O FILME CULT DE WALTER LIMA JR + A LIRA DO DELÍRIO

** O FILME “CULT”
DE WALTER LIMA Jr
Dia destes, sentada em cadeira de uma
das salas do Espaço Itau Frei Caneca — pois participava de uma coletiva com a equipe do filme “Através da Sombra”, de número 16 ou 17 na lista de longas ficcionais do diretor niteroiense — me veio à mente uma história muito divertida. Ei-la.
Na segunda metade dos anos 1980 — quando eu morava em Brasília e trabalhava no Correio Braziliense (ou Jornal de Brasília) e comentava filmes no DF TV, telejornal candango da Rede Globo — coordenava, com amigas, uma sessão de cinema brasileiro no Auditório da Cultura Inglesa. O espaço era programado pelo Centro de Cultura Cinematográfica, comandado pelo incansável José Damata (do Cinema Voador). Por generosidade, ele nos cedia um horário vespertino, aos sábado (por volta das 14h00) para mostrarmos filmes brsileiros que queríamos rever. Com ajuda da Donac-Embrafilme, conseguíamos os longas-metragens a custo (quase) zero. Apareciam uns
10 ou 15 resistentes espectadores, pois era hora de digerir o almoço… Mas sempre que exibíamos A LIRA DO DELIRIO, do Lima Jr, o público quintuplicava… Eu buscava razões para o sucesso daquele filme naquele horário ingrato… Imaginava: o filme é criativo, tem uma narrativa muito livre, tem Anecy Rocha beijando Nara Leão na boca, tem Pereio com seu cinismo habitual… Sim, mas outros filmes tinham atributos parecidos e não faziam o público de nossa Sessão VESPERTINA dos SABADOS subir (exceção única para “Macunaíma”, de Quinca Pedro, que também fazia o comparecimento subir)… Até no bloco carnavalesco mais famoso de Brasília, o PACOTÃO, havia um belo estandarte que desfilava todo ano e trazia os dizeres: a Lira do Delírio. Mas eu
continuava sem entender o que fazia a afluência ao filme de Lima Jr ser tão maior
que as dos outros títulos programados. Até que um dia, já morando em SP, na
Alameda Santos, fui à Paulista comprar o JB (Jornal do Brasil), como fazia todo dia.
Antes de chegar em casa, na rua mesmo, abri o Caderno B, segmento cultural do saudoso JB, criado por meu amigo Reynaldo Jardim, e vi uma matéria de tamanho médio falando de “um filme EMACONHADO”. Que filme era este? A Lira do Delírio!!! Num texto maravilhoso e saboroso, o repórter descrevia debate que mobilizara o público carioca e encontrara, entre outras razões, a principal delas. A que explicava o sucesso do filme (e que eu, caretaça, jamais descobriria). Um filme emaconhado. (*** Adoraria reler este texto do JB. Quem o encontrar, por favor, o mande para mim).

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