MAR DEL PLATA + GIORGETTI & JULIANA GALDINO + EUCLIDES:
WALNICE, ZĒ CELSO E FLORA + CAJU NO CINEFOOT

Rô Caetano
Maria do Rosário Caetano
Blog: www.almanakito.wordpress.com

+ PAREDES NUAS:
UGO GIORGETTI &
JULIANA GALDINO. (Foto)

+ O TRIUNFO DE “MARTIRIO” E DE
SONIA BRAGA EM MAR DEL PLATA

+ OMBUDSMAN, IPHAN
NA CARTA CAPITAL

+ SOLARIS NA
CINEMATECA BRASILEIRA

+ BRASIL BRILHA NO FEST
MAR DEL PLATA 2016

+ FEST ARUANDA 2016 PRESTARÁ HOMENAGEM À MEMORIA DE MANFREDO CALDAS

+ FEST HAVANA TEM FORTE
REPRESENTAÇÃO BRASILEIRA

+ PAREDES NUAS:

UGO GIORGETTI & JULIANA GALDINO
Amigos, no final desta remessa, estão destacados os dois últimos ganhadores do Prêmio Almanaque, que atribuo a filmes, atores, peças, músicos, etc, que me chamem atenção ou me emocionem. Os dois últimos ganhadores foram MARTIRIO, filme de Vincent Carelli, premiado em Mar del Plata, e JULIANA GALDINO, atriz da magnífica montagem de LEITE DERRAMADO. Sobre o prêmio de Galdino, recebi (raro, pois ele não interneteiro) email do cineasta Ugo Giorgetti, que divido com vocês. Eu vi, sim, PAREDES NUAS, na Mostra SP. Foi um prazer revê-lo, agora, em DVD. Quando o vi, alguns anos atrás, eu não conhecia Juliana Galdino, nem Domingos Montagner. Ugo, um de nossos diretores que mais conhece (e escala para seus elencos), atores de teatro, me permitiu este prazer ao rever PAREDES NUAS e o trabalho destes dois grandes atores de teatro e cinema (e aproveito o momento para lhes recomendar a matéria de Jotabê Medeiros, na Carta Capital desta semana, sobre o leião judicial do acervo do Banco Santos). Bjs rô

Cara Rosário – Li, num Almanakito bem recente, de seu interesse pela atriz Juliana Galdino. Falando da participação dela no cinema, muito mais pobre que no teatro, aliás, você citava suas poucas participações em filmes, num meu inclusive. Há um filme, no entanto, que eu gostaria que você visse, pois há nele alguma possibilidade de você ver esta grande atriz num papel que, creio, lhe faz justiça. Trata-se de um telefilme, cujo título é “Paredes Nuas”, feito através de um edital da Secretaria de Cultura do Estado e exibido, se essa é a palavra, pela TV Cultura. O filme entrou uma ou duas vezes, no meio das madrugadas, talvez. Esteve, todavia, na Mostra, de alguns anos atrás. O tema gira um pouco em torno do escândalo do Banco Santos e de seu mentor, Edmar Cid Ferreira.Mas é apenas alusivo e esse personagem nem aparece no filme. Em compensação o personagem da Juliana aparece e é extremamente importante. Gostaria que você a visse nesse papel. De quebra, aliás, você verá também Domingos Montagner, antes de ser ”descoberto” pela Globo. Além do belíssimo ator que é Luiz Damasceno. Enfim, o filme ficou perdido numa espécie de limbo, região por onde costumam vagar vários de meus filmes, mas acho que tem algo que ver também com o momento atual. Não sei, espero que se interesse. Um abraço, Ugo
****MEDICINA: UM

ARTIGO DO DOUTOR

DRAUZIO VARELA + LHES RECOMENDO O FILME “SOB PRESSÃO” , PROTAGONIZADO POR PERSONAGENS-MEDICOS, DE ANDRUCHA WADDINGTON: UMA OBRA DE UTILIDADE PUBLICA. COM JULIO ANDRADE E MARJORIE ESTIANO EM OTIMOS DESEMPENHOS….

***LEIAM, HOJE, NA FOLHA
DE SP, A COLUNA DA
OMBUDSMAN. MUITO BOA.
E NA “CARTA CAPITAL”, LEIAM
A MATÉRIA DE
JOTABÊ MEDEIROS,
SOBRE O IPHAN,
QUE EM BREVE FARÁ OITENTA ANOS.
O INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO
E ARTÍSTICO NACIONAL FOI CRIADO
POR INTELECTUAIS, LIDERADOS
POR RODRIGO MELLO FRANCO
DE ANDRADE, PAI DO CINEASTA JOAQUIM
PEDRO DE ANDRADE.** NA FOLHA,
LEIAM TAMBÉM A COLUNA
DE JANIO DE FREITAS.

