MOSTRA SP ANO 40 (2016) — AXÉ, O CANTO DO POVO DE
UM LUGAR, DE CHICO KERTÉSZ (BAHIA)

****AXÉ: CANTO DO

POVO DE UM LUGAR.

Outra noite apoteótica na MOSTRA SP 2016: a que exibiu o documentário de Chico KERTÉSZ — pelo que imagino, filho do ex-prefeito (e radialista) soteropolitano Mário Kertész . O filme teve plateia vip no Espaço Itaú Frei Caneca: Daniela Mercury com a companheira, e Márcio Vito, do Psirico, eram dois deles. O diretor e sua equipe estavam presentes. Mais o jornalista Hagamenon Brito, o bambambam do jornalismo musical e cultural na Bahia, assim como o cineasta João Gabriel, que venceu o Fest Aruanda 2015 com seu longa-metragem “Travessia”, protagonizado por Chico Diaz. *****Badalação total para o filme, assim como só os baianos sabem fazer. Mas o documentário deixa a desejar. Trata-se de imensa REPORTAGEM, na linha “cabeças falantes” (são tantas, mas tantas, que fora as ESTELARES – Caetano, Gil, Gerônimo, Daniela Mercury, Ivete Sangalo……, chega um momento em que pedimos clemência!!!). Faltou um editor para enxugar os 107 minutos de filme (90 minutos seriam mais que suficientes). E faltou visão crítica ao diretor, que vai somando depoimento + depoimento + depoimento. Tudo é tomado como importante, relevante. O Olodum, com sua magistral FARAÓ, e Gerônimo, com É D’OXUM e EU SOU NEGÃO, têm — para o filme — o mesmo valor de bandas tipo Chiclete com Banana, Reflexus e assemelhadas. Um breve segmento do documentário até se propõe como crítico, mas é logo abandonado pela avalanche de depoimentos sobre novos compositores, novas bandas…. Música se ouve pouco. E só trechos mínimos, pois a overdose de depoimentos não tem trégua. Caetano & Gil, inteligentes e articulados como sempre, são convocados para dar respaldo e credibilidade ao fenômeno Axé Music, que gerou grandes composições e cantoras/cantores, assim como gerou muito produção descartável. Mas o filme é um verdadeiro coração de mãe. Para ele, todos são ótimos, divinos, maravilhosos… ****Por que não estabelecer relações mais ricas, como o diálogo de Caetano com Gerônimo, no EU SOU NEGÃO e EU SOU NEGUINHA, deixando as músicas correrem na tela, para que possamos frui-las?? Não há tempo, pois o filme abre espaço para Deus, o mundo e o Raimundo….. Daí que a REPORTAGEM segue superficial, panorâmica e mal editada. Mas, claro, e isto não se pode negar, o filme reúne (apesar da péssima qualidade técnica de boa parte das imagens de arquivo) momentos que nos mobilizam e emocionam. Mas a quantidade soterra a qualidade.

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