filme. Em compensação o personagem da Juliana aparece e é extremamente importante. Gostaria que você a visse nesse papel. De quebra, aliás, você verá também Domingos Montagner, antes de ser ”descoberto” pela Globo. Além do belíssimo ator que é Luiz Damasceno. Enfim, o filme ficou perdido numa espécie de limbo, região por onde costumam vagar vários de meus filmes, mas acho que tem algo que ver também com o momento atual. Não sei, espero que se interesse. Um abraço, Ugo.
**O CPCB E MANFREDO CALDAS

Com profundo pesar e em nome da Diretoria e

Conselho do Centro de Pesquisadores do Cinema

Brasileiro, expressamos nossos sentimentos pela

perda do diretor, editor e pesquisador Manfredo

Caldas. Manfredo era um amigo querido, membro

e colaborador sempre presente do CPCB, que perde

um dos seus mais entusiastas apoiadores. Perde o

Cinema Brasileiro, perde o Cinema

Latino-Americano, perdemos todos.

Nosso abraço e solidariedade para a

família. Diretoria do CPCB

****MEDICINA: UM

ARTIGO DO DOUTOR

DRAUZIO VARELA + LHES RECOMENDO O FILME “SOB PRESSÃO” , PROTAGONIZADO POR PERSONAGENS-MEDICOS, DE ANDRUCHA WADDINGTON: UMA OBRA DE UTILIDADE PUBLICA. COM JULIO ANDRADE E MARJORIE ESTIANO EM OTIMOS DESEMPENHOS….

***LEIAM, HOJE, NA FOLHA
DE SP, A COLUNA DA
OMBUDSMAN. MUITO BOA.
E NA “CARTA CAPITAL”, LEIAM
A MATÉRIA DE
JOTABÊ MEDEIROS,
SOBRE O IPHAN,
QUE EM BREVE FARÁ OITENTA ANOS.
O INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO
E ARTÍSTICO NACIONAL FOI CRIADO
POR INTELECTUAIS, LIDERADOS
POR RODRIGO MELLO FRANCO
DE ANDRADE, PAI DO CINEASTA JOAQUIM
PEDRO DE ANDRADE.** NA FOLHA,
LEIAM TAMBÉM A COLUNA
DE JANIO DE FREITAS.

** “SOLARIS”, DE TRAKOWSKI,
ENCERROU, NO BELÍSSIMO
CINEMA AO AR LIVRE,
NA CINEMATECA BRASILEIRA,
COM BARRAQUINHAS
MONTADAS PELO CPC-UMES,
instituição RESPONSÁVEL
PELO FESTIVAL MOSFILM III.
MUITOS APROVEITARAM
PARA COMPRAR
DVD DE CLÁSSICOS
SOVIÉTICOS E DE CONTEMPORÂNEOS
RUSSOS. DESTAQUE PARA “BOLA DE SEBO”,
do começo dos anos 1930.

***** CONFIRAM
“SOB PRESSÃO”,
FILME DE UTLIDADE PUBLICA,
DIRIGIDO POR ANDRUCHA
WADDINGTON

+ BRASIL BRILHA NO
FEST MAR DEL PLATA
COM “MARTIRIO” E “AQUARIUS”

+ LIMA BARRETO, EUCLIDES DA
CUNHA, WALNICE, ZĒ CELSO,
FLORA SUSSEKIND:
LIVROS E DEBATES

+ COLUNA DE ANDRĒ SINGER,
SABADO (26-11-16), NA
FOLHA DE S. PAULO

*****PREMIO ALMANAQUE:
O Prêmio Almanaque número 161 (Ano 14), deste mês de novembro de 2016 vai para a atriz Juliana Galdino, de 43 anos, protagonista de “Leite Derramado”.
Num desafio sobre-humano, ela interpreta, com nuances e talento únicos (e um trabalho
de voz que a que jamais assisti), o delirante Eulálio D’Assunção, protagonista do
romance de Chico Buarque (“Leite Derramado”) e da montagem da Cia Club Noir, que encerrou temporada paulistana no domingo, 13 de novembro, no Sesc Anchieta.
Trata-se companhia que ela mantém com o diretor teatral Roberto Alvim, desde que,
em 2006, deixou o CTP- Grupo Macunaíma (a essencial companhia de Antunes Filho). Galdino tornou-se conhecida nos espetáculos do grande encenador brasileiro. Com
ele fez “Fragmentos Troianos”, “Antígona”, “Medéia” (este valeu a ela o Prêmio Shell). No Sesc Anchieta, palco das invenções antunisianas, ela fez (dirigiu) a série Pret-a-Porter.
Juro, na minha santa ingnorância, que não sabia que Juliana tinha deixado a
companhia de Antunes Filho. E isto aconteceu há 10 anos!!!. Depois de ver
Juliana Galdino na pele de Eulálio D’Assunção, cheguei em casa com uma só ideia:
saber tudo da trajetória desta atriz formidável. Encontrei material razoável na
internet, mas nada à altura de seu talento e merecimento. Li que é filha de arqueólogos,
que é capaz de interpretar à perfeição um macaco (em “Comunicação a Uma
Academia”, de Kafka), que fez “Fluxorama”, com Caco Ciocler, sob direção de
Monique Gardenberg. E que atuou em 5 ou 6 filmes. Aí fiquei estupefata:
eu que vejo 99% dos filmes brasileiros, não consegui citar um que fosse. Algo
estava (está) errado. Decerto, nenhum de nossos diretores deu a ela um
papel do tamanho de seu talento. Mas pelo menos (alguns) tiveram sensibilidade para escalá-la: Ugo Giorgetti (Cara ou Coroa), Flávio Frederico (Boca.. do Lixo), Alan Fresnot (Família Vende Tudo), Heitor Dhalia (Nina). E “Ninjas” (um curta, um média?? De
Dennison Ramalho????????). E mais: coube a ela o papel de Dona Suely (recriação
ficcional de Dona Solange, a censora, em “Magnífica 70”, série da HBO,
protagonizada por Simone Spoladore). Creio (intuo), que Juliana Galdino
vai ganhar todos os prêmios teatrais da temporada, a começar pela APCA,
que se reúne no próximo dia 30. Quem sabe, a partir de agora, a imprensa preste
mais atenção e lhe dedique páginas inteiras. É o que ela merece.