**E HOJE TEM “SOLARIS”,
NO CINEMA AO AR LIVRE,
NA CINEMATECA BRASILEIRA,
COM BARRAQUINHAS
MONTADAS PELO CPC-UMES,
instituição RESPONSÁVEL
PELO FESTIVAL MOSFILM III.
APROVEITEM PARA COMPRAR
DVD DE CLÁSSICOS
SOVIÉTICOS E DE CONTEMPORÂNEOS
RUSSOS. DESTAQUE PARA “BOLA DE SEBO”,
do começo dos anos 1930.

***** CONFIRAM
“SOB PRESSÃO”,
FILME DE UTLIDADE PUBLICA,
DIRIGIDO POR ANDRUCHA
WADDINGTON

+ BRASIL BRILHA NO
FEST MAR DEL PLATA
COM “MARTIRIO” E “AQUARIUS”

+ LIMA BARRETO, EUCLIDES DA
CUNHA, WALNICE, ZĒ CELSO,
FLORA SUSSEKIND:
LIVROS E DEBATES

+ COLUNA DE ANDRĒ SINGER,
SABADO (26-11-16), NA
FOLHA DE S. PAULO

+ Hoje, na Cinemateca
Brasileira, Solaris:
MOSTRA MOSFILM III

+ PAULO CESAR CAJU NA
ABERTURA DO FESTIVAL
CINEFOOT, NO MUSEU DO
FUTEBOL, NESTA TERÇA-FEIRA

+ SITE FAROFAFÁ ASSUME
EDITORIA DE CULTURA
DA CARTA CAPITAL 929

+ FEST ARUANDA, EM JAMPA, VAI
PRESTAR HOMENAGEM
A MANFREDO CALDAS, QUE
MORREU ANTE-ONTEM EM BRASILIA

+ EM DEZEMBRO,
FEST HAVANA LEMBRARÁ O
COMANDANTE FIDEL CASTRO, CRIADOR DO
ICAIC E APOIADOR DA ESCOLA INTERNACIONAL
DE CINEMA E TV DE SAN ANTONIO DE LOS BAÑOS

****A CRÔNICA

MILITANTE

DE LIMA BARRETO.

Este livro, recém-lançado pela Editora Expressão Popular,

foi tema de debate ante-ontem, dia 26 de novembro, na

LIVRARIA EXPRESSÃO POPULAR (Rua da Abolição, 201,

na Bela Vista Paulistana) Com debate sobre LIMA BARRETO

E O RACISMO CONTRA O NEGRO, com Jazon Silva de Souza,

Maria Salete Magnino e Zenir Campos Reis.

*************OS SERTÕES, DE EUCLIDES DA

CUNHA, EDIÇAO CRITICA COMANDADA POR

Walnice Nogueira Galvão. Lançamento com autógrafos e

DEBATE, NA LIVRARIA CULTURA, do Conjunto Nacional,

no próximo dia CINCO DE DEZEMBRO, das 19h00 às 21h45.

Além de Walnice, o debate contará com FLORA SUSSEKIND E

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA. Moderação do jornalista

ANTONIO GONÇALVES FILHO, do Estadão.

*** DESTAQUES DO

CINEMA BRASILEIRO

31 de OUTUBRO de 2015 A

31 DE OUTUBRO DE 2016

No CineSesc, a partir desta quinta-feira,

dia primeiro de dezembro (e até o final

do mês e ano). Na programação,

mais de 40 filmes. Dia 5 de dezembro

haverá CINEMA DA VELA

para debater a produção

nacional lançada neste período.

*****PREMIO ALMANAQUE:

O Prêmio Almanaque número 161 (Ano 14), deste mês de novembro de 2016 vai para a atriz Juliana Galdino, de 43 anos, protagonista de “Leite Derramado”.
Num desafio sobre-humano, ela interpreta, com nuances e talento únicos (e um trabalho
de voz que a que jamais assisti), o delirante Eulálio D’Assunção, protagonista do
romance de Chico Buarque (“Leite Derramado”) e da montagem da Cia Club Noir, que encerrou temporada paulistana no domingo, 13 de novembro, no Sesc Anchieta.
Trata-se companhia que ela mantém com o diretor teatral Roberto Alvim, desde que,
em 2006, deixou o CTP- Grupo Macunaíma (a essencial companhia de Antunes Filho). Galdino tornou-se conhecida nos espetáculos do grande encenador brasileiro. Com
ele fez “Fragmentos Troianos”, “Antígona”, “Medéia” (este valeu a ela o Prêmio Shell). No Sesc Anchieta, palco das invenções antunisianas, ela fez (dirigiu) a série Pret-a-Porter.
Juro, na minha santa ingnorância, que não sabia que Juliana tinha deixado a
companhia de Antunes Filho. E isto aconteceu há 10 anos!!!. Depois de ver
Juliana Galdino na pele de Eulálio D’Assunção, cheguei em casa com uma só ideia:
saber tudo da trajetória desta atriz formidável. Encontrei material razoável na
internet, mas nada à altura de seu talento e merecimento. Li que é filha de arqueólogos,
que é capaz de interpretar à perfeição um macaco (em “Comunicação a Uma
Academia”, de Kafka), que fez “Fluxorama”, com Caco Ciocler, sob direção de
Monique Gardenberg. E que atuou em 5 ou 6 filmes. Aí fiquei estupefata:
eu que vejo 99% dos filmes brasileiros, não consegui citar um que fosse. Algo
estava (está) errado. Decerto, nenhum de nossos diretores deu a ela um
papel do tamanho de seu talento. Mas pelo menos (alguns) tiveram sensibilidade para escalá-la: Ugo Giorgetti (Cara ou Coroa), Flávio Frederico (Boca.. do Lixo), Alan Fresnot (Família Vende Tudo), Heitor Dhalia (Nina). E “Ninjas” (um curta, um média?? De
Dennison Ramalho????????). E mais: coube a ela o papel de Dona Suely (recriação
ficcional de Dona Solange, a censora, em “Magnífica 70”, série da HBO,
protagonizada por Simone Spoladore). Creio (intuo), que Juliana Galdino
vai ganhar todos os prêmios teatrais da temporada, a começar pela APCA,
que se reúne no próximo dia 30. Quem sabe, a partir de agora, a imprensa preste
mais atenção e lhe dedique páginas inteiras. É o que ela merece.