+ PREMIO ALMANAQUE
O Prêmio Almanaque número 160 (Ano 14),
deste mês de outubro de 2016, vai para o cineasta Vincent Carelli (criador do Projeto Vídeo nas Aldeias) por seus filmes, os épicos “Corumbiara” e “Martírio” (duas primeiras partes de trilogia que se complementará com “Adeus, Capitão”). Como volta seu olhar-câmara aos povos espoliados desde o “descobrimento” do Brasil, há quem o veja como “cineasta de tema”. Ou seja, como realizador de filmes que não se preocupam com sua manufatura-escritura (o juri do Festival de Brasília o viu por este prisma). E sim (e apenas), com suas mensagens e denúncias. Visão estreita. “Corumbiara” começa em 1985, numa gleba, em Rondônia, onde houve um massacre de índios. Carelli filmou aquele momento conflagrado. Mas o massacre caiu no esquecimento institucional. Dez anos depois, ele regressou ao local (com o indigenista Marcelo Santos). Com sua câmara, claro. E saiu em busca insana por um índio isolado. Aproveitando, claro, para mostrar que a matança dos povos originários seguia implacável. Sem maniqueismos, “Corumbiara” abre espaço, também, para a autocrítica das próprias estratégias indigenistas (ofício que ele, Carelli, também abraça). Com “Martírio”, o cineasta registra a tragédia cotidiana do povo Guarani-Kaiowá. Se os povos da grande Amazônia e da Amazônia Xinguana têm territórios para viver, o mesmo não se dá com os Guarani-Kaiowá. Estes sobrevivem em estado da Federação que é um dos epicentros do agronegócio (Mato Grosso do Sul). E precisam enfrentar a fúria diária de fazendeiros e parlamentares unidos sob a bandeira da UDR (União Democrática Ruralista). Ao longo de 2h40, Carelli passa ao largo dos “filmes de índios” idealizados, aqueles que mostram povos integrados à Natureza, caçando, banhando-se ou praticando rituais sagrados. O que vemos é uma espécie de “western” caboclo. Forças poderosas (governador, senadores, deputados, fazendeiros e empresas de segurança) unidas para exterminar os índios e ampliar seus agro-negócios (e eternos poderes). Nunca, em nenhum filme brasileiro, se viu o Parlamento (ou parte significativa dele) tão exposto quanto em “Martírio”. E mais: o filme dessacraliza o Marechal Cândido Rondon, mostra índios arregimentados pelo Governo Militar para ajudar em práticas de tortura, faz recuo histórico até a Guerra do Paraguai, mergulha no ciclo econômico da Erva-Mate para que conheçamos a origem de tão sanguinária luta pela posse da terra, mostra a resistência da língua guarani (ainda não exterminada) e a arrebatadora performance de Ailton Krenak (cobrindo seu rosto com tinta preta) em pleno processo Constituinte, em 1988. Carelli se coloca em cena como diretor e indigenista e — o que faz de “Martírio” um clássico de nascença — apresenta imagens feitas pelos próprios índios municiados (pelo Projeto Vídeo nas Aldeias) com pequenas câmaras. Ouvíamos, antes, os índios dizerem que pistoleiros e empresas de segurança de fazendeiros atiravam neles para arrancá-los de seus pequenos nacos de terras comunitárias. Mas nada víamos. Em “Martírio”, assistimos ao índios gritando-e-filmando sob o pipocar das armas a serviço da UDR. Um épico que coloca Carelli e o projeto Vídeo nas Aldeias na linha de frente do cinema documental brasileiro. A partir da próxima quarta-feira, Vincent Carelli vai receber (merecidíssima) homenagem da Bienal do Cinema Indígena, comandada por Ailton Krenak.

*************.

Enviado do Ipad de Rosário

Anúncios