+ PREMIO ALMANAQUE
O Prêmio Almanaque número 160 (Ano 14),
deste mês de outubro de 2016, vai para o cineasta Vincent Carelli (criador do Projeto Vídeo nas Aldeias) por seus filmes, os épicos “Corumbiara” e “Martírio” (duas primeiras partes de trilogia que se complementará com “Adeus, Capitão”). Como volta seu olhar-câmara aos povos espoliados desde o “descobrimento” do Brasil, há quem o veja como “cineasta de tema”. Ou seja, como realizador de filmes que não se preocupam com sua manufatura-escritura (o juri do Festival de Brasília o viu por este prisma). E sim (e apenas), com suas mensagens e denúncias. Visão estreita. “Corumbiara” começa em 1985, numa gleba, em Rondônia, onde houve um massacre de índios. Carelli filmou aquele momento conflagrado. Mas o massacre caiu no esquecimento institucional. Dez anos depois, ele regressou ao local (com o indigenista Marcelo Santos). Com sua câmara, claro. E saiu em busca insana por um índio isolado. Aproveitando, claro, para mostrar que a matança dos povos originários seguia implacável. Sem maniqueismos, “Corumbiara” abre espaço, também, para a autocrítica das próprias estratégias indigenistas (ofício que ele, Carelli, também abraça). Com “Martírio”, o cineasta registra a tragédia cotidiana do povo Guarani-Kaiowá. Se os povos da grande Amazônia e da Amazônia Xinguana têm territórios para viver, o mesmo não se dá com os Guarani-Kaiowá. Estes sobrevivem em estado da Federação que é um dos epicentros do agronegócio (Mato Grosso do Sul). E precisam enfrentar a fúria diária de fazendeiros e parlamentares unidos sob a bandeira da UDR (União Democrática Ruralista). Ao longo de 2h40, Carelli passa ao largo dos “filmes de índios” idealizados, aqueles que mostram povos integrados à Natureza, caçando, banhando-se ou praticando rituais sagrados. O que vemos é uma espécie de “western” caboclo. Forças poderosas (governador, senadores, deputados, fazendeiros e empresas de segurança) unidas para exterminar os índios e ampliar seus agro-negócios (e eternos poderes). Nunca, em nenhum filme brasileiro, se viu o Parlamento (ou parte significativa dele) tão exposto quanto em “Martírio”. E mais: o filme dessacraliza o Marechal Cândido Rondon, mostra índios arregimentados pelo Governo Militar para ajudar em práticas de tortura, faz recuo histórico até a Guerra do Paraguai, mergulha no ciclo econômico da Erva-Mate para que conheçamos a origem de tão sanguinária luta pela posse da terra, mostra a resistência da língua guarani (ainda não exterminada) e a arrebatadora performance de Ailton Krenak (cobrindo seu rosto com tinta preta) em pleno processo Constituinte, em 1988. Carelli se coloca em cena como diretor e indigenista e — o que faz de “Martírio” um clássico de nascença — apresenta imagens feitas pelos próprios índios municiados (pelo Projeto Vídeo nas Aldeias) com pequenas câmaras. Ouvíamos, antes, os índios dizerem que pistoleiros e empresas de segurança de fazendeiros atiravam neles para arrancá-los de seus pequenos nacos de terras comunitárias. Mas nada víamos. Em “Martírio”, assistimos ao índios gritando-e-filmando sob o pipocar das armas a serviço da UDR. Um épico que coloca Carelli e o projeto Vídeo nas Aldeias na linha de frente do cinema documental brasileiro. A partir da próxima quarta-feira, Vincent Carelli vai receber (merecidíssima) homenagem da Bienal do Cinema Indígena, comandada por Ailton Krenak.

*************.

Enviado do Ipad de Rosário

